  A Mediadora - Crepsculo - 6 volume

  RECONHECIMENTOS

  Devo muito a Beth Ader, Jennifer Brown, Laura Langlie, Abigail McAden, e especialmente Benjamim Egnatz, como tambm todos os leitores que apoiaram esta srie desde
o princpio.
  
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  Aquela foi uma manh normal de sbado no Brooklyn. Nada fora do normal. Nada que me fizesse suspeitar que aquele era o dia que a minha vida ia mudar para sempre.
Nada mesmo.
Eu tinha acordado cedo para assistir cartoons. Eu nem ligava pra acordar cedo se isso significasse que eu poderia passar algumas horas assistindo Bugs e seus amigos. 
Era acordar cedo para ir a escola que eu no gostava. At mesmo naquela poca eu no era muito f da escola. Meu pai tinha que fazer ccegas no meu p para eu sair 
da cama nos dias de semana.
No em sbados pensando bem.
Eu acho que o meu pai sentia o mesmo. Sobre os Sbados quero dizer. Ele era sempre o primeiro a acordar no nosso apartamento, mas ele acordava extra cedo nos sbados 
e em vez de caf da manh de aveia com acar mascavo, que ele fazia para mim nos dias de semana, ele tinha feito torrada francesa. Minha me, que nunca tinha sido 
capaz de agentar o cheiro de (maple syrup), sempre ficava na cama at que nossos pratos estivessem vazios e postos no lava louas, e todos o cheiro tivesse ido 
embora.
Naquele sbado - aquele logo depois que eu fiz 6 anos - meu pai e eu tnhamos lavado (the syrupy) louas e talheres, e ai eu voltei para os cartoons. Eu no consigo 
me lembrar qual eu estava assistindo quando meu pai entrou para me dizer tchau, mas era um bom o bastante para que eu desejasse que ele se apreasse e fosse embora 
logo.

  -Eu vou correr. - ele tinha dito dando um beijo no topo da minha cabea - at logo Suzinha.

  -Tchau - eu tinha dito. Eu no acho que eu ao menos me importei em olhar para ele. Eu sabia como ele era. Um cara grande e alto com muito cabelo grosso e preto 
que tinha comeado a ficar branco em alguns lugares. Naquele dia ele estava vestindo calas de caminhadas cinzas e uma camiseta em que se lia HOMEPORT, MENEMSHA, 
FRESH SEAFOOD ALL YEAR ROUND (porto de casa, menemsha, frutos do mar frescos durante o ano todo), que veio da nossa ultima viagem para Martha's Vineyard.

  Nenhum de ns sabia que aquelas seriam as ltimas roupas que qualquer um o veria usando.
  
  -Certeza que voc no quer vir ao parque comigo? - ele perguntou.

  -Pai. - eu tinha dito, triste pela idia de perder um nico minuto do cartoon. - No.
-Se cuida - ele disse. - diga para sua me que tem suco de laranja fresco na geladeira.

  -Ok. - eu disse - Tchau.

  E ai ele foi embora.

  Teria eu feito alguma coisa diferente se eu soubesse que aquela seria a ultima vez que eu o veria de novo - vivo, pelo menos?  claro que eu teria. Eu teria ido 
ao parque com ele. Eu teria feito ele andar em vez de correr. Se eu soubesse que ele teria um ataque cardaco l fora, na pista de corrida e morrer na frente de 
estranhos, eu teria impedido ele de ir ao parque em primeiro lugar, teria feito ele ir ao mdico em vez disso.
S que eu no sabia. Como eu podia saber?
Como eu podia?
  
  Captulo 1

  Eu achei a pedra exatamente onde a Sra. Gutierres disse onde ela estaria, entre (alguma coisa que pinga) e os hibiscos que cresceram demais no seu pomar. Eu apaguei
a lanterna. Deveria ter uma lua cheia naquela noite, mas a meia noite um grosso tanto de nuvens veio do mar que tinham reduzido a visibilidade a nenhuma.
Mas eu no precisava de mais de luz para ver. Eu s precisava cavar. Eu coloquei meus dedos na terra macia e molhada e tirei a pedra do seu lugar de descanso. Ela 
se moveu facilmente e no era pesada. Logo eu estava tocando a terra para tentar achar a caixa que sra.Gutierrez tinha jurado que estaria l...
O negcio era que no tava. No tinha nada nos meus dedos alm de terra molhada.
Foi quando eu ouvi - alguma coisa se mexendo sob o peso de algum por perto.
Eu gelei. Eu estava transgredindo uma lei. A ultima coisa que eu precisava era ser levada para casa pela polcia de Carmel.
De novo.
Dai, com o meu sangue pulsando muito rpido em quanto eu tentava descobrir como no mundo eu ia me explicar pra sair dessa, eu reconhecia a sombra - mas escura do 
que todas as outras - h alguns metros de mim. Meu corao continuou a bater nas minhas orelhas, mas agora por uma razo completamente diferente.

  -Voc. - eu disse, levantando devagar, tremendo, at ficar em p.

  -Ol Suze - sua voz, flutuando at mim, era profunda, e nem um pouco tremendo...Diferente da minha prpria voz, que tinha uma terrvel tendncia de tremer quando 
ele estava por perto.

  Essa no era a nica parte de mim que tremia, tambm.
Mas eu estava determinada a no deixar ele saber disso.

  -Devolve isso - eu disse segurando a minha mo.
Ele jogou a cabea para traz e riu.

  -Voc  maluca? - ele queria saber.

  -Eu falei srio Paul - disse, minha voz dura, mas a minha confiana j comeando a se dissipar, como a terra entre meus ps.

  -So dois mil dlares, Suze - ele disse, como se eu no soubesse disso - dois mil.

  -E isso pertence a Julio Gutierrez - eu parecia certa de mim mesma, mesmo que eu no tivesse me sentindo desse jeito - No a voc.
  
  -T bom! - disse Paul, sua voz transbordando de sarcasmo - E o que Gutierres vai fazer? Chamar a polcia? Ele nem sabe que o dinheiro est sumido, Suze. Ele nem 
mesmo sabia que estava aqui.

  -Porque a av dele morreu antes de ter a chance de contra pra ele - eu lembrei a ele.

  -Ento ele no vai notar, vai? - mesmo com a escurido eu podia dizer que Paul estava sorrindo. Eu podia ouvir isso na sua voz - voc no pode perder o que nem 
sabia que tinha.
 
  -A Sra. Gutierres sabe. - eu tinha largado a minha mo para ele no saber que eu estava tremendo, mas eu no podia disfarar a minha voz que estava tremendo cada 
vez mais to fcil assim - Se ela descobrir que voc roubou o dinheiro, ela vai vir atrs de voc.

  -O que te faz pensar que ela j no veio atrs de mim? - ele perguntou, to doce que fez com que os cabelos do meu brao ficassem todos arrepiados...E nem era 
por causa do tempo friozinho.
Eu no queria acreditar nele. Ele no tinha razo para mentir. E obviamente a Sra. Gutierrez tinha ido at ele como veio a mim, ansiosa por qualquer ajuda que ela 
pudesse ter. De que outro jeito ele poderia saber sobre o dinheiro?

  Pobre Sra. Gutierrez. Ela tinha totalmente posto sua confiana no mediador errado. Porque parecia que Paul no tinha apenas roubado ela. Ah no!
Mas como uma idiota, eu fiquei l parada no meio do quintal e chamei o nome dela s no caso dela ainda estar l, o mais alto que eu ousei. Eu no queria acordar 
a Grieving - famlia dentro da modesta casa de stucco a alguns metros de distncia.
  
  -Sra Gutierrez? - eu estiquei o meu pescoo para ver alguma coisa, penetrando na escurido, tentando ignorar o frio no ar...E no meu corao - Sra. Gutierrez? 
Voc est ai? Sou eu Suze...Sra. Gutierrez.

  No foi l tanta surpresa quando ela no apareceu. Eu sabia,  claro, que ele podia fazer os mortos desaparecerem. Eu nunca achei que ele fosse baixo nvel o suficiente 
para isso.
  
  Eu devia ter sabido isso melhor.
Um vento frio veio do mar quando eu virei para ficar cara a cara com ele. Eu rodei um punhado do meu cabelo escuro e comprido em volta do meu rosto, at que as pontas 
finalmente grudaram no meu gloss. Mas eu tinha coisas mais importantes para pensar.

  -Essas so as economias da vida dela. - eu disse para ele, sem ligar se ele tinha notado o n na minha garganta - Tudo que ela tem pra deixar para seus netos.

  Paul encolheu os ombros, as mos enterradas fundo nos bolsos da sua jaqueta de couro.

  -Ela devia ter posto em um banco ento. - Ele disse.

  Talvez se eu explicar pra ele, eu pensei...
  
  -Muitas pessoas no confiam no banco com o dinheiro deles.

  Mas no teve jeito.

  -No  a minha culpa - ele disse encolhendo os ombros de novo.

  - Voc nem mesmo precisa de dinheiro - eu berrei - Seus pais te compram tudo que voc quer. Dois mil dlares no so nada pra voc, mas pra os netos da Sra. Gutierrez 
 uma fortuna!

  -Ela devia ter tomado conta melhor do dinheiro, ento - foi tudo q ele disse.

  Ai, aparentemente vendo a minha expresso - eu nem sei como, desde que tinha vrias nuvens no cu - ele amoleceu a voz.

  -Suze, Suze, Suze. - ele disse, tirando uma das mos do bolso do casaco e colocando seu brao forte em volta do meu ombro - O que eu vou fazer com voc?
  
  Eu no disse nada. Eu no acho que eu seria capaz de falar se eu quisesse. J era bem difcil de respirar. Tudo que eu podia pensar era sobre a Sra. Gutierrez 
e o que ele tinha feito com ela. Como podia algum que cheirava to bem - o fino odor da sua colnia enchia meus sentidos - ou de algum que tanto calor irradiava 
- especialmente bem vindo, dado ao frio no ar e ao meu casaquinho nino - ser to...
Bem, mal?

  -Te dizer o que - Paul disse. Eu podia sentir sua voz vibrando atravs dele enquanto ele falava, ele tava me segurando perto assim. -Eu divido com voc, metade 
pra cada um.

  Voc  doente! - eu repliquei.

  -No seja assim, Suze - ele disse - Voc tem que admitir que  justo, voc pode fazer o que quiser com a sua parte, mandar de volta pra os Gutierrez, eu no ligo, 
mas se voc for esperta, vai usar para comprar um carro para voc, agora que tirou a licena. Voc podia comprar um carrinho com esse dinheiro, e no ter que se 
preocupar em furtar o carro da sua me da garagem quando ela cai no sono...

  -Eu te odeio - eu gritei, saindo de seu abrao e ignorando o frio que ficou nos lugares em que seu corpo estava me tocando.

  -No, voc no me odeia - ele disse. A lua apareceu momentaneamente de trs do grosso cobertor de nuvens acima, s longo o bastante para eu ver que seus lbios 
estavam em um louco sorriso - Voc s esta brava porque sabe que eu estou certo.

  Eu no podia acreditar nos meus ouvidos. Ele tava falando serio? 
  
  -Tomar dinheiro de uma mulher morta  a coisa certa a se fazer?

  -Obviamente - ele disse.
  
  A lua tinha desaparecido de novo, mas eu podia dizer pela sua voz que ele estava de saco cheio.
  
  -Ela no precisa mais dele. Voc e o padre Dom so um casal de verdadeiros pushovers, voc sabe. Agora eu tenho uma pergunta pra voc. Como  que voc soube o 
que ela estava dizendo? Eu achei que voc tava fazendo francs, no espanhol.

  Eu no respondi a ele naquele momento. Eu estava pensando em uma resposta que no inclusse a palavra que eu menos gostava de mencionar em sua presena, a palavra 
que, toda a hora que eu ouvia ou ao menos pensava nela, fazia o meu corao dar uns saltos dentro do meu peito, e fazia com que o sangue em minhas veias corresse 
a um ritmo prazeroso.
  
Infelizmente aquela era uma palavra que no produzia o mesmo efeito em Paul.

  Antes que eu pudesse pensar em uma mentira, qualquer que fosse, ele descobriu por ele mesmo.

  -Ah, certo - ele disse em sua voz de repente sem tom. - Ele, que estpido de mim.

  Ai, antes que eu pudesse pensar em alguma coisa pra dizer que fosse amenizar a situao - ou pelo menos tirar o Jesse da cabea dele, a ultima pessoa no mundo 
que eu queria o Paul pensando sobre - ele disse numa voz bem diferente:
  
  -Bem, eu no sei sobre voc, mas eu estou exausto. Eu vou chamar isso de uma cansativa noite, te vejo por ai Simon.

  Ele virou para ir embora, simplesmente assim, virou para ir embora.
Eu sabia o q eu tinha que fazer claro. Eu no estava procurando por
  isso... em fato, meu corao tinha isso simplesmente at a minha garganta e as minhas palmas da mo tinham ido de repente, e inexplicavelmente, molhadas de suor.
  
  
  
  Mas que escolha eu tinha? Eu no podia deixar ele ir embora com todo aquele dinheiro. Eu tinha tentado conversar com ele, e no tinha funcionado. Jesse no gostaria 
disso, mas a verdade era, no tinha outra alternativa. Se Paul no desistisse do dinheiro voluntariamente, bem, eu ia apenas ter que tirar o dinheiro dele.

  Eu disse a mim mesma que eu tinha boas chances de conseguir. Paul tinha a caixa enfiada em um dos bolsos do seu casaco. Eu senti quando ele colocou seu brao em 
volta de mim. Tudo que eu tinha que fazer era distra-lo de algum jeito... Ai agarrar a caixa e jog-la pela janela fechada. Os Gutierrez iriam pirar,  claro, com 
o som do vidro quebrando, mas eu duvido que eles iriam chamar os policiais...No Quando eles achassem dois mil dlares numa caixa no cho...

  Assim foi, no era um dos meus melhores planos, mas era tudo q eu tinha.
Eu chamei seu nome.

  Ele virou. A lua escolheu aquele momento para aparecer entre uma grossa camada de nuvens acima, eu podia ver pela luz plida que Paul tinha uma expresso absurdamente 
esperanosa. A esperana aumentou enquanto eu cruzava a grama entre ns. Eu suponho que ele pensou por um minuto que ele finalmente tinha me vencido. Achado minha 
franqueza. Que tinha sucedido me trazendo para o lado negro.
E por esse preo baixo, preo baixo de mil dlares. No.

  A esperana em seu olhar o deixou bem no momento que ele viu meu punho. Eu at pensei que, por um minuto, eu tinha visto um olhar ferido naqueles olhos azuis, 
plido como a luz da lua a nossa volta. Ai a lua se escondeu entre as nuvens, e ns estvamos de novo na escurido.

  A prxima coisa que eu sabia, Paul, se movendo mais rpido que eu achei ser possvel, tinha segurado meus pulsos com tanta fora que doa e tinha chutado meus 
ps. Um segundo depois, eu estava estatelada na grama molhada pelo peso de seu corpo e seu rosto a centmetros do meu.

  -Isso foi um erro - ele disse, de um jeito bem casual, considerando a fora com que seu corao batia, que eu podia sentir batendo contra o meu - Eu estou retirando 
minha oferta.

  Sua respirao, diferente da minha, estava ofegante. Ainda, eu tentei esconder meu medo dele.

  -Que oferta? - eu perguntei.

  -Dividir o dinheiro, eu vou ficar com ele todo agora. Voc realmente machuca meus sentimentos, sabia disso Suze?

  -Eu tenho certeza - eu disse o mais sarcasticamente que eu podia - agora saia de cima de mim. Essas so as minhas favoritas low-riders, e voc est fazendo pedaos 
de grama entrarem nela.

  Mas Paul no estava pronto para me deixar ir. Ele tambm no parecia apreciar minha febril tentativa de fazer uma piada sobra a situao. Sua voz, vinda at mim, 
parecia mortalmente sria.

  -Voc quer que eu faa seu namorado desaparecer? - ele perguntou - Do jeito que eu fiz com a Sra. Gutierrez?
  
Seu corpo estava quente contra o meu, por isso no tinha nenhuma outra explicao para o meu corao ter ficado frio que nem gelo, a no ser que as suas palavras 
tenham me amedrontado a ponto de parecer que meu sangue congelara nas minhas veias.

  Eu no podia, de qualquer jeito, deixar meu medo aparecer. Fraqueza parece sempre trazer crueldade, nada de compaixo, de pessoas como o Paul.
  
  -Ns temos um acordo. - eu disse, minha lngua e meus lbios formando as palavras com dificuldade porque, como o meu corao, tinham ficado gelados como gelo com 
o medo.

  -Eu prometi que no o mataria - Paul disse -Eu no disse nada sobre impedir que ele morresse em primeiro lugar.

  Eu pisquei para ele, sem entender.

  -O que? Sobre o que voc esta falando? - eu murmurei.

  -Voc vai descobrir - ele disse, ele abaixou a cabea e deu um leve beijo nos meus lbios congelados - Boa noite suze.

  Ai ele se levantou e desapareceu na neblina.

  Me levou um minuto para descobrir que eu estava livre. Ar frio me cobriu em todos os lugares que seu corpo estivera me tocando. Eu finalmente consegui me levantar 
sentindo como se eu tivesse batido minha cabea em uma parede. Mas eu ainda tinha fora o suficiente para gritar:
  
  -Paul! Espere!

  Isso foi quando algum dentro da casa dos Gutierrez acendeu as luzes. O pomar me pareceu um campo de corrida. Eu ouvi uma janela sendo aberta e algum gritando:
  
  -Ei voc, o que esta fazendo aqui?

  Eu no me prolonguei para perguntar se iam ou no chamar a policia. Eu me levantei do cho e escalei o muro que eu tinha usado para chegar at l meia hora antes. 
Eu achei o carro da minha me exatamente onde eu o tinha deixado. Eu entrei nele e comecei minha longa jornada at em casa, amaldioando um certo companheiro mediador 
- e a grama pinicando o meu jeans - por todo o caminho.

  Eu no tinha idia de como a partir daquela noite, as coisas entre Paul e mim estavam para ficar feias mesmo.
Mas estava para descobrir.
  
  
  
  Captulo 2

  Ele tinha feito aquilo. Finalmente. Tipo, l no fundo eu sempre soube que ele faria.
Voc pensaria, que com tudo o que eu j passei, eu veria isso vindo. Eu no sou exatamente nova nisso. E no era como se no tivesse nenhum sinal l.
Ainda, quando veio, parecia (alguma coisa) cortando alguma coisa azul clara.

  -Ento, onde  que voc vai jantar antes do baile formal de inverno? -Kelly Prescott me perguntou no quarto perodo no laboratrio de lnguas. Ele nem mesmo esperou 
para ouvir qual seria a minha respostas. Porque Kelly no ligava para qual seria a minha resposta. Essa no era a idia dela me perguntando em primeiro lugar. 
  
  -Paul vai me levar no Cliffside Inn - Kelly continuou. -Voc conhece o Cliffside Inn, n Suze? No Big Sur?

  -Ah claro - eu disse - Eu conheo.

  Foi o que eu disse de qualquer jeito. No  estranho como seu crebro pode entrar em piloto automtico? Tipo, como voc pode estar dizendo uma coisa e estar pensando 
em outra completamente diferente? Porque quando a Kelly disse isso - sobre o Paul levando ela ao CI - a primeira coisa que eu pensei no foi ah claro eu conheo. 
No chegou nem perto. 
  
  Meu primeiro pensamento foi mais perto de "o que???? Kelly prescott??? Paul slater tah levando a Kelly prescott pro baile de inverno formal?????"
Mas isso no foi o que eu disse em voz alta, graas a Deus. Quero dizer, considerando que Paul estava sentado s a algumas carteiras de distncia, ouvindo o dilogo 
em seu sonsinho de fita. A ltima coisa que eu queria no mundo era ele pensando que, voc sabe, eu estava puta que ele tinha convidado uma outra para o baile. J 
foi ruim o suficiente ele ver que eu estava olhando na direo dele, que eu estava falando dele. Ele ergueu as sobrancelhas meio q falando: eu posso ajudar?
  
  Foi quando eu vi q ele ainda estava com os fones de ouvido. Ele no tinha, eu percebi aliviada, ouvido o que Kelly tinha falado. Ele tinha estado ouvindo uma conversinha 
entre o Dominique e o Michel, nossos amiguinhos franceses.

  -Ele tem 5 estrelas. - Kelly continuou - o CI que quero dizer.

  -Legal - Eu disse desviando o olhar de Paul e indo sentar no meu lugar. 
  
  - Tenho certeza que os dois vo se divertir muito.

  -Ah, sim.- Kelly disse. Ela jogou os cabelos louros-mel para trs para poder por de volta os fones de ouvido. Vai ser to romntico. Ento aonde voc vai? Para 
jantar antes do baile quero dizer?"

  Ela sabia,  claro que ela sabia perfeitamente.
Mas ela ia me fazer dizer isso. Porque e assim que garotas como a Kelly so.

  -Eu acho que eu no vou ao baile. - Eu disse, me sentando na minha cadeira atrs dela e pondo meus fones de ouvido.
Kelly olhou para mim por cima da mesa entre nos, seu belo rosto cheio de simpatia. Falsa simpatia  claro. Kelly prescott no liga para mim. Nem nenhuma outra pessoa 
alm dela mesmo;

  -No vai? Oh, suze isso  terrvel! Ningum te convidou?
Eu s sorri em resposta. Sorri e tentei no sentir o olhar de Paul nas minhas costas.

  -Isso  muito ruim - Kelly disse - E parece que o Brad tambm no vai poder ir porque a Debbie est doente (ou qualquer coisa que no a deixe ir ao baile no sei) 
ei, eu tenho uma idia! - Kelly disse - Voc e o Brad deviam ir ao baile juntos!

  -Engraado - eu disse sorrindo fracamente enquanto Kelly gargalhava com sua prpria piada. Porque, voc sabe, no tem nada mais pattico do que uma garota sendo 
levada para o baile formal do ensino mdio de inverno pelo prprio meio-irmo.

  Exceto, talvez, ela no ser levado por ningum.

  Eu liguei o meu toca fitas. Dominique comeou imediatamente a reclamar do seu dormitrio para Michel. Eu estou certa de que Michel murmurou simpticas respostas 
(ele sempre faz), mas eu no ouvi quais eram elas.
  
  Porque isso no fazia nenhum sentido. O que tinha acabado de acontecer, quero dizer, como o Paul podia estar levando a Kelly para o baile formal de inverno quando, 
da ultima vez que eu chequei, eu era a nica que ele estava atrs para um encontro, qualquer encontro? No que eu tenha estado completamente obcecada com isso, mas 
eu tinha que poder jogar um ossinho ocasional para o cachorrinho, para impedi-lo de fazer com o que meu namorado o que ele tinha feito com a Sra. Gutierrez.

  Espera um minuto. Era isso que estava acontecendo? Paul tinha finalmente se cansado de andar com uma garota que ele tem que chatear para passar um tempo com ele?
Bem,  bom, certo? Quero dizer, se a Kelly o queria, ela podia t-lo.
O nico problema era, eu estava tendo dificuldades tentando no lembrar como o corpo de Paul tinha sentido contra o meu naquela noite no terreno dos Gutierrez. Porque 
tinha sentido legal, seu peso, seu calor, esquecendo do meu medo. Tinha sido bom mesmo.
Sensao certa...Cara errado.

  Mas o cara certo? , ele no  realmente do tipo: joga a garota na grama. E calor? Ele no tinha emanado nenhum calor nos ltimos 150 anos.

  O q n era culpa dele. A coisa do calor, quero dizer. Jesse no podia melhorar em nada com essa coisa de estar morto, assim como Paul no podia melhorar sendo...Bem...Paul.

  Ainda, este convidando-a-Kelly-em-vez-de-mim-para-o-baile...Tava me deixando louca. Eu tinha estado me preparando para o seu convite - e imaginando a sua reao 
quando eu recusasse - durante semanas. Eu at pensei que estava comeando a pegar o gingado da nossa relao como se fosse um jogo de tnis no hotel em que nos conhecemos 
vero passado.
A no ser que agora parecia que o Paul tinha mandado uma bola na minha quadra que eu nunca seria capaz de responder.
Sobre o que era tudo isso?
  
  Essas palavras voaram em frente aos meus olhos num pedao de papel de um caderno, e estavam sendo sacudidas para mim do topo do biombo de madeira separando o meu 
"curral" do outro em frente. Eu tirei o papel dos dedos que o estavam segurando e escrevi: Paul convidou a Kelly para o baile, depois devolvi o papel para a pessoa.
Uns segundos depois o papel voltou a aparecer na minha mesa:
Eu achei que ele ia te convidar!!!!!!! Minha melhor amiga Cee Cee, escreveu.

  Acho que no, escrevi em resposta.
Bem, est bom assim n, foi a resposta de Cee Cee. Voc no queria mesmo ir com ele, quero dizer, e o jesse?
  
  Mas era s isso. E o Jesse? Se o Paul tivesse me convidado para o baile de inverno, e eu tivesse respondido com muito pouco entusiasmo, ele mandaria uma daquelas 
ameaas assombrosas sobre o jesse - a mais nova, na verdade, sobre ele aparentemente ter aprendido um jeito de impedir que os mortos morram em primeiro lugar...Seja 
l o que isso signifique.
E ainda hoje, ele tinha convidado uma outra pessoa para o baile com ele em vez de mim. No s uma outra pessoa, nem isso, mas Kelly Prescott, a mais bela, mais popular 
garota da escola...Mas tambm uma pessoa que eu sei que ele evita

  Tinha alguma coisa errada com tudo isso...E no era apenas q eu tava tentando reservar todos os meus bailes para um cara que tem estado morto desde 1850.
Mas eu no mencionei isso para Cee Cee. Melhor amiga ou no, uma garota de 16 anos - mesmo uma garota de 16 anos Albina com uma tia vidente - pode entender.Sim, 
ela sabia do jesse. Mas Paul? Eu no tinha mencionado uma palavra.

  E eu queria que continuasse assim.
Eu olhei em volta para ter certeza que a irm Marie Rose, nossa professora de francs, no estava olhando antes deu jogar o bilhete de volta pra Cee Cee, e em vez, 
vi padre Dominic acenando para mim da porta do laboratrio.
Eu tirei meus fones de ouvido sem me sentir realmente arrependida - a conversinha de Michel e Dominic era bem insuportvel - e me apressei at a porta. Eu senti, 
mais do que vi, que um certo olhar estava em mim.
Eu no o daria, de jeito nenhum, a satisfao de olhar de volta.

  -Suzannah - disse o padre Dominique quando eu sa pelo porte em direo a um dos corredores como brisa que ligam as Sales na academia da Misso Junpero Serra 
-Fico feliz que consegui te encontrar antes de eu ir embora.

  -Ir embora? - foi quando eu notei que o padre D. estava carregando uma mala e uma expresso extremamente ansiosa - Aonde voc est indo?-So Francisco. - O rosto 
do padre D. tava quase to branco quanto seu cabelo. - Eu temo que uma coisa horrvel acontecer.
  Eu levantei minhas sobrancelhas:
  
  -Terremoto?        
  
  
  - No exatamente. - Padre D. puxou seus clinhos para cima at estarem no topo de seu nariz aquilino enquanto ele olhava baixo para mim -  o monsenhor. Teve um 
acidente e ele est em coma.

  Eu tentei parecer calidamente triste, mesmo que a verdade seja que, eu nunca nem liguei pro monsenhor. Ela est sempre ficando aborrecido com as coisas que no 
importam - tipo meninas que usam mini-saia pra ir ao colgio. Mas ele nunca se importa com coisas que realmente so importantes, tipo como os cachorros-quentes que 
eles vendem no almoo to sempre frios como pedra.

  -Nossa - eu disse - Como que aconteceu? Acidente de carro?
Padre D. limpou a garganta - , no, ele, hum...Engasgou.

  -Algum o estrangulou? - eu perguntei esperanosa.

  -Claro que no. Por favor, Suzannah - padre dom falou pra mim - Ele se engasgou com um pedao de cachorro quente numa carrocinha na rua.
Eba! Justia potica! Eu no disse em voz alta j que eu sabia que o padre Dom no ia aprovar.

  Em vez, eu disse:
  -Que pena. Ento, por quanto tempo voc vai ficar fora?
  
  -No fao idia - padre Dom disse parecendo arrasado. - isso no podia ter acontecido num momento pior, com a audio desse final de semana.
  
  A academia da misso  incessante com seus esforos para levantar fundos. Neste final de semana ceia o leilo dos antiqurios. Chegaram doaes durante toda a 
semana que estiveram sendo guardadas no poro da reitoria. Uma das coisas mais interessantes recebidas foram um tabuleiro de ouija da virada do sculo (presente 
da tia da Cee Cee) e um cinto de prata pra arma - estimado ela sociedade histrica de Carmel como tendo uns 150 anos - descoberto pelo meu meio-irmo, Brad (dunga) 
, enquanto ele limpava o sto, como punio por alguma coisa q ele tinha feito e que eu no me lembro mais.

  -Mas eu queria ter certeza de que voc sabia onde eu estava. - Padre D. tirou um celular de seu bolso. -  para voc me ligar se alguma coisa fora do normal acontecer, 
certo suzannah? O nmero ...

  -Eu sei o numero padre D. - eu lembrei  ele. O celular do padre D. era novo, mas no to novo assim. Posso dizer que  um saco que o padre Dominic, que nunca 
quis um - nem faz a menor idia de como usar um - tenha um celular e eu no? - e por fora do comum voc quis dizer algo como o brad conseguindo uma nota passvel 
em trigonometria ou algo mais sobrenatural? Tipo manifestaes ectoplasmticas na baslica?
  
-O ltimo - padre D. disse colocando o celular no bolso de novo. -eu espero no ficar longe por mais de um ou dois dias, Suzannah, mas eu estou perfeitamente ciente 
que no passado voc no precisou de mais de um ou dois dias para se meter em perigo mortal. Ento educadamente, enquanto eu estou fora tente exercitar sua capacidade 
de ficar longe de problemas. Eu no ligo para voltar pra casa a no ser que tenha outra parte da escola em pedaos como festa de boas vindas. E se voc puder certifique-se 
de que Spike tem comida suficiente.
-Nananinano - eu disse me afastando. Essa era a primeira vez q minhas mos estavam livres de arranhados de gato, e eu queria que continuasse assim. - aquele gato 
 sua responsabilidade, no minha!
  
  -E o que voc quer que eu faa? Suzannah - o padre D. pareceu frustrado. - pedia  irm Enerstine dar uma olhadinha nele de meia em meia hora? Nem devia ter bichinhos 
na reitoria. Graas as suas terrveis alergias. Eu tive que aprender a dormir com a janela aberta para aquele animal dos infernos entre e saia quando bem quiser 
sem incomodar nenhuma das novias.

  -T bom - eu o interrompi sem educao. - eu vou dar uma de bab depois da escola. Alguma outra coisa?

  Padre D. tirou uma enorme lista de seu bolso.

  -Ah. - ele disse depois de dar uma olhada na lista. - E o funeral dos Gutierrez. J tomei conta de tudo. E eu os coloquei na nossa lista de ajuda como voc pediu.

  -Valeu padre D. - eu disse discretamente olhando para longe pelas colunas do corredor no caminho da sala de aula. De volta ao brooklyn, onde eu cresci, novembro 
significada a morte de toda a flora. Aqui na Califrnia - E olha que aqui  o norte da Califrnia - tudo que novembro aparentemente significa  que os turistas que 
visitam a Misso usam calas corsria em vez de shorts, e os surfistas trocam as blusas trmicas sem maga pelas com manga. Plantinhas coloridas ainda enfeitam os 
canteiros da misso, e quando somos liberados para o almoo podemos ficar em baixo dos raios do sol.

  Mesmo com a temperatura nos 30 graus, eu tremi... E no s porque eu estava parada na brisa fria do corredor. No, era um frio que vinha de dentro que tava me 
deixando arrepiada. Porque, mesmo com a misso sendo to linda com as suas belas flores e jardins, atrs deles espiava uma coisa negra e assombrosa, como...
Bem, como Paul.
  
  Era verdade. O cara tinha a habilidade de tornar o dia mais quente frio. Ou pelo menos no que tinha a ver comigo. Mas como o padre D. tinha sentido o mesmo eu 
no sabia. Mas eu meio que duvidava disso. Depois de sua entrada de estrela do rock na escola, Paul no teve muito contato com o diretor tanto quanto eu tive. O 
que, vendo que todos os trs so mediadores,  um pouco estranho.

  Mas Paul e padre D. parecem preferir isso assim, cada um preferindo manter sua distancia, comigo como mensageiro quando comunicao  extremamente necessria. 
Isso era em parte porque (vamos encarar) eles so caras. Mas era tambm porque o comportamento de Paul, na escola pelo menos - melhorou consideravelmente, e no 
tinha razo para ele ser mandado para a sala do diretor. Paul se tornou um aluno exemplar, tendo notas impressionantes e at sendo indicado capito do time masculino 
de tnis.

  Se eu no tivesse visto por mim mesma eu no teria creditado, mas l estava, obviamente Paul preferia deixar o padre D. no escuro sobre suas atividades depois 
da escola, sabendo que o padre dificilmente as aprovaria.

  Pegue o incidente dos Gutierrez, por exemplo. Um fantasma veio a ns procurando ajuda, e Paul, em vez de fazer a coisa certa, tinha terminado roubando dois mil 
dlares dela. Isso no seria uma coisa que o padre D. deixaria passar em branco, se ele soubesse.
S que ele no sabia, padre D. quero dizer. Porque o Paul no ia contar, e, francamente, eu tambm no. Porque se eu contasse - se eu contasse ao padre D. qualquer 
coisa que possa fazer Paul parecer menos com o aluno CDF que ele fingia ser - o que aconteceu com a senhora Gutierrez aconteceria com o meu namorado.
  
  Ou, voc sabe, o cara que deveria ser meu namorado, se ele no estivesse morto.
Paul me tinha exatamente onde ele queria. Bem, talvez no exatamente onde ele queria, mas bem perto.
Foi por isso que eu tive que tentar alguma coisa para ajudar os Gutierrez, que foram roubados sem nem mesmo saber disso. Eu no podia ir a policia, claro (bem, voc
sabe senhor oficial, o fantasma da senhora Gutierrez me disse que o dinheiro estava enterrado embaixo de uma pedra no seu pomar, mas quando eu cheguei l, eu descobri
que outro mediador o tinha pegado... O que  um mediador, que voc perguntou? Ah, uma pessoa que age como uma ponte entre os mortos e os vivos. Ei espera um segundo...
O que  que voc est fazendo com essa camisa de fora?).

  Em vez disso, eu coloquei o nome Gutierrez na lista de necessitados da academia da misso, que assegurou um funeral decente para a senhora Gutierrez e dinheiro
suficiente para que seus amados pagassem algumas de suas dvidas. No eram dois mil dlares com certeza mas...

  -Enquanto eu estiver fora Suzannah.

  Eu comecei a prestar ateno no que o padre D. tava falando um pouco tarde demais. E eu no podia perguntar o que ele tava falando. Porque ai ele ia querer saber 
no que eu estava pensando em vez de prestar ateno no que ele falava.

  -Voc promete suzannah?

  o padre D. olhou para mim com aqueles olhos azuis. O que mais eu podia fazer alm de concordar e sorrir?

  -Claro padre D. - eu disse sem ter a menor idia do que estava prometendo.

  - Que bom, eu preciso dizer que isso me faz sentir melhor -ele disse, e era verdade que seus ombros pareciam ter perdido um pouco da tensa rigidez com que ele 
os segurava enquanto falava. - Eu sei que posso confiar em vocs dois. Mas  que...Bem, eu iria odiar se vocs fizessem alguma coisa..., estpida na minha sada. 
Tentaes so difceis para qualquer um resistir, particularmente os jovens, que no consideram totalmente as conseqncias de seus atos.
Oh. Agora eu sabia do que ele tava falando.

  -Mas para voc e Jesse - Padre D. continuou - Existiriam conseqncias de catastrfica repercusso se acontecesse de vocs dois......
  
  -Ns entregaremos a nossa insacivel luxria um pelo outro? - eu sugeri quando ele no continuou.
Padre D. me olhou infeliz.

  -Estou falando srio Suzannah - ele disse. Jesse no pertence a este mundo. Com alguma sorte ele no vai continuar por aqui muito tempo. Quanto mais profundo for 
a relao de vocs dois, mais difcil ser de dizer adeus. Porque voc vai ter que dizer adeus algum dia, Suzannah. Voc no pode desafiar a ordem natural das...

  blah blah blah. Os lbios do padre D. estavam se mexendo, mas eu no estava prestando ateno. Eu no precisava ouvir aquilo de novo. Ento as coisas no tinham 
dado certo para o padre D. e a menina fantasma por quem ele se apaixonou, de volta na idade mdia. Isso no significava que Jesse e eu seguiramos o mesmo curso. 
Especialmente contando com o que eu descobri com o Paul que parece saber muito mais sobre mediadores que o padre D. sobre ser um mediador...
...Particularmente o pequeno pedao que mediadores podem trazer os mortos de volta  vida.

  Mas tinha uma coisa complicada: Voc precisaria de um corpo vazio para por a alma sem corpo. E corpos no so uma coisa que eu estou acostumada a encontrar por 
ai. Nem ningum que tope se sacrificar para que uma outra alma ocupe o corpo.

   -Pode ter certeza padre D. - quando seu discurso finalmente terminou. - Bem, se divirta bastante em So Francisco.

  Padre D. me olhou curioso. Acho que as pessoas que esto indo a So Francisco visitar monsenhores em coma, no tm exatamente muito tempo para fazer turismo, tipo 
visitar a Golden Gate, Chinatown e essas coisas.

  -Obrigado suzannah - ele disse. Depois ele me olhou com um olhar cheio de significado - Comporte-se bem.

  -E eu fao alguma coisa alm? - eu perguntei surpresa.

  Ele andou para longe, balanando a cabea, sem nem se preocupar em responder.
  
  Captulo 3

  - Ento, o que voc e o bom padre estavam cochichando hoje durante a aula de francs? - Paul queria saber.

  -O funeral da senhora Gutierrez - eu respondi falando a verdade. Bem, mais ou menos. Eu descobri que no vale a pena mentir para o Paul. Ele tem uma incrvel capacidade 
de descobrir a verdade por ele mesmo.

  Mas  claro que isso no significa que o que eu contei ao Paul era toda a verdade. Eu simplesmente no acho necessrio contar tudo quando o Paul esta envolvido. 
Parece mais seguro assim.

  E definitivamente parecia mais seguro no contar ao Paul que o padre D. estaria em So Francisco sem data certa para voltar.

  -Voc no est ainda aborrecida por causa daquilo, est? - Paul perguntou - A mulher Gutierrez quero dizer? O dinheiro vai para um bom uso, voc sabe.

  -Ah, claro que eu sei. - eu disse. - Jantar no Cliffside Inn tem que acontecer, um prato l custa uns 100 dlares, no ? E eu presumo que voc vai alugar uma 
limusine.

  Paul sorriu para mim devagar dos travesseiros em q ele estava encostado.

  -A Kelly te contou? - ele perguntou - J?
 
  -Na primeira chance que ela teve. - eu disse.

  -Ela no demorou muito.- ele disse.

  -Quando voc a convidou? Noite passada?

  -Isso mesmo.

  -Ento umas 12 horas - eu disse -Nada mal, se voc considerar que durante umas 8 horas ela provavelmente estava dormindo.

  -Ah, mais eu duvido - Paul disse - Essa  a hora que eles fazem o melhor trabalho. Sucumbidas eu quero dizer. Eu aposto que a Kelly s precisa de uma ou duas horas 
de sono por noite.
  
  -Romntico. - Eu virei uma pgina do livro velho e empoeirado que estava entre a gente na cama do Paul. - Chamando a sua companhia para o baile formas de sucumbida.

  -Ela pelo menos quer ir comigo. - Paul disse, seu rosto sem nenhuma expresso - com exceo de um humor negro que ia surgindo enquanto ele dizia -Uma mudana refrescante, 
eu preciso dizer, do estado usual das coisas por aqui.

  -Voc me ouviu reclamando? - eu perguntei virando outra pgina. Eu me orgulhei de estar mantendo uma atitude extremamente indiferente sobre a coisa toda. Por dentro, 
 claro, era uma historia toda diferente. Porque por dentro, eu estava gritando, O QUE  QUE EST ACONTECENDO? PORQUE  QUE VOC CONVIDOU A KELLY E NO EU? 
  
  No que eu ligasse para esse baile estpido, mas qual  o jogo que voc acha que est jogando agora Paul Slater?
Era incrvel como nada disso tinha aparecido. Pelo menos era o que eu achava.

   - s que eu teria apreciado um adiantamento nos planos, j que voc saiu do planejamento da agenda - foi o que eu disse em voz alta. - Pelo pouco que voc sabia, 
eu poderia j ter gastado uma fortuna em um vestido.
Um canto da boca de Paul subiu em um meio sorrisinho.

  - Voc no comprou. - Paul disse - E nem ia comprar tambm.

  Eu olhei para longe. Era difcil encontrar o olhar de Paul s vezes, era to penetrante to...
Azul.

  Uma mo forte e firme ficou em cima da minha, prendendo meus dedos na pgina que eu estava prestes a virar.
  
  - essa a pgina.- Paul no parece ter o mesmo problema em olhar nos meus olhos (provavelmente porque os meus so verdes e to penetrantes como uma alga) como 
eu tenho olhando prea os dele. Seu olhar no meu rosto era totalmente inflexvel -Leia isso.
  
Eu olhei para baixo. O livro que Paul tinha pegado para essa "lio de mediador" era to velho que as pginas tinham uma tendncia de desmanchar nos meus dedos quando 
eu as virava. Esse livro deveria estar em um museu, no no quarto de um garoto de 17 anos.
  
  Mas foi exatamente onde terminou, sacado, embora eu duvido que Paul sabia que eu estava ciente disto, da coleo de seu av. O Livro da Morte era seu ttulo.
E o ttulo no era o nico lembrete que todas as coisas tinham uma data de fim.Cheirava como se um rato ou alguma criatura pequena tivesse batido entre as pginas 
em algum tempo do no-to-distante passado, deixado para se decompor vagarosamente l.

  -Se a traduo de 1924 for para se acreditar - Eu li em voz alta, feliz que ela no estivesse tremendo como meu dedos estavam - o jeito que eles sempre tremiam 
quando Paul me tocava - A habilidade dos deslocadores no somente incluem comunicao com os mortos e se teletransportar entre o mundo deles e o nosso, mas a habilidade 
de viajar ao longo da quarta dimenso tambm.

  Eu vou admitir, no li com muita emoo. No era exatamente um barril de risadas, ir para a escola todo dia, e depois ir para as aulas de mediao. Eu admito, 
era s uma vez por semana, mas era mais do que suficiente, acredite em mim. A casa de Paul no perdeu sua esterilidade nos meses que eu passei a ir para l. No mnimo, 
o lugar parecia mais assustador do que nunca...
... e tambm o av de Paul, que continuava a viver como ele descreveu, em suas prprias palavras, uma "meia-vida" , em um quarto abaixo do hall de Paul. Aquela meia 
vida parecia feita ao redor do relgio dos enfermeiros, empregados para ver a dor do velho homem, e incessantemente vendo o Game Show Network.

  No era nenhum milagre, realmente, que Paul evitava Sr. Slater ou Dr. Slaski, como o prprio doutor tinha me confidenciado seu real nome - como uma praga. Seu 
av no era exatamente uma companhia genial, mesmo quando ele no estava fingindo ser um louco devido aos seus remdios.
  
  Apesar da minha performance mais-que-inspirada, no entanto, ele soltou minha mo e se inclinou mais uma vez, parecendo extremamente satisfeito consigo mesmo. 
  
  Bem? - outra arqueada de sua sobrancelha. 

  -Bem, o que? - Eu sacudi a pgina, e vi somente uma reproduo do hierglifo que eles estavam falando.

  O meio sorriso que Paul havia dado desapareceu. Seu rosto possua tanta expresso quanto  parede atrs dele.

  - assim que voc vai jogar, brincar, apostar talvez (no entendi essa frase direito) -ele disse.
Eu no tinha a menor idia do que ele estava falando. 
  
  -Jogar o que? - eu perguntei.
  
   -Eu poderia fazer isso Suze - ele disse - No pode ser difcil de descobrir. E quando eu fizer... Bem, voc no poder me acusar de no seguir nosso acordo.

  -Qual acordo?

  Ele deslocou sua mandbula.

  -De no matar seu namorado - ele disse sem tom.

  Eu somente o encarei, genuinamente surpresa. Eu no fazia idia de onde isto tinha vindo. Ns estvamos tendo uma satisfatria - ok, no satisfatria mas normal 
- tarde, e de repente ele estava ameaando matar meu namorado... ou no mat-lo, na verdade.
O que estava acontecendo?

  -O que voc est falando? -Eu gaguejei -O que isso tem a ver com Jesse? Isso ... isso  por causa do baile? Paul... se voc tivesse me convidado, eu iria com 
voc. Eu no sei porque voc a convidou sem nem menos...

  O mesmo meio sorriso voltou, mas dessa vez, Paul realmente se inclinou para frente e fechou o livro. Poeira voou das antigas pginas, praticamente no meu rosto, 
mas eu no reclamei. Em vez disso, eu esperei, o corao na minha garganta, para ele responder.
  
  Eu estava destinada ao desapontamento porque, tudo que ele disse foi: 
  
  -No se preocupe - Depois rolou sua pernas pela cama e ficou em p - esta com fome?

  -Paul.- Eu o segui, meus Stuart Weitzman estalando alto no cho de madeira. -O que  que est acontecendo?

  -O que te faz pensar que tem alguma coisa acontecendo? - ele perguntou em quando ia pelo longo corredor ensolarado.

  -Ah meus deus...Eu no sei... - eu disse, com medo de ter parecido vespinha - Aquela ameaa que voc falou na outra noite sobre o jesse. E me deixando fora da 
jogada para o baile de inverno. E agora isso. Voc est armando alguma.

  -Eu estou? - Paul olhou para mim enquanto ele descia a escada em espiral para a cozinha - Voc realmente acha isso?"

  -! - eu disse. -S que ainda no descobri o qu!

  -Voc faz alguma idia com o que voc pareceu estar agora mesmo? -Paul perguntou enquanto abria a geladeira subzero e olhava apara dentro.

  No - eu disse - Com o que?

  -Uma namorada ciumenta!

  Eu quase engasguei. 
  
  -E como vo as coisas no seu mundo da fantasia?

  Ele achou uma lata de coca e abriu.

  -Boa essa - ele disse se referindo ao que eu tinha acabado de falar. -verdade cara. Eu realmente gostei. Acho que eu ate mesmo vou usa-la um dia.

  -Paul. -Eu fiquei parada olhando para ele, minha garganta seca, meu corao dando pulos no meu peito. -O que  que voc est tramando? Srio?
  
  -Srio? - Ele tomou um grande gole do refrigerante. Eu no pude deixar de observar o quanto sua garganta era bronzeada quando ele engolia. 
  - Eu s estou cumprindo minhas apostas.

  -O que isso significa?

  -Isso significa - ele disse, fechando a porta da geladeira e inclinando suas costas contra ela - Que eu estou comeando a gostar daqui. 
  Estranho, mas  verdade. Eu nunca me imaginei como o tipo capito-do-time-de-tnis. Deus sabe, na minha ltima escola - ele tomou outro longo gole do refrigerante 
- Bem, eu no vou me aprofundar nisso. A verdade , eu estou comeando a gostar desses negcios da escola. Eu quero ir ao Baile Formal de Inverno. A verdade , eu 
imaginei que voc no queria ficar perto de mim por um tempo, depois de....bem, depois do que eu planejo fazer.

  Ele j tinha fechado a porta da geladeira, ento o arrepio que eu senti por toda a minha espinha no poderia ser causado por ela. Ele deve ter me visto tremer, 
j que ele deu um sorriso lardo. 
  
  -No se preocupe Suzie. Voc vai me perdoar eventualmente. Voc vai perceber, na hora certa, que isso  par o bem...

  no conseguiu terminar. Porque eu avancei para a frente e arremessei a lata de Coca fora de sua mo. Ela pousou ruidosamente no ao inoxidvel da pia. Paul olhou 
para seus dedos vazios com alguma surpresa, como se no conseguisse descobrir onde sua bebida tinha ido.

  -Eu no sei o que voc est planejando, mas vou deixar uma coisa bem clara. Se alguma coisa acontecer a ele, eu sibilei, no muito mais alto que o rudo da lata 
na pia, mas com um pouco mais de fora. - Qualquer coisa, eu vou fazer voc se arrepender de ter nascido. Entendeu?
A surpresa na sua face se tornou em um sorriso de desgosto.

  -Isso no foi parte do nosso acordo. 
  
  Tudo que eu disse foi que eu no.

  -Qualquer coisa - Eu disse - E no me chame de Suzie.

  Meu corao estava batendo to alto no meu peito que eu no sei como ele no conseguiu ouvir - como ele no conseguiu ver que eu estava mais aterrorizada do que 
com raiva...
  
  Ou talvez ele viu, j que seus lbios relaxaram em um sorriso - o mesmo sorriso que fazia metade das garotas da escola se apaixonar perdidamente por ele.

  -No se preocupe Suze - ele disse. - Meus planos para Jesse? Vamos dizer que eles so bem mais humanos do que o que voc planeja para mim.

  -Eu

  Paul apenas sacudiu sua cabea.
  
  -No me insulte fingindo que voc no sabe do que eu estou falando.

  Eu no precisava fingir. Eu no tinha a menor idia do que ele estava falando. Eu no tive chances de contar isso pra ele, porm, porque naquele momento, uma porta 
lateral se abriu e ns ouvimos algum chamando:
  
  -Oi?

  Era do Dr. Slaski, junto com seu enfermeiro, de volta das inacabveis consultas com mdicos. O enfermeiro era aquele que tinha dito o cumprimento. Dr. Slaski - 
ou Slater, como Paul se referia a ele - nunca disse oi. Pelo menos, no quando todo mundo menos eu estava por perto.

  -Ei - Paul disse, indo para a sala de estar e olhando para a cadeira de rodas do av. - Como foi?

  -Bem - o enfermeiro disse com um sorriso. - No foi Sr. Slater?

  O av de Paul no disse nada. Sua cabea estava curvada sobre seu peito, como se ele estivesse dormindo.
Exceto que ele no estava. Ele estava dormindo tanto quanto eu. Dentro da surrada e frgil aparncia, havia uma mente crepitando de inteligncia e vitalidade. O 
porqu de ele ter escolhido esconder este fato, eu ainda no entendi. H muitas coisas sobre os Slaters que eu no entendo.

  -Sua amiga vai ficar para jantar Paul? - O enfermeiro perguntou agradavelmente.

  -Sim - Paul disse no mesmo momento em que eu falei - No.

  -Voc sabe que eu no posso.

  Isto, pelo menos, era verdade. O jantar  muito importante para a minha famlia. Perca um jantar do meu padrasto e voc no saber como terminar.

  -Ta bom - Paul disse atravs dos seus dentes que estavam obviamente rangidos.

  Eu no protestei. Estava mais do que pronta para ir.
  
  Nossa volta pra casa deveria ter sido muito mais agradvel do que foi. Quero dizer, Carmel  um dos lugares mais bonitos no mundo, e a casa do avo do Paul fica 
bem na beira do oceano. O sol estava se pondo, parecendo tornar o cu uma mistura de cores, eu podia ouvir a ondas batendo ritmicamente nas pedras abaixo. E Paul, 
que nem era nem um pouco difcil de se olhar, no dirige nenhum carro velho, mas sim, uma BMW prata e conversvel, e acontece que eu sei que eu pareo extremamente 
bem nela, com meu cabelo escuro, pele clara, e timo gosto para sapatos.

  Mas voc poderia ter cortado a teno no carro com uma faca, nada menos. Nos fomos em silencio mrbido at quando Paul finalmente parou em frente  n 99 pine 
crest drive, a imponvel casa vitoriana em Carmel que minha me e meu padrasto tinham comprado a mais de um ano, mas que ainda no tinham acabado de arrumar. Mas 
vendo que tinha sido construda no sculo 19, e no no sculo 20, ela precisava de muita arrumao...

  Mas nem toda a luz do mundo poderia se livrar do passado violento da casa, em fato, somente h alguns meses atrs, eles tinham desenterrado o esqueleto do meu 
namorado do jardim. Eu ainda no conseguia pisar no deck sem me sentir enjoada.
Eu estava prestes a sair do carro sem uma palavra quando Paul se levantou e colocou uma mo no meu brao.

  -Suze - ele disse, e quando eu virei minha cabea para olhar para ele, eu vi que seus olhos azuis pareciam cheios de problemas. - Oua. O que voc acha de uma 
trgua?

  Eu pisquei com isso. Ele tava brincando ? Ele tinha ameaado apagar meu namorado, roubado de pessoas que ele tinha sido pedido para ajudar, e no tinha me convidado 
para o baile, me humilhado na frente da garota mais popular do colgio no processo. E agora ele queria beijar e fazer as pazes?

  -Esquea! - eu disse enquanto levantava nas minhas botas.
  
  -Vamos l Suze! - ele disse, me filmando com aquele olhar de fazer o corao derreter. - Voc sabe que eu no ofereo nenhum mal. Bem basicamente. Alem disso, 
o que  que eu poderia fazer com o seu garoto Jesse? Ele tem o padre D. para proteg-lo, no?

  No realmente. No agora pelo menos. Mas Paul no sabia daquilo. Ainda!
  
-Me desculpa pelo negocio com a Kelly. - Ele disse. -Mas voc no queria ir comigo. Voc no pode me culpar por querer ir com algum que...Bem realmente gosta de 
mim?
  
Talvez fosse o sorriso. Talvez fosse o jeito com que ele piscou aqueles bebs azuis. Eu no sbia o que era, mas de repente, eu me encontrei amolecendo para ele.

  -Mas e os Gutierrez? - eu perguntei. - Voc vai devolver o dinheiro?

  -Hum.- Paul disse. Bem, no. Eu no posso fazer isso.

  -Paul voc pode. Eu no conto pra ningum, eu juro...

  - No  isso. Eu no posso devolver porque...Eu...Preciso dele.
   -Para o que?

  Paul se encolheu. Voc vai descobrir.

  Eu abri a porta do carro e sai, meus saltos afundando nas folhas de pinheiro na grama.
-Adeus, Paul. -Eu disse enquanto batia a porta atrs de mim, no deixando ele falar seu:
  
  -No suze, espera!

  Eu me virei e fui em direo da casa. Meu padrasto, Andy, tinha posto fogo em uma das vrias lareiras da casa. O cheiro rico da madeira queimando encheu o cheiro 
frio da noite, misturado com a essncia de alguma outra coisa...

  Pimenta. Era a noite do frango tandoori. Como eu podia ter esquecido?
Atrs de mim eu ouvi Paul virar o carro e voltar para a via expressa. Eu no olhei para trs. Eu subi as escadas da porta da frente, pisando nos quadrados de luz
que saiam pelas janelas abertas da sala. Eu abri a porta falando:

  -Estou em casa!

  Mas a verdade  que eu no estava, exatamente. Porque agora casa quer dizer uma coisa diferente para mim, e tinha sido uma casa por pouco tempo.

  Mas ele no morava mais l.
  
  Captulo 4

  A mo cheia de pedrinhas que eu tinha jogado bateu com barulho contra a pesada janela de vidro. Eu olhei em volta, preocupada com que algum tivesse ouvido. Mas
o pior era, eles ouvirem pequenas pedras batendo na janela do que eu chamando o nome de algum que nem deveria estar vivendo l...

  Algum que, tecnicamente falando, no estava vivendo de jeito nenhum.
Ele apareceu quase na mesma hora, mas no na janela, e sim do meu lado. Essa  a coisa sobre os fantasmas, eles nunca tm que se preocupar com as escadas ou as paredes.

  -Suzannah. - Na luz da lua deu para ver perfeitamente o rosto do Jesse. Tinham piscinas negras no lugar em que seus olhos deveriam estar, e a cicatriz na sua sobrancelha 
- uma mordida de cachorro de sua infncia - pareceu extremamente branca.

  Mesmos com as gracinhas da luz da lua, ele era a coisa mais bonita que eu j tinha visto na vida. Eu no acho que  o fato que eu estou malucamente apaixonada 
por ele que me faz pensar assim. Eu tinha mostrado acidentalmente o quadrinho dele, que eu tinha sem querer, mas querendo, furtado a sociedade histrica de Carmel, 
para a Cee Cee, e ela concordou. Extraordinria gostosura foi exatamente o que ela disse.

  -Voc no precisa se preocupar com isso. - Ele disse, alcanando minha mo para tirar as pedrinhas que ainda tinham sobrado. - Eu sabia que voc estava aqui, eu 
ouvi voc chamando.

  Exceto claro, que eu no tinha chamado ele. Mas de qualquer jeito. Ele estava aqui agora e era isso que importava.

  -O que est acontecendo Suzannah? - Jesse queria saber. Ele tinha sado da sombra da reitoria, e assim eu podia finalmente ver seus olhos. Como sempre eles eram 
buracos negros e cheios de inteligncia... inteligncia e alguma outra coisa. Alguma outra coisa que eu gosto de pesar  s para mim.

  -Eu s dei uma passadinha para dizer oi. - Eu disse com um murmrio. Estava frio o suficiente que quando eu falei, vi a fumaa subir na minha frente.
Isso no aconteceu quando o Jesse falou... porque  claro ele no tinha respirao.
  
  -As trs da manh? - as sobrancelhas escuras se levantaram, mas ele parecia mais divertido do que alarmado - Numa noite de escola?

  Ele me tinha onde queria,  claro.

  -O padre D. me pediu para por um pouco de comida de gato - Eu disse mostrando a minha bolsa. - Eu no queria que a irm Ernestina me visse dando comida para o 
Spike. Ela no deveria saber sobre ele.

  -Comida de gato? - Jesse disse. Agora ele definitivamente parecia divertido. - Isso  tudo?

  Isso no era tudo e ele sabia. Mas tambm no era o que ele pensava. 
  
  Pelo menos no exatamente.

  Mas, quando ele me puxou para ele eu no reclamei. Especialmente considerando que tem apenas um lugar no mundo em que eu me sinto completamente segura, e era exatamente 
onde eu estava...Em seus braos.

  -Voc est com frio hermosa - ele sussurrou contra meu cabelo. -Voc est tremendo.

  Eu estava tremendo, mas no porque eu estava com frio. Bem, no s por causa do frio. Eu fechei meus olhos, derretendo em seu abrao como eu sempre fao, sentindo 
seus braos fortes em volta de mim, seu peito forte na minha bochecha. Eu desejei poder ficar daquele jeito para sempre - nos braos do jesse, onde nada nunca poderia 
me machucar. 
  
  Porque ele nunca deixaria.

  Eu no sei por quanto tempo a gente ficou daquele jeito, no jardim de vegetais da reitoria onde o padre D. morava. Tudo que eu sei  que eventualmente Jesse, que 
tinha estado acariciando meu cabelo, se afastou um pouquinho para que pudesse olhar para o meu rosto.

  -O que est acontecendo Suzannah? - ele me perguntou de novo, sua voz parecendo estranhamente rude, considerando o carinho do momento. -O que  que est acontecendo 
de errado?

  -Nada - eu menti, porque eu no queria que acabasse... A luz da lua, seu abrao, nada disso, tudo isso.

  -No  nada? - Ele disse, tirando um pouco do meu cabelo que o vento tinha soprado e que estava grudando no meu gloss. Eu pareo sempre ter esse problema. - Eu 
te conheo Suzannah. Eu sei que tem alguma coisa te incomodando. Venha.
  
  Ele me pegou pela mo e me puxou. Eu fui com ele, mesmo sem saber onde ele estava me levando. Eu o teria seguido para qualquer lugar, at as profundezas do inferno. 
S,  claro, ele nunca me levaria l.

  Diferente de certas pessoas.

  Eu bem que dei uma paradinha quando eu vi para onde ele estava me levando. No era exatamente o inferno mas...

  O carro? - eu fiquei parada olhando para o Honda Accord da minha me.
  
  -Voc est com frio. Jesse falou firmemente, abrindo a porta do motorista para mim. - Ns podemos conversar ai dentro.

  Conversar no era exatamente o que eu tinha em mente. Mas eu percebi que a gente poderia fazer o que eu tinha em mente to fcil no carro, como no jardim de vegetais 
da reitoria, s que seria bem mais quente.

  S que o Jesse no tinha tido a mesma idia. Ele segurou minhas duas mos quando eu tentei coloc-las em volta de seu pescoo, e as colocou firmemente no meu colo.

  -Me diz. - Ele disse da sombra do assento do passageiro, e eu podia dizer pela sua voz que ele no estava de humor para jogos.

  Eu parei e olhei para fora da janela. Na matria de romance, isso no era exatamente o que eu chamaria de uma seo agarra-agarra das melhores. Big sur talvez. 
O baile de inverno seria perfeito. Mas o estacionamento da reitoria da academia da Misso Junipero Serra? No tanto assim!

   -O que  que est acontecendo, hermosa? - ele tirou mais um pouco do meu cabelo que tinha cado no meu rosto.
Quando ele viu minha expresso, ele tirou sua mo de volta.

  -Ah, ele. - Ele disse numa voz completamente diferente.

  Eu acho que eu no deveria ter ficado surpresa. Que ele tivesse sabido sem eu dizer nada. Tinha tanta coisa que eu no tinha contado a ele - tanta coisa que eu 
decidi que no ousaria contar ao Jesse. Meu acordo com o Paul, por exemplo: que em retorno do Paul no mandar o Jesse dessa para melhor, eu me encontraria com ele 
depois da escola toda quarta feira, debaixo da desculpa de aprender mais sobre nosso dom... Mas s que parecia que o que Paul mais queria fazer era conseguir por 
sua lngua dentro da minha boca, nada estudar sobre mediadores.
  
  O Jesse no teria ficado muito entusiasmado se ele soubesse dessas aulas. Menos que isso, se ele tivesse idia do que realmente ocorre nessas... No existe nenhum 
amor entre Jesse e Paul, a relao deles tem sido turbulenta desde o comeo. Paul se achava superior ao Jesse meramente porque ele estava vivo e o Jesse no, enquanto 
Jesse no gostava de Paul por ele ter nascido com todos os privilgios do mundo - incluindo a habilidade de se comunicar com os mortos - e mesmo assim decidiu usar 
seus poderes para um nico fim egosta.
Mas  claro que esse desdm um pelo outro talvez tenha tido alguma coisa a ver comigo.

  De volta quando Jesse tinha acabado de entrar na minha vida, eu ficava imaginando como seria legal ter dois caras brigando por mim. Mas agora que isso est realmente 
acontecendo, eu descobri a boba que eu tinha sido. No tem nada de divertido o castigo que eu peguei por causa da ultima vez que os dois se encontraram, destruindo 
metade da minha casa. E aquela briga nem tinha sido por minha causa. No tanto assim.

   - s que. - eu disse, cuidadosa para no encontrar seu olhar, porque eu sabia que se encontrasse aqueles olhos negros e profundos, eu estaria perdida, como sempre. 
- Paul tem sido pior que o normal.

  -Pior? - o olhar que o Jesse me lanou era afiado como uma navalha. -Pior de que jeito? Suzannah, se ele encostou uma mo em voc...

  -No assim. - Eu interrompi bem rpido, percebendo que o discurso que eu tinha ficado at tarde ensaiando - o discurso que eu tinha me convencido que estava to 
perfeito, que eu tinha que ir direto para a reitoria dizer na mesma hora, mesmo sabendo que estava no meio da noite e que eu teria que "pegar emprestado" o carro 
da minha me para chegar at l - no era nem um pouco perfeito... Na verdade, era completamente errado. O que eu quis dizer  que, ultimamente, ele tem ameaado... 
bem, fazer alguma coisa, eu realmente no entendo, com voc.

  Jesse pareceu divertido. O que realmente no era a reao que eu tinha esperado.
  
  -Ento voc veio correndo aqui. - Ele disse. -No meio da noite para me avisar? Suzannah, eu estou tocado.

  -Jesse eu to falando srio. - Eu disse. Eu acho que o Paul ta armando alguma. Lembra-se da senhora Gutierrez?

  - claro. - Jesse tinha traduzido a mensagem da mulher morta para mim porque meu espanhol  confinado apenas ao taco e a hermosa  claro. - O que tem ela?

  Rapidamente, eu contei a ele sobre ter encontrado o Paul no pomar da Sra. Gutierrez. S que eu no dei nfase  parte em que Paul pegou o dinheiro antes mesmo 
q eu pusesse minhas mos nele, a raiva de Jesse era bvia. Eu vi seus olhos endurecerem e ele disse alguma coisa em espanhol que eu no pude entender, mas eu acredito 
que no era um elogio ao espanhol de Paul.

  -Padre D. vai tomar conta disso. - Eu me apressei em dizer a ele, caso ele estivesse cultivando alguma idia de fazer alguma coisa extrema com Paul, mesmo eu j 
tendo falado para ele que seria burrice ao extremo. Eu no contei que o padre D. sabia do roubo de Paul...S que os Gutierrez precisavam de ajuda. Eu sei o que o 
Jesse falaria se soubesse que eu deixei o padre D. no escuro sobre a ltima transgresso de Paul.

  Eu tambm sabia o que Paul iria fazer se descobrisse que eu o tinha dedurado.

  -Mas no  com isso que eu estou preocupada. - Eu disse rapidamente. - com uma coisa que Paul disse quando eu... Quando eu tentei pegar o dinheiro de volta. - 
S que eu achei melhor deixar de fora a parte em que eu fiquei vidrada na beleza de Paul e tambm o que Paul tinha dito antes naquele dia, que seus planos para o 
jesse eram muito mais humanos do que os meus para com ele. Porque agora eu sentia que sabia o que ele tinha querido dizer com aquilo. Mas pensando, ele no poderia 
ter estado mais errado. - Era alguma coisa sobre voc e o que ele ia fazer com voc, no te matar...

  -Isso...-Jesse interrompeu secamente. -Seria difcil hermosa, sendo que eu j estou morto.

  Eu olhei para ele. 
  
  -Voc sabe o que eu quis dizer. Ele disse que no ia te matar. Que ele ia... Eu acho que ele disse que ia impedir q voc tivesse morrido em primeiro lugar.
  
  Mesmo no interior escuro do carro eu vi as sobrancelhas do Jesse irem para cima.

  -Aquele l acha que suas habilidades so to grandes assim.- Foi tudo o que ele disse.

  -Jesse. - Eu disse. Eu no podia acreditar que ele no estava levando a ameaa de Paul a srio. -Ele realmente quis dizer isso, ele j me disse isso algumas vezes. 
Eu realmente acho que ele est tramando alguma coisa.

  -Slater vai estar sempre tramando alguma quando voc est no meio Suzannah. - Jesse disse, numa voz que sugeria que ele estava mais do que cansado desse assunto. 
- Ele est apaixonado por voc. Ignore-o e eventualmente ele vai embora.

  -Jesse.- Eu disse. Mas eu no podia dizer,  claro, que no teria nada que eu gostaria mais do que dar as minhas costas ao Paul e seus jeitos manipulativos, mas 
s que eu no podia porque eu tinha prometido que no daria as costas... Em troca da vida do Jesse. Ou pelo menos que ele continuasse nessa dimenso. - Eu realmente 
acho...

  -Ignore-o Suzannah. - Jesse estava sorrindo um pouquinho agora enquanto balanava a cabea. - Ele s diz essas coisas porque sabe que elas te aborrecem, e ai voc 
presta ateno nele oh, Paul! No Paul, no Paul!

  Eu olhei para ele em horror. 
  
  -Isso era para ser uma imitao minha?

  -No o deixe feliz prestando ateno nele - Jesse continuou como se nem tivesse me ouvido - Ai ele vai se cansar e te deixar em paz.

  -Eu no pareo nem um pouco com isso - eu mordi meu lbio inferior com incerteza. - Eu realmente pareo com isso?

  -E agora, se isso  tudo. - Jesse continuou, me ignorando do mesmo jeito que ele tinha me mandado ignorar o Paul. -Eu acho que voc deveria ir para casa, hermosa. 
Se a sua me descobrir que voc saiu, voc sabe que ela vai ficar preocupada. Alm disso, voc no tem escola daqui a algumas horas?

  -Mas...

  -Hermosa.- Jesse se aproximou e colocou uma mo na parte de trs do meu pescoo. - Voc se preocupa demais!

  -Jesse eu...
  
  Mas eu no consegui terminar o que eu tinha comeado a falar - nem um segundo depois eu podia me lembrar o que eu pretendia falar para ele. Isso porque ele tinha 
me puxado - gentilmente, mas com fora - para junto dele, e tinha coberto minha boca com a dele.

   claro que quando os lbios do Jesse esto sobre os meus fica impossvel de pensar em alguma outra coisa do que o modo como aqueles lbios me fazem sentir... 
O que  deliciosamente bem. Eu no tenho tanta experincia assim no departamento de beijo, mas at eu sei que o que acontece comigo quando o Jesse me beija ...Bem 
extraordinrio.

  E no s porque ele  um fantasma. Tudo que os caras tem que fazer  encostar seus lbios no meu para parecer que tem uma marcha de quatro de Julho descendo a 
minha garganta, at ficar to quente que eu no agente mais aquela chama branca. A nica coisa que faz parecer aquele calor aumentar  me pressionar com mais fora 
contra ele...

  Mas isso, com certeza, s faz as coisas piorarem, porque ai o Jesse - que geralmente parece ter um fogo prprio queimando em algum lugar - acaba me tocando em 
algum lugar, como embaixo da minha blusa, onde,  claro, eu quero ser tocada, mas onde ele acha que seus dedos no tem nada para fazer. Ai os beijos acabam e o Jesse 
pede desculpas por me insultar, s que insultada  a ultima coisa que eu me sinto, coisa que eu fiz o mais claro possvel para ele, mas sem parecerem uma piranha.

  Mas  isso que eu ganho por me apaixonar por um cara que nasceu quando os homens ainda tratavam as mulheres como se elas fossem bonequinhas frgeis de porcelana 
e no de carne e osso. Eu j tentei explicar para ele que as coisas so diferentes agora, mas ele continua teimoso em acreditar que tudo do pescoo para baixo  
fora dos limites at a lua de mel.
Exceto  claro, quando a gente est se beijando, como agora, e acontece dele esquecer, no calor do momento, que ele  um cavalheiro do sculo 19.
  
  Eu senti a sua mo correndo pela costura dos meus jeans enquanto a gente se beijava. Nossas lnguas juntas, e eu sabia que era s uma questo de tempo at que 
aquela mo entrasse debaixo da minha blusa a subisse at o meu suti. Eu pensei uma prece de agradecimento que eu estava usando um suti com fecho na frente. Ento 
meus olhos se fecharam, eu fiz uma pequena explorao por conta prpria, correndo as palmas das minhas mos pela parede de msculos que eu podia sentir atravs da 
gola de sua blusa...
...At que os dedos do jesse, em vez de entrarem no meu suti tamanha 44, alcanaram as minhas mos em um aperto de ferro.

  -Suzannah - ele estava respirando forte e a palavra saiu meio forada enquanto ele apoiava sua testa na minha.

  -Jesse.- Eu tambm no estava respirando muito coordenadamente.

  -Eu acho que voc deveria ir embora agora.

  Era incrvel como eu sabia que ele ia dizer isso!
Ocorreu-me que a gente seria capaz de fazer isso - se beijar assim, - bem mais freqentemente e mais convencionalmente se o Jesse desistisse dessa idia absurda 
de que ele tem que ficar morando com o padre D., no que ns sejamos, por falta de uma palavra melhor, uma noticia. Afinal ele tinha sido assassinado era no meu 
quarto h muito tempo atrs. Ele no deveria continuar a assombrar o meu quarto?
Eu no coloquei isso nesses termos, porque eu conhecia o Jesse, que  um cara a moda antiga, ele no exatamente aprova casais morando juntos antes dos laos do casamento. 
Eu tambm coloquei em minha mente o aviso que o padre D. tinha me dado antes de partir para So Francisco, sobre no cair em tentao onde o Jesse estava envolvido. 
Isso  muito fcil para o padre D. falar, ele  um padre. Ele no faz a menor idia do que  ser uma mediadora adolescente de sangue quente. Da variedade feminina.
  
  -Jesse - eu disse, ainda com a respirao um pouco fraca, de toda a beijao, - Eu no consigo parar de pensar... Bem, esse negcio do Paul. Quero dizer, quem 
sabe se ele realmente descobriu um jeito novo de...de... nos manter separados? E agora com o padre D. fora por Deus sabe quanto tempo, eu...Bem, voc no acha que 
seria melhor voc voltar para a minha casa por um tempo?

  Jesse, mesmo sabendo que quase tinha posto sua mo embaixo da minha blusa, no gostou nem um pouco da idia. 
  
  -E ai, voc pode me proteger do nefasto senhor Slater? - era minha imaginao ou ele parecia mais divertido do que provocado? 
  
  -Obrigado pelo convite, hermosa, mas eu posso me cuidar sozinho.

  -Mas e se o Paul descobrir que o padre D. est fora, ele pode decidir vir atrs de voc. E se eu no estiver por perto para impedi-lo...

  -Isso pode ser uma grande surpresa para voc Suzannah - Jesse disse, levantando sua cabea e colocando minhas mos mais uma vez no meu colo - Mas eu posso dar 
conta do Slater sem sua ajuda.

  Agora ele realmente pareceu divertido.

  -E agora voc vai para casa.- Ele continuou. - Boa noite, hermosa.

  Ele me beijou uma ultima vez, um beijinho de despedida. Eu sabia que a qualquer segundo ele desapareceria.

  Mas ainda tinha uma outra coisa que eu precisava saber. Eu teria perguntado ao padre D., mas como ele no estava por perto...

  -Espera - eu disse. - Antes que voc v...Uma ltima coisa.

  Jesse j tinha comeado a desaparecer. 
  
  -O que hermosa?

  -A quarta dimenso - eu falei de uma vez.

  Ele tinha comeado a desmaterializar, mas agora ele estava slido de novo.

  - O que tem isso? - ele perguntou.

  -Hum, - eu disse. Eu tinha certeza que ele achou que eu estava perguntando s para mate-lo l por mais alguns preciosos segundos. E de verdade? Eu provavelmente 
estava. - O que  isso?

  -Tempo.- Jesse disse.
  
  -Tempo? - e ecoei - E isso? S...tempo?

  -Sim - Jesse disse - Tempo. Porque voc perguntou? Para escola?

  -Claro.- Eu disse. Para escola.

  -As coisas que eles ensinam agora - ele disse balanando a cabea.

  -Comida de gato - eu disse segurando a bolsa - No se esquea.

  Por isso que a gente no consegue fazer isso, passar para a segunda fase.
Ele pegou a bolsa da minha mo.

  -Boa noite, querida - ele disse.

  E ai ele foi embora. O nico sinal de que ele tinha estado l eram as janelas embaadas pela nossa respirao.
Ou melhor, pela minha respirao.
  
  
  
  
  Captulo 5

  Sr. Walden pegou um punhado de Scantron (uma empresa americana que fornece testes e as mquinas que do suas notas) e disse:

  -Somente lpis nmero 2, por favor.

  A mo de Kelly Prescott subiu imediatamente no ar.

  -Sr. Walden, isso  um abuso. - Kelly leva seu papel de presidente da classe extremamente srio...especialmente quando h alguma coisa a ver com horrio de dana. 
E, aparentemente, testes de aptido. - Ns temos que ser avisados pelo menos 24 horas antes do teste.

  - Relaxe, Prescott - Sr. Walden, nosso professor da sala de espera (ele os supervisiona nessa sala) e nosso conselheiro de classe comearam a passar os testes 
Scantron. -Eles so testes de aptido, no acadmicos. Suas notas no sero postas no seu registro permanente. Eles so para ajud-los. - ele pegou um dos testes 
em sua mesa e leu em voz alta - Determine quais carreiras so mais adequadas s suas habilidades pessoais /ou reas de interesse e/ ou sucesso. Entenderam? Somente 
respondam s questes.- Sr. Walden colocou uma pilha de gabaritos na minha mesa para passar para trs. - Agora vocs tm 50 minutos. E sem conversas.

  -Com o que voc gosta de trabalhar mais ao ar aberto? Ou em lugares fechados? - Eu ouvi meu meio-irmo Brad ler em voz alta do outro lado da sala. - Ei, ele est 
se sentindo muito drogado?

  -Seu perdedor - Kelly Prescott gargalhou.

  -Voc  uma "pessoa noturna" ou uma "pessoa diurna"? - Adam Mctavish pareceu bem chocado - Este teste  completamente contra narcolpticos.

  -Voc trabalha melhor: a) sozinho ou b) em grupo? - Minha melhor amiga, Cee Cee, mal conseguia conter seu desgosto. - Oh meu deus, isso  to estpido!

  -Qual a parte de no conversar - Sr Walden reclamou.- Vocs no entenderam?

  Mas ningum prestou ateno nele.

  -Isto  estpido - Adam declarou. - Como este teste vai dizer se eu sou ou no qualificado para uma carreira?

  -Mede sua aptido, idiota - Kelly pareceu enjoada.

  -A nica carreira que voc est qualificado a trabalhar  a janela do drive-throught do In-N-Out-Burguer.

  -Onde voc, Kelly, vai trabalhar fritando? - Paul disse secamente, fazendo o resto da classe rir...

  At Sr. Walden, que havia sentado atrs de sua mesa e estava tentando ler o ltimo exemplar de Surf Magazine, deu um berro. 
  
  -Vocs querem ficar depois da escola para terminar esses testes? 
  Porque eu ficarei feliz em manter vocs aqui, eu no tenho nada melhor para fazer. Agora fiquem quietos, todos vocs, e voltem ao trabalho.

  Aquilo teve um impacto significante nas conversinhas ao longo da classe.
Miseravelmente, eu preenchi as pequenas bolhas. Minha angstia no apenas diminuiu,  claro, pelo fato de deu no ter dormindo quase nada. Enquanto aquilo no ajudava 
exatamente, havia a mais urgente preocupao do que testes de aptido de carreira. Sim, eles no tinham muito para eu me inscrever. Meu destino j estava traado...J 
estava traado desde meu nascimento. Eu estou destinada a ser uma coisa quando eu crescer, e somente uma coisa. E qualquer outra carreira que eu escolher entrar 
no caminho da minha verdadeira vocao, que , claro, ajudar os mortos a encontrar seu destino final.

  Eu olhei de relance para Paul. Ele havia se inclinado sobre seu teste, preenchendo as bolhas de resposta com um pequeno sorriso. Eu imaginei o que ele estava colocando 
como reas de interesse. Eu no havia reparado em nenhuma opo sobre extorso. Ou roubos.
  
  Por que, eu imaginava, ele estava se preocupando? Isso no ia fazer nenhum bem  gente. Ns sempre seremos mediadores primeiro, apesar de qualquer carreira que 
escolhermos. Olhe para o Padre Dominic. Oh claro, ele resolveu deixar sua condio de mediador em segredo...Em segredo at da igreja, j que, como Padre Dominic 
falou, seu chefe  Deus, e Deus inventou os mediadores.

   claro, Padre D. no  apenas padre. Ele tambm j foi um professor anos e anos, ganhando alguns prmios at, at que foi promovido a diretor.
Mas  diferente para o Padre Dom. Ele realmente acredita que suas habilidades de ver e falar com mortos so presentes de Deus. Ele no v isso como realmente : 
uma maldio.

  Exceto...Exceto  claro, que sem isso, eu no poderia ver Jesse.
Jesse. As pequenas bolhas em branco na minha frente borraram conforme meus olhos se encheram de lgrimas.
timo. Agora eu estava chorando. Na escola.

  Mas como eu poderia ajudar? Aqui estava eu, meu futuro traado na minha frente...Se formar, faculdade, carreira. Bem, voc sabe, pseudocarreira, j que todos sabemos 
qual ir ser minha verdadeira carreira.
Mas e Jesse? Que futuro ele tinha?

  -O que h de errado com voc? - CeeCee sussurrou.

  Eu sequei meus olhos com uma luva da minha blusa Mil Miu. 
  
  - Nada - eu sussurrei de volta. - Alergias.

  CeeCee pareceu ctica, mas voltou ao seu teste.
Eu perguntei uma vez o que ele queria ser. Jesse, eu digo. Voc sabe, antes de ele morrer. Eu perguntei em que ele queria se formar, que carreira ele iria seguir,
mas ele no entendeu, nem eu. Quando eu finalmente expliquei, ele sorriu, mas de um jeito triste.
  
  - As coisas eram diferentes quando eu era vivo Susannah.- Ele disse. -Eu era o nico filho do meu pai. Era esperado que eu herdasse nosso rancho e trabalhasse 
para sustentar minha me e minhas irms quando meu pai morresse.

  Ele no adicionou que a parte do plano tambm inclua seu casamento com a garota cujo pai era dono da fazenda vizinha, ento sua terra viraria um s rancho. Ele 
tambm no mencionou o fato de ter sido esta garota que o matou, porque gostava de outro homem, um homem que o seu pai no aprovava. Porque eu j sabia de tudo isso.
As coisas eram difceis, eu acho, mesmo no ano de 1850.

  -OH! - Foi isso que eu respondi. Jesse no falou com nenhum rancor notvel, mas parecia como uma ferida para mim. Quer dizer, e se ele no quisesse ser um fazendeiro? 
- Bem, o que voc gostaria de ter sido? Voc sabe, se tivesse escolha?

  Jesse me olhou pensativo. 
  
  -Eu no sei. Era diferente Susannah. Eu era diferente. Eu penso...Algumas vezes...Que eu teria gostado de ser mdico.

  Um mdico. Fazia perfeito sentido, pelo menos para mim. Todas as vezes fiquei fraca em casa com vrias partes do meu corpo pulsando de dor - seja por veneno ou 
bolhas nos meus ps - Jesse estava ali para mim, seu toque macio como cashmere. Ele teria sido um grande mdico, na verdade.
  
  -E porque no? - Eu quis saber. -Porque voc no se tornou um mdico? S por causa do seu pai?

  
  -Sim, principalmente por isso. - Ele disse. - Eu nunca ousei dizer isso para algum. Eu mal podia sair do rancho por alguns dias, deixar sozinho os anos que a 
escola de medicina levaria. Mas eu gostaria disso, eu acho. Escola de medicina. Embora no quando eu estivesse vivo, - ele adicionou - As pessoas no sabiam tanto 
de medicina quanto elas sabem hoje. Teria sido mais excitante trabalhar nas cincias agora, eu acho.

  E ele sabia. Ele havia tido 150 anos para andar por a e ver como as invenes - eletricidade, automveis, avies, computadores... Para no mencionar a penicilina 
e as vacinas para doenas que no passado mataram milhes - mudaram o mundo em uma coisa irreconhecvel em comparao ao que era quando ele cresceu.

  Mas em vez de se agarrar ao passado teimosamente, como alguns teriam feito, Jesse havia continuado excitadamente, lendo qualquer coisa que chegasse s suas mos, 
desde livros de romance a enciclopdias. Ele disse que havia muito para acompanhar. Seus livros favoritos pareciam ser os grandes livros no fictcios que ele pegava 
emprestado do Padre Dom, todos de filosofia para exploradores ou vrus emergentes - o tipo de livro que eu daria para o meu pai no Dia dos Pais, se meu pai no tivesse, 
voc sabe, morto. Meu padrasto, por outro lado,  mais do tipo de livro de receitas.

  Mas voc entendeu. Para Jesse, isso  molhado e no  interessante, mas para mim  muito excitante. Talvez porque tudo isso se desenrolou na sua frente.
Com um suspiro, eu olhei para as centenas de opes de carreiras na minha frente. Jesse estava morto, mas at ele sabia o que ele queria ser...teria sido, se no 
tivesse morrido. Ou no teria sido, considerando o que ele tinha dito sobre as expectativas de seu pai.
E l estava eu, com todas as vantagens do mundo, e tudo que eu conseguia pensar em ser quando crescer era...
Bem, com Jesse.
  
  -Vinte minutos.- A voz do Sr. Walden ecoou pela sala invadindo meus pensamentos. Meu olhar estava fixo no mar, que ficava a menos de uma milha da Misso e dava 
direto para as janelas da sala de aula.
Eu no tinha crescido em torno do mar como meus colegas de classe. Era para mim uma fonte de maravilha e de interesse. Que eu comecei a ter com o fascnio de Jesse 
pela cincia moderna. E ao contrario de Jesse eu tinha algo a fazer. -Mais dez minutos - Sr. Walden disse outra vez. Interrompendo mais uma vez meus pensamentos.

  Mais dez minutos. Eu olhei para minha folha de respostas, que estava parcialmente vazia. Ao mesmo tempo vi Cee Cee me lanar um olhar ansioso a mim. Apontou para 
a folha. Comece a trabalhar, era o que seus olhos violetas diziam a mim.
Peguei meu lpis e comecei a preenchera folha. Eu no me importei com as respostas que escolhi. Porque sinceramente, eu no me importava com meu futuro. Sem Jesse, 
eu no teria futuro. Naturalmente, com ele, eu no tive nenhum futuro tampouco.

  O que ele ia fazer? Seguir-me na faculdade? No meu trabalho? Em meu primeiro apartamento? Sim. Isso que iria acontecer. Paul estava certo. Eu sou mesmo uma boba. 
Boba por ter cado de amor por um fantasma. Boba por pensar que ns teramos qualquer tipo de futuro juntos. Boba. 
  
  -O tempo acabou.- O Sr. Walden tirou os ps do alto de sua mesa. - coloquem seus lpis para baixo, por favor. Passem ento suas folhas de resposta para o colega 
da frente. - No era de se surpreender quando Paul chegou at mim e disse que o Sr. Walden nos tinha liberado para o almoo.
  
  -Aquilo foi sem uso nenhum. - Ele disse numa voz baixa, enquanto andvamos ate nossos armrios. - Quero dizer, temos nossas carreiras j escolhidas, no ?

  -Bem, voc no pode ganhar a vida fazendo o que ns fazemos - eu disse, ento me lembrei, tarde demais, que Paul parecia ter arranjado um jeito de ganhar a vida 
assim.

  -Uma vida honesta. - Eu emendei.

  Mas em vez de se sentir envergonhado do que ele tinha feito, como eu pretendi q ele se sentiria, ele apenas sorriu.

  - por isso que eu decido uma carreira na rea da justia, - ele disse. 
  
  -Seu pai era advogado, certo?
  
  Eu acenei com a cabea. Eu no gosto de falar sobre meu pai com Paul. Porque meu pai era tudo o que era bom. E o Paul  tudo que. . . No ... 
  
  -Sim, que  o que eu pensei - o Paul falou. - Nada  preto e branco com a lei.  todo o tipo de cinza. To longo como voc pode achar um precedente.- Eu no disse 
nada. Eu poderia ver o Paul facilmente como um advogado. No um advogado como meu pai tinha sido, defensor pblico, mas o tipo de advogado que defende as celebridades 
ricas, pessoas que pensaram que elas estavam sobre a lei. . . 
  
  -Agora que - o Paul disse, enquanto apoiando contra o armrio prximo ao meu, - Seria um pouco desperdcio. Eu estava pensando mais ao longo das linhas de um assistente 
social. Ou terapeuta. Voc  muito boa, voc sabe, em assumir os problemas de outras pessoas.
  
  No era que a verdade? Era a razo para eu estar com olhos to turvos e cansados hoje. Porque depois que eu tinha deixado Jesse  noite antes, eu tinha dirigido 
casa e tinha deitado na cama. . . S que no dormi. Ao invs, eu tinha jazido despertada, enquanto piscando ao teto e ponderando para o que Jesse tinha me falado. 
No sobre Paul, mas sobre o que o Paul tinha me feito ler em voz alta mais cedo naquele dia:
  
  As habilidades do mediador no incluam somente comunicao com os mortos e teletrasportao entre o mundo deles e o nosso prprio, mas a habilidade para viajar 
a vontade.
  
  A quarta dimenso. Tempo. A mesma palavra que fez os pelos em meus braos se levantarem, embora fosse outro dia de outono tipicamente bonito em Carmel e no frio 
nem nada. Realmente poderia ser verdade? Tal coisa era at mesmo possvel? Poderia os mediadores - ou deslocadores, como o Paul e o av dele insistindo em chamar 
- viajar pelo tempo como tambm entre os reinos dos vivos e os mortos?
  
  E se - Um grande se - Seja verdade, o que em terra significou? Mais importante, por que o Paul tinha tido essa inteno, se assegurar que eu soubesse disso?
  
  - Seu olhar est distante - o Paul observou como eu alojei meus livros fora e alcancei para a bolsa de papel que contm o almoo meu padrasto tinha me feito: salada 
de galinha de tandoori. - O que  o problema? Dificuldade para dormir?
  
  -Voc deveria saber - eu disse, enquanto luzindo a ele. 
  
  -O que eu fao? - ele perguntou, enquanto soando genuinamente surpreendido.
  
  Eu no sei se foi o meu esgotamento, ou o fato que o teste de aptido de carreira me fez pensar em meu futuro. . . Meu futuro e Jesse. De repente, eu estava muito 
cansada de Paul e os jogos dele. E eu decidi o chamar no ltimo. 
  
  -A quarta dimenso - eu o lembrei - Viajar no tempo - Ele apenas sorriu, porm. 
  
  - Ah, bom, voc entendeu isto. Demorou um bocado. 
  
  - Voc realmente pensa que os deslocadores so capazes de viajar no tempo? - Eu perguntei. 
  
  -Eu no penso assim - o Paul disse. - Eu sei que sim.
  
  Novamente, eu sentia um frio quando eu no deveria ter. Ns estvamos nos levantando na sombra da passagem coberta, era verdade, mas h alguns ps fora no ptio 
da Misso, o sol estava brilhando abaixo. Beija-flores voaram de flor de hibisco a flor de hibisco. Turistas carregavam mquinas fotogrficas digitais com eles. 
Assim o que foi para cima com os inchaos de ganso? 
  
  -Por que? - Eu exigi, minha garganta repentinamente seque. - Porque voc fez isto? 
  
  -No, contudo - ele disse, casualmente. - Mas eu vou. Logo.
  
  -Sim - eu disse, medo que me faz sarcstico. - Bem, talvez voc pudesse ter viajado no tempo naquela noite, voc roubou o dinheiro dos Gutierres e no fez isto 
neste tempo. 
  
  - Deus, voc poderia esquecer isto? -Ele balanou a cabea dele. - Eram dois mil coros ruins. Voc age como se gostasse dos dois milhes.
  
  -Ei, Paul. - Kelly Prescott surgiu do grupo exclusivo dela. O Dolce e Gabbana Nazis, como CeeCee tinha comeado a cham-los. E passeou por cima, enquanto balanava 
os clios de anil pesadamente. - Voc vem almoar?
  
  -Espere um minuto - Paul disse a ela... No muito bem, considerando que ela era o par dele para a dana do fim da semana que vem. 
  
  Kelly, entretanto afastou-se, no o suficiente, depois me enviou um olhar afiado rumo  jarda onde ns almoamos diariamente, ao ar livre.
  
  -Eu no consigo entender isto. - Eu o encarei. - E se ns pudssemos viajar mesmo no tempo? Grande coisa. No poderemos mudar nada quando chegarmos l.
  
  -Por qu? - Os olhos azuis de Paul ficaram curiosos. 
  
  - Porque ir em frente, quando se pode voltar no Passado, assim?
  
  -Porque voc no pode...Voc no pode desordenar a ordem natural das coisas - eu disse. 
  
  -Por que no? No  o que voc faz diariamente quando voc medeia? Voc no est interferindo na ordem natural das coisas enviando as almas das pessoas para a 
prxima fase de conscincia delas?
  
  -Isso  diferente - eu disse.
  
  -Como assim?
  
  -Porque essas pessoas j esto mortas! Eles no podem fazer nada que poderia mudar o curso da histria.
  
  -Como a Sra. Gutierres e os dois mil dlares dela? - O relance de Paul era astuto. - Voc pensa que se voc tivesse dado isto ao filho dela, no teria mudado o 
curso de histria? At mesmo de algum modo pequeno?
  
  -Mas isso  diferente de entrar em uma outra dimenso para mudar algo que j aconteceu. Isso  um pouco...Errado. 
  
  -, Suze? - Um canto da boca de Paul se mexeu. - Eu no penso assim. E voc sabe o que eu penso? Eu penso que neste tempo, seu menino Jesse vai concordar. Comigo. 
- E de repente, eu parecia ter conseguido ficar com mais frio que eu j estava debaixo daquela passagem coberta.
  
  
  
  Captulo 6
  
  Por favor, esteja em casa, por favor, esteja em casa, por favor, esteja em casa, eu rezei enquanto esperava algum atender a campainha. Por favor, por favor, atenda, 
por favor. . . 

  Eu no sei se algum conseguiu ouvir minhas preces, ou se era apenas que arquelogos invlidos no saem tanto. Em todo caso, O criado d Dr. Slaski atendeu a porta
da frente, surprendeu-se quando ele viu que era eu que estava tocando a campainha com tanta urgncia.
  
  -Oi Susan - ele disse, usando o nome errado - Voc est procurando por Paul? Porque at onde eu sei, ele ainda est na escola.
  
  - Eu sei que ele ainda est na escola - eu disse, enquanto pisando apressadamente dentro do foyer do Slaters, antes que o criado pudesse fechar a porta. - Eu no 
estou aqui para o ver. Eu vim para ver o av dele, se eu puder.
  
  -O av dele? - O criado pareceu surpreso. E por que no deveria estar? Para tudo que soube ele, o paciente dele no tinha tido uma conversao lcida com qualquer 
um em anos. A no ser que ele teve. E tinha sido s alguns meses atrs. Comigo. 
  
  -Voc sabe, Susan, o vov de Paul no est... Ele no est realmente bem - o assistente disse lentamente. - Ns no gostamos de falar sobre isto na frente dele, 
mas a ltima bateria de testes... Bem, eles no pareceram to bons. Na realidade, os doutores no esto dando tudo aquilo mais tempo viver...
  
  Eu preciso lhe fazer uma pergunta - eu disse. - Somente uma pequena pergunta. Levar s um segundo.
  
  -Mas... - O criado, um sujeito jovem que, julgando dos medos sol-alvejados dele, provavelmente usado qualquer tempo livre que ele conseguiu bater nas ondas, arranhou 
o queixo dele. - Eu quero dizer, ele no pode. . . Ele realmente no fala muito, no mais do que aquilo. A Alzheimer, voc sabe...
  
  
  -Eu posso tentar? - Eu pedi, no me preocupando se eu parecia uma louca. Eu estava totalmente desesperada. Desesperada para respostas que eu precisava saber e 
s uma pessoa em terra poderia me dar estas respostas. E aquela pessoa poderia me explicar tudo. - Por favor, eu quero dizer, no pode fazer mal, pode?
  
  -No - o criado disse lentamente. -No, no ir fazer mal. 
  
  -timo - eu disse, passando por ele e comeando a subir dois degraus da escadaria de cada vez. - Eu s usarei alguns minutos.
  
  O criado caminhou at a porta da frente, parecendo distrado. 
  
  -Est bem. Eu acho. Mas... Voc no deveria estar na escola?
  
  - hora do almoo - eu o informei alegremente, quando eu subi as escadarias para corredor, onde ficava o quarto de Dr. Slaski.
  
  Eu no estava mentindo, de certa forma. Era a hora do almoo. O fato era que tecnicamente ns no deixvamos terrenos escolares no almoo? Bem, eu no achava que 
a meno disso era importante. Eu estava menos preocupada sobre ter que enfrentar a Irm Ernestine quando ela descobrisse que eu estava matando aula do que explicar 
para o meu meio-irmo Brad porque eu precisei das chaves do Land Rover to desesperadamente. S porque tinha acontecido do Brad conseguir a carteira de motorista 
dele, aproximadamente cinco segundos antes de eu conseguir a minha (bem, alguns semanas certas antes de eu ter conseguido a minha, de fato), ele parece achar que 
o Land Rover, que  o suposto "carro das crianas", pertence somente a ele, e que ele s pode carregar dois de ns, mais o irmo mais novo dele, o David, para a 
escola diariamente.
  
  Eu tinha tido que recorrer a s usar palavras como "produtos de higiene femininos" e "porta-luvas" e conseguir que ele renda as chaves. Eu no tinha nenhuma idia 
do que ele iria fazer quando eu no devolvesse antes do fim do almoo e ele descobrisse que o carro tinha ido. 
  
  Nada em mim, certamente. Parecia gostar muito dele. Tristemente, eu nunca pareo capaz devolver o favor, graas a Brad que geralmente tem algum tipo de problema 
comigo. Em todo caso, eu no ia desperdiar pequenas horas preciosas para ficar me perguntando o que o Brad ia dizer sobre eu levar o carro. Ao invs disso, eu me 
apressei para o quarto do av de Paul.
  
  Como sempre, o Game Show Network estava ligado. O criado tinha colocado Dr. Slaski na cadeira de rodas em frente  televiso de plasma. Dr. Slaski, porm, parecia 
no estar dando muita ateno para Bob Barker. Ao invs disso, ele estava encarando fixamente uma mancha no centro do cho de azulejo altamente polido. Eu no fui 
enganada com isto, porm. 
  
  -Dr. Slaski? - Eu apanhei o controle remoto e diminui o volume da TELEVISO, ento me apressei para o lado do enfermeiro. -Dr. Slaski, sou eu, a Suze. A amiga 
de Paul, Suze? Eu preciso falar com voc durante um minuto.
  
  O av de Paul no respondeu. A menos que voc chame babando, de uma resposta. 
  
  -Dr. Slaski - eu disse, levantando uma cadeira de forma que eu pudesse me sentar mais perto da orelha dele. Eu no queria que o criado escutasse nossa discusso, 
eu estava tentando manter minha voz baixa. - Dr. Slaski, seu enfermeiro no est aqui e nem o Paul. Somos ns dois, somente. Eu preciso falar com voc sobre algo 
que Paul anda me falando. Sobre, , mediadores.  importante.
  
  Assim que ele ouviu que nem Paul nem o criado dele estavam perto dali, uma mudana pareceu ocorrer em Dr. Slaski. Ele se endireitou em sua cadeira, erguendo a 
cabea, para que ele pudesse fixar seu olhar nos meus olhos. O babado parou imediatamente.
  
  -Oh - ele disse quando viu que era eu. Ele no pareceu emocionado, exatamente. - Voc novamente.- Eu no pensei que isso era muito agradvel, vendo que na ltima 
vez em que ns dois tnhamos nos falado, ele tinha me procurado... Procurado-me para me dar uma advertncia secreta sobre o prprio neto dele, a quem ele tinha comparado 
ao diabo, pelo menos. Mas eu decidi esquecer aquele deslize.
  
  -Sim, sou eu, Dr. Slaski - eu disse. -Suze. Escute.  Sobre Paul. 
  
  -At agora, o que aquele pequeno mijo tem feito? 
  
  Claramente h muito pequeno amor perdido entre Dr. Slaski e o neto dele. 
  
  -Nada - eu disse. - Ainda. Por enquanto, no posso dizer nada.  o que ele diz que ele pode fazer. 
  
  -O que  ento? - Dr. Slaski perguntou. - E isto tem que ser bom. Family Feud volta em cinco minutos.
  
  Meu Deus. Eu desejei saber, se eu ia terminar em uma cadeira de rodas e viciada em espetculos de jogos quando eu tiver a idade de Dr. Slaski? Porque Dr. Slaski 
- ou Sr Slater, como Paul gostaria que todos achassem que ele era - tambm  um mediador, que foi at as profundezas da terra para saber mais sobre seu incomum dom. 
  
  Aparentemente, ele achou suas respostas nas tumbas do antigo Egito.

  O Problema , ningum acreditou nele. Sobre a existncia de uma raa de pessoas que deveria guiar os mortos para seu destino e certamente que, Dr. Slaski, era 
um deles. As muitas anotaes do velho homem sobre o assunto, a maioria delas publicadas, foram ignoradas cientificamente e academicamente, e agora estavam no quarto 
de seu neto guardadas em um saco de plstico cheio de p.
  
   Pior, sua prpria famlia parecia tentar fazer com que ele permanea na cama, e tambm o pai de Paul foi at capaz de mudar seu nome para que no fosse associado 
ao velho homem. E o que Dr. Slaski tinha conseguido com seus esforos? Uma doena terminal e o neto dele, Paul, para companhia. O seu estado, foi traduzido por passar 
muito tempo na "terra das sombras" - a estao entre o nosso mundo e o outro.
  
  Bem, ele tinha conduzido Paul para ele mesmo. 
  
  Eu acho que ele tinha uma boa razo para sentir nojo da raa humana. Mas por que ele queria distancia de Paul, eu s sabia parte disso. Eu tentei comear lentamente, 
assim ele certamente entenderia.
  
  -Paul diz que os mediadores... 
  
  -Deslocadores. - Dr. Slaski insistiu que as pessoas como ele, Paul e eu somos chamados de deslocadores, para nossa (em meu caso, recentemente descoberto) habilidade 
para se deslocar entre as dimenses dos vivos e dos mortos. - Deslocadores, menina, eu j tinha lhe falado antes. No me faa repetir de novo.
  
  -Deslocadores - eu me corrigi. - O Paul diz que os deslocadores tm a habilidade de viajar no tempo. 
  
  -Realmente - Dr. Slaski disse - O que  que tem?
  
  Eu bocejei para ele. Eu no pude evitar isto. Se ele batesse em mim na parte de trs da cabea com uma vara de piata, eu no poderia ter ficado mais surpresa. 
-Voc... Voc sabia sobre isto? 
  
  - claro que eu sabia sobre isso - Dr. Slaski disse acidamente - Quem voc acha que escreveu o papel que deu a idia ao idiota do meu neto?
  
  Isto foi o que eu consegui por no prestar muita ateno nas minhas sees de mediao com Paul. 
  
  Dr. Slaski olhou muito sarcasticamente para mim. 
  
  -Mas por que voc no me falou?
  
  -Voc no perguntou - ele disse.
  
  Eu me sentei olhando para ele. Eu no podia acreditar. Todo esse tempo... Todo esse tempo eu tinha outra habilidade que eu no a conhecia. Mas para que eu precisei 
de viagem no tempo, mesmo assim? 
  
  Eu acho que houve alguns dias cabeludos que eu gostaria de voltar e arrumar, mas mais do que isso...

  A, como um tnel de luz, me bateu.
Meu pai. Eu podia voltar no tempo e salvar meu pai.
No, no funciona desse jeito. No pode. Porque se pudesse... Se pudesse...

  Ento tudo poderia ser diferente.

  Tudo.
  
  Dr Slaski se tremeu. Eu me remexi e toquei o ombro do Dr Slaski.
  
  -Dr. Slaski? Voc est bem?
  
  -O que voc pensa? - ele disse, no muito graciosamente. - Eu tenho seis meses de vida. Talvez menos, se esses malditos mdicos derem um jeito e me deixarem sangrando 
como um porco. Voc acha que eu estou bem?

   -Eu... - eu estava sendo egosta, eu sei, mas no tinha tempo de ficar ouvindo problemas de sade. Eu precisava saber mais sobre o dom que ele - e provavelmente 
eu - tnhamos.

  -Como? Como se faz isso? Viagens no tempo, eu quero dizer.

  Dr Slaski deu uma olhadela para a TV. Por sorte, os crditos de The Price Is Right ainda estava rolando. Family Feud ainda no havia comeado.

  - fcil - ele disse. -Se o idiota do meu neto conseguiu descobrir, qualquer besta consegue.

  Ns no tnhamos muito tempo. Family Feud ia comear em um minuto.

  -Como? - eu perguntei de novo. - Como?

  -Voc precisa de alguma coisa. - O doutor disse com exagerada pacincia, como se falasse com uma criana de cinco anos. - Alguma coisa do tempo que voc quer ir. 
Para te levar  ele.

  Eu pensei em um filme de viagem no tempo que eu tinha visto. 
  
  -Como uma moeda? - eu disse.

  -Uma moeda poderia fazer isto. - Dr Slaski disse, embora parecia ctico. -  claro, voc precisa de uma moeda que foi possuda por uma pessoa especfica que viveu 
naquele tempo, e que esteve no lugar onde voc est. E voc precisa escolher um ponto para voltar ao seu tempo.
  
  -Voc quer dizer. - eu pisquei. - Voc quer dizer quando voc volta, todos vocs voltam? No apenas... 
  
  -Sua alma? - Dr. Slaski bufou. - Note que, quando voc viaja no tempo para algum outro sculo voc no faz isso sem corpo. No, quando voc for, voc vai. Voc 
precisa ter ateno a esse detalhe. Voc no pode viajar no tempo e ir desordenando tudo, voc sabe. No se voc no quer mudar o destino das pessoas a sua volta 
e o seu prprio. Voc tem que ir para uma marca onde voc conheceu a pessoa pela primeira vez, estando de p, segure o objeto que elas j tiveram acesso, e...
  
  E? - Eu perguntei ansiosamente. 
  
  -Feche seus olhos e desloque-se.- Dr. Slaski olhou para trs para ver a televiso, entediado pela conversao inteira. 
  
  -E s isso? - Era fcil. - Voc quer dizer que eu posso voltar no tempo e visitar qualquer um que eu queira?
  
  -Claro que no - Dr. Slaski disse, o olhar dele se fixou na tela da TELEVISO. Era quase como uma reflexo tardia que ele somou, - S se ele estiver morto, claro. 
E se for algum que voc mediou. Eu nunca determinei por que, mas acho quem tem algo que a ver com a energia daquela pessoa. Deve ser a ligao... - Dr. Slaski viajou, 
se perdeu em pesquisas h dcadas terminadas antes dele.
  
  -Voc quer dizer...- Eu pisquei em confuso. - Ns no s podemos voltar no tempo, mas tambm podemos ajudar um fantasma?
  
  -D para a menina um prmio - Dr. Slaski respondeu, voltando o olhar dele para a televiso. Dessa vez eu no dei ateno ao sarcasmo dele. Por que fantasmas? Fantasmas 
com os quais eu posso lidar. Fantasmas como... 
  ...Bem, meu pai, por exemplo.
  
  E eu tinha bastante coisa que um dia pertenceu ao meu pai. Eu ainda tinha a camisa que ele estivera usando no dia em que ele morreu. Eu havia arrancado isto da 
pilha de coisas que o hospital tinha nos dado e eu mantive isto por meses debaixo de meu travesseiro depois que ele morreu... At o dia em que eu o vi novamente, 
quando ele apareceu para mim, e me falou exatamente porque era que eu, mas no a minha me, podia o ver. 
  
  Eu pensei que minha me no sabia sobre isto. - A camisa, - eu quero dizer. Mas agora eu sabia que ela tinha descoberto sobre a camisa que eu guardara. Ela certamente 
devia ter achado isto quando ela estava arrumando minha cama ou estava brincando de fada do dente. 
  
  
  
  
  Mas ela nunca disse nada. Ela no podia dizer que aquilo ou qualquer outra coisa estava errada, porque ela manteve as cinzas de papai na caneca de cerveja favorita 
dele durante anos, at que ns jogamos suas cinzas no parque onde ele tinha morrido, o parque que ele amava tanto, um pouco antes do casamento dela com Andy.
  
  O parque, eu percebi, eu teria que ir para l se eu quisesse voltar no tempo para o salvar, porque o apartamento no qual ns tnhamos morado tinha sido vendido 
e eu no podia muito bem caminhar at os novos donos, eu no poderia simplesmente falar a eles:
  
  -Vocs poderiam agentar em sua sala de estar um minuto? Eu preciso voltar no tempo para salvar a vida de meu pai. - Claro que, o parque e o apartamento estavam 
de todo o modo do outro lado do pas. Mas eu tinha um pouco do dinheiro de quando eu trabalhei como bab guardado. Talvez at mesmo o bastante para uma passagem 
de avio...
  
  Eu poderia fazer isto. Eu certamente poderia impedir meu pai de morrer. 
  
  -Que mais? - Eu perguntei a Dr. Slaski, olhando para a TELEVISO rapidamente. Um comercial, graas a Deus. -Quando voc tem a... coisa que pertenceu ao fantasma 
e voc est em cima da marca onde um dia ele esteve em p? O que faz voc ento?
  
  Dr. Slaski pareceu aborrecido. 
  
  -Voc segura o objeto - Isso  a sua ncora - E nada mais. Isso  importante, voc sabe. Voc no pode estar tocando em qualquer outra coisa ou voc a levar com 
voc. Ento voc imagina a pessoa. E ento voc vai. Mole como torta. - Dr. Slaski virou a cabea para a TELEVISO. - Olhei para cima. Family Feud comear em um 
minuto.
  
  Eu no podia acreditar que era to fcil. Apenas assim, eu poderia voltar no tempo e evitar que algum que eu amei morresse. 
  
  
  
  -Claro que - Dr. Slaski disse casualmente - Quando voc chega l. Para onde voc vai. Voc tem que prestar ateno no que faz. Voc no quer que a histria mude... 
Pelo menos, no muito. Voc tem que pensar nas conseqncias de suas aes muito cuidadosamente.
  
  Eu no disse nada. Que possveis conseqncias poderiam acontecer se eu salvasse a vida do meu pai? A no ser minha me, ela no ia chorar no travesseiro dela 
todas as noites durante anos depois que ele morresse - certamente at ela conhecer o Andy, de fato.- Ela estava sendo feliz? Eu estava sendo feliz? 
  
  Ento eu lembrei. Andy. Se meu pai tivesse vivido, minha me nunca teria conhecido o Andy. Ou melhor, ela poderia ter o conhecido, mas ela nunca teria se casado.
  
  E ento ns nunca teramos nos mudado para a Califrnia. 
  E eu nunca teria conhecido Jesse. 
  
  De repente, o impacto das palavras que Dr. Slaski tinha dito, afundaram dentro de mim. -Oh - eu disse. 
  
  O olhar dele - Se no fosse o glaucoma que nublou os seus olhos azuis, os quais, caso contrrio seria como uma fotocpia Paul - era afiado.
  
  -Eu pensei, h um oh em algum lugar l - disse ele. - No to fcil quanto voc pensou, se deslocar no tempo, no ? E lembre-se de como que voc ficar em seu 
prprio tempo depois, ter um longo perodo de recuperao quando voc voltar ao presente - Dr. Slaski no disse muito agradavelmente. 
  
  -Perodo de recuperao? Voc quer dizer que goste ou no... Vai me dar uma dor de cabea? - O que eu estava certa de que me daria. Toda vez.
  
  Dr. Slaski pareceu estar achando graa de algo. O olhar dele no estava na tela de televiso, assim eu soube que era algo que tinha a ver com o que eu havia lhe 
dito ainda pouco. 
  
  -Um pouco pior do que uma dor de cabea - ele disse secamente e bateu levemente no colcho em baixo dele. - A menos que voc considere um eufemismo perder parte 
das clulas do crebro. E isso  o que nunca poderia acontecer com voc. Se voc se deslocar muitas vezes no tempo, voc ser um vegetal antes de voc ser velha 
o bastante para comprar cerveja, isso eu posso garantir.
  
  -Paul sabe disso? - Eu perguntei. - Eu quero dizer, sobre a... Coisa de perder clulas do crebro?
  
   - Ele sabe - Dr. Slaski disse - se ele leu meu papel inteiro. 
  
  E ainda que ele quisesse tentar isto. 
  
  -Por que Paul iria querer voltar no tempo? - Eu perguntei. Ele no pode estar sendo motivado por um desejo de ajudar algum, porque a nica pessoa que Paul Slater 
tinha estado alguma vez interessado em ajudar era... Bem, Paul Slater.
  
  -Como eu poderia saber? - Dr. Slaski pareceu entediado. - Eu no entendo por que voc desperdia qualquer hora com aquele menino. Eu lhe falei que ele no era 
bom.  parecido com o pai dele, aquele tem, vergonha de mim... 
  
  Eu no prestei ateno no desabafo de Dr. Slaski contra o neto dele. Eu estava com o pensamento muito ocupado. 
  
  O que Paul tinha dito na outra noite, no quintal dos Gutierres?
  Que ele no mataria Jesse...
  
  ...Mas que ele poderia fazer algo para impedir que Jesse tivesse morrido em primeiro lugar. 
  
  Isso era o que se passava dentro de minha mente. De p l no quarto do Dr. Slaski, ele procurou desajeitadamente o controle remoto, achou o boto do volume e gritou:
  
  -Damnit, ns perdemos a primeira categoria!
  
  Paul voltaria no tempo. Para o tempo de Jesse. E no para o matar. Para salvar a vida dele.
  
  Captulo 7
  
  -Padre Dominic? - Minha voz parecia furiosa at para meus prprios ouvidos - Padre D. voc est ai?
  

  -Sim, Suzannah - Padre Dominic soou um pouco desgastado.Contudo isso poderia ser pelo fato dele ainda no ter aprendido a mexer com seu telefone - Sim eu estou 
aqui.Eu achei que era necessrio apertar o boto "send", mas aparentemente...

  -Padre Dominic, algo terrvel aconteceu - Eu no esperei ele responder, apenas continuei a falar - Paul descobriu como voltar no tempo, e ele ir voltar para o 
dia em que Jesse morreu e ir salv-lo.

  Houve uma longa pausa. Ento Padre Dominic disse:
  
  -Suzannah onde voc est?
  
  Eu dei uma olhada.
  
  Eu estava me levantando da cozinha de Paul, usando o telefone da parede, que eu tinha achado l. Eu tinha perguntado ao criado de Dr. Slaski depois que eu tinha 
deixado o paciente dele, se eu podia usar o telefone. Ele me disse que era para eu seguir pela direita  frente.
  
  Na casa do Paul - Eu disse - Padre Dominic voc me ouviu?Paul achou um jeito de evitar a morte de Jesse.

  Bom...- Padre Dominic disse - Essas so notcias maravilhosas. Mas voc no deveria estar na escola?J passou um pouco de 1 hora...

  Padre D!- Eu praticamente gritei - Voc no entende. Se Paul evitar que Jesse morra, ento no dois nunca iremos nos conhecer.

  Hummm - Padre Dominic tomou seu doce tempo para considerar o que eu havia dito -Alterar o curso da histria nunca  uma boa idia, eu acho.Olha o que aconteceu 
naquele filme...Como era o nome mesmo?Ahh sim...De volta para o futuro.
  
  
  - Padre Dominic - eu estava quase chorando de frustrao - Por favor, isso no  um filme,  a minha vida.Voc tem que me ajudar.Voc tem que voltar e me ajudar 
a impedi-lo.Ele no ir me escutar.Eu sei que no.Mas ele talvez escute a voc... 

  -Bem, eu no poderia de forma alguma voltar agora Suzannah - Padre Dominic disse - O monsenhor no est...  quer dizer... O cachorro quente parece ter ficado 
"entalado" em sua garganta mais do que qualquer um poderia imaginar...Suzannah voc disse que Paul descobriu um modo de viajar no tempo?
  
  - Sim - eu disse com os dentes cerrados, eu estava comeando a me arrepender de ter no ter colocado o Padre Dominic a par de muita coisa que eu havia descoberto 
sobre Paul durante nossas tardes de quarta-feira juntos.

  -Meu Deus - disse o Padre Dominic - Que interessante. E como voc acha que ele pode fazer isso?

  -Tudo que ele precisa  de algo antigo - Eu disse - Algo que tenha pertencido  pessoa que, voc sabe, ele queira voltar no tempo para v-la.A pessoa precisa ser 
um fantasma, um fantasma que ele tenha conhecido. Da ele precisa somente ficar no lugar que ele sabe que a pessoa vai estar - em sua mente, voc sabe - e ele estar 
l... 
  
  -Minha Nossa - Padre Dominic disse - Voc sabe o que isso significa Suzannah?

  -Sim - eu disse infeliz - Significa que eu voltarei para Carmel e no haver ningum assombrando o meu quarto porque Jesse no ter sido morto l...

  - No - Disse o Padre Dominic - Bom eu acho que sim, eu suponho que signifique isso.Mas o mais importante  que ns poderamos evitar a morte de todos os fantasmas 
que encontrssemos, basta s retornar no tempo e...

  
  
  
  
  - Ns no podemos - Eu interrompi de modo chato - A menos que queiramos acabar com seis meses de vida restantes, como o av de Paul.No  como se transferir para 
o plano de esprito.Seu corpo todo vai junto e eu acho que... Eu acho que ele sofre as conseqncias.Mas Paul est planejando fazer somente uma viagem.

  -Sim - Padre Dominic soou distante, mais do que So Francisco se voc quer saber -  posso ver.

  -Padre Dominic - eu chorei.Eu o estava perdendo e no por a nossa linha de comunicao no ser das melhores.- Voc tem que impedi-lo.

  -Mas por que Suzannah? - Padre Dominic perguntou - O que Paul planeja fazer  um tanto generoso...

  - Generoso?- Eu estava chorando - O que tem de to generoso nisso?

  - Ele est dando a Jesse uma outra chance em vida - Padre Dominic disse - E pelo que voc diz, ele est arriscando sua prpria vida nisso. -Eu diria que  bem 
nobre da parte dele, na verdade.

  -Nobre?! - Eu no podia acreditar no que estava ouvindo - Padre Dom eu posso lhe assegurar que os motivos de Paul esto muito distantes de serem nobres.Ele s 
o est fazendo por...
  
  Sim? - De repente Padre Dominic era todo ouvidos.

  Mas como voc pode explicar para um Padre que o cara quer apagar seu namorado s pra poder dar uns amassos em voc? Especialmente quando Paul no estava tentando 
apagar Jesse de forma alguma e pelo contrrio, salvar sua vida.
  
  -  s que...- eu no estava fazendo sentido algum e no me importava muito com isso...- Voc no pode expuls-lo ou qualquer coisa?

  - No Suzannah - Era minha imaginao ou havia um tom de riso de desprezo em sua voz? - Eu no posso expulsa-lo, no por isso, de qualquer forma...
  
  - Mas ns temos que impedi-lo - eu disse. Porm, mesmo para os meus prprios ouvidos, meus protestos estavam comeando a enfraquecer - No ... No  natural o 
que ele est planejando fazer.

  -Talvez possa at ser - Padre Dominic disse- porm no  imoral e nem ilegal at onde eu sei.

  Essa tinha que ser a primeira vez. Paul faria alguma coisa que poderia, na verdade, ser chamada de decente, sabe?

  - Mas eu sim imagino - Padre Dominic ficou pensativo - Em como ele ir conseguir concretizar esse pequeno milagre.

  -Eu j lhe disse - eu falei amargamente - Ele s precisa ter algo que a pessoa j possuiu e ento ficar no local que essa mesma pessoa ficou uma vez e ento...

  - Sim - Padre Dominic disse - Mas qual pertence de Jesse, Paul possui?

  Isso me calou por um minuto. Porque o Padre D. estava certo.Paul no tinha nada que pertencesse ao Jesse. Ele no poderia impedir o assassinato de Jesse porque 
ele no possua nada que o tinha pertencido.

  - Ah - eu disse, comeando a me sentir um pouco menos como se eu tivesse lentamente estreitando uma corda em volta do meu pescoo - , voc est certo.

  - claro que estou - Padre Dominic disse, era minha impresso ou ele soava distrado? - Embora seja algo que voc possa tentar fazer Suzannah, se ele lhe ensinar 
como...

  - O que - eu torci a corda do telefone em volta do meu dedo - Voltar no tempo e impedir Jesse de ser morto?

  -Exatamente - disse Padre Dominic - Essa pode ser a razo para a qual ele ainda est aqui em terra - Talvez ele no devesse ter morrido em 1 lugar. 

  Eu estava to espantada por um momento que no consegui dizer nada. Ao invs disso, minha mente mostrou a imagem de um cartaz em que minha professora da 9 classe 
de ingls havia pendurado na sala. Eram 2 gaivotas voando sobre uma praia... Um cartaz no qual eu insistia em lembrar nos momentos mais inconvenientes. SE VC AMA 
ALGO, DEIXE O IR e abaixo das gaivotas se lia: SE FOR PARA SER SEU, ELE VOLTAR.
  
  O n imaginrio no meu pescoo apertou a ponto de me fazer engasgar.

-Isso  pattico, Padre D - gritei no telefone. - Est me ouvindo?Pattico.

-Suzannah - Padre Dominic soava assustado.

-Esse no  o motivo pelo qual Jesse ainda est aqui - gritei. - No . Jesse e eu devemos ficar juntos, e se voc no pode ver isso, bem,  problema seu!
  
  Agora Pai Dominic soou mais que assustado. Ele soou bravo. 
  
  -Susannah - ele disse. - No h nenhuma razo para usar esse tipo de linguagem. 
  
  
  - No, no h - eu concordei com ele. -Especialmente porque eu no tenho nada para dizer a voc. - Eu bati o telefone. Um segundo depois, O criado de Dr. Slaski 
apareceu, parecendo preocupado. 
  
  -Susan? - ele perguntou. - Voc est bem?
  
  -Eu estou bem - eu disse, me horrorizei quando vi que minhas bochechas estavam midas. timo. E, depois de tudo, eu ainda estava chorando. 
  
  -Ainda pouco - o criado disse - Eu ouvi um grito... 
  
  -No  nada - eu disse. -Eu estou indo. No se preocupe.
  
  
  
  
  
  E eu fui, sem dizer adeus para Dr. Slaski. Eu no tinha nada para dizer a ele, como no tinha nada mais para dizer  para Padre Dom. Havia s uma pessoa, eu percebi, 
que poderia impedir o Paul de fazer eu que sabia o que ele ia fazer. E aquela pessoa era eu. Claro que, o fato principal era que eu no tinha nenhum plano para impedi-lo. 
Isto era em que eu pensava enquanto me dirigia apara a escola. Um plano.
  
  Chegando perto do lote da Academia de Misso, o que o Padre Dominic tinha dito comeou a penetrar. Paul no tinha nada de Jesse que poderia o leva-lo quela noite 
horrvel que Jesse tinha morrido. Eu estava quase segura disto. Jesse tinha sido assassinado e o corpo dele nunca foi encontrado. At recentemente, isso . A prpria 
famlia dele acreditou que ele tinha fugido para escapar de um matrimnio que ele no desejava.
  
  O que o Paul poderia ter de Jesse que o ajudaria a voltar ao dia da morte deste? Nada. Porque as nicas coisas que ainda existiram daquele tempo eram um retrato 
de miniatura de Jesse. O qual eu persisti para colocar em uma caixa forte de casa. E algumas cartas que ele tinha escrito  noiva dele. Mas esses estavam  mostra 
no Museu Histrico da Sociedade de Carmel. No havia nada de Jesse que o Paul poderia ter que pudesse ser usado para o ferir. Ou bastante, o salvar. Nada. Jesse 
estava seguro. 
  
  Que significou que eu estava segura. O alvio que eu sentia era efmero, porm. Oh, no meu alvio sobre Jesse. Isso permaneceu. Era como eu estava tentando me 
mover furtivamente pela escola, meu equilbrio recentemente restabelecido era novamente abalado. Nesse momento, no era por Paul. No, era Irm Ernestine que quebrou 
meu senso duro - ganhado de calma, da mesma maneira que eu estava tentando me misturar com os estudantes da mesma categoria quando eles abriram o espao deles  
prxima classe, enquanto eu fingia ter estado l dentro desde o princpio com estes.
  
  Susannah Simon! - A voz estridente da vice-diretora fez com que vrias pombas que tinham estado em cima do poleiro nas vigas sarem voando assustadas. - Venha 
imediatamente a meu escritrio! - Meu meio-irmo mais jovem, David, estava perto dali. Quando ele ouviu o comando da irm, ele empalideceu visivelmente... Uma realizao 
para ele, vendo como ele j era plido, sendo um ruivo.
  
  - Suze - ele me perguntou, enquanto me olhando surpreso. E por que no? Normalmente quando eu entrava em dificuldade, no era por mero atraso. Mais freqentemente, 
nenhum est ao longo das linhas de destruio de propriedade. . . E algum normalmente fins para cima inconsciente, se no morto. - O que fez voc agora? 
  
  -No importa - eu disse, um pequeno desgosto que eu tinha feito, voltado para o secundrio, uma ofensa como matando aula. Eu realmente estava perdendo meu toque.
  
  Eu segui para o escritrio da Irm Ernestine, ao contrrio de Padre Dominic tinha, ela no tinha nenhum prmio de ensino nas estantes. 
  Ningum consideraria Irm Ernestine uma pedagoga exemplar. Ela  uma disciplinadora, plancie e simples. Eu desci ligeiramente. Ela tinha notado que eu tinha sado 
durante a classe de religio e que voltei direito depois do almoo. Eu lhe falei que eu tinha tido uma emergncia mdica leve e precisei ir para a farmcia, enquanto 
invocando uma vez mais a "mar carmesim" nas esperanas que ela acabaria com o assunto. No teve o mesmo efeito em Irm Ernestine como tinha usado Brad, porm.
  
  -Ento voc deveria ter ido para o escritrio da enfermeira - era a resposta concisa de Irm Ernestine. Para meu crime, eu fui nomeada para escrever uma composio 
de mil palavras na importncia de honrar os compromissos da pessoa. Adicionalmente, me disseram que se estivesse a leilo antigo de sbado, ajudaria a tripular a 
mesa de venda de cozedura dos oitavos graduadores. Ao todo, eu suponho que poderia ter sido pior.
  
  Ou assim eu pensei. Antes que eu colidisse com Paul Slater. Ele estava atalaiando um dos apoios de pedra que sustentam a passagem coberta que  atrs, por que 
eu no o manchei em meu modo do escritrio de Irm Ernestine para minha classe. Asseada. Ele saiu das sombras da mesma maneira que eu estava me apressando. 
  
  - O viajante retornou - Ele disse.

  Eu coloquei a mo sobre meu peito, pensando que isso faria o meu corao, que havia pulado em minhas costelas no momento em que o viu, voltasse a bater normalmente.

  -Por que voc tem que fazer isso? - eu demandei - Voc me assustou!

  -Bem que eu queria - o sorriso de Paul era decididamente no religioso, considerando o fato de ns estarmos a apenas alguns metros de uma Igreja.- Ento por onde 
voc andou?

  Eu podia ter mentido, claro.Mas qual seria o ponto disso?Ele iria saber a verdade assim que chegasse em casa e o atendente de seu av lhe dissesse que eu havia 
passado por l. Ento eu levantei meu ago e ignorando meu pulso alterado, falei:
  
  As sobrancelhas escuras de Paul vieram abaixo to rpido quanto ele ficou imvel.

  -Minha casa? Pra que voc iria  minha casa?

  -Para ter uma conversinha. - Eu me gabei. - Com seu av.

  Paul parecia ainda mais surpreso. 
  
  -Meu av? - ele sacudiu a cabea. - Para que voc iria querer falar com meu av?O cara  um completo vegetal.
  
  -Ele no est bem. - Eu concordei. - Mas ele ainda  capaz de ter uma conversinha.

  -Verdade! - Paul disse com sarcasmo. - Sobre Richard Dawson, talvez.

  -Bem, isso - eu disse, sabendo que o que eu ia dizer em seguida ia enfurec-lo, mas tambm sabendo que eu no tinha nenhuma outra escolha. - E viagem no tempo.

  Os olhos de Paul ficaram enormes. Como eu tinha esperado, ele estava chocado.

  -Viagem no tempo? Voc conversou sobre viagem no tempo, com vov vegetal?

  -Com o Dr. Slaski - eu o corrigi. - E sim. Eu conversei.

  Essas duas palavras - doutor e Slaski - pareceram acert-lo como dois socos. Ele realmente parecia to petrificado como se eu tivesse batido nele. 

  -Voc est... - ele parecia no conseguir achar as palavras certas para se expressar. - Voc est maluca? - foi o que ele conseguiu falar.

  -No - eu disse. - E nem o seu av est. Mas eu acho que talvez voc esteja.- Eu continuei - mais aliviada da preocupao agora que eu sabia o que ele pretendia. 

  -Eu sei que seu av  Oliver Slaski - eu disse. - Ele mesmo me disse.

  Ele simplesmente ficou encarando. Era como se em frente aos seus olhos a Suze que ele conhecia estivesse se transformando em uma pessoa completamente diferente. 
E talvez eu estivesse mesmo. Eu estava com certeza mais furiosa com ele do que eu jamais estive. At mesmo mais do que quando ele tentou se livrar do Jesse pela 
primeira vez. Porque naquela poca ele no sabia o que agora com certeza ele sabia...Que Paul e eu?

  , isso nunca ia acontecer.
  
  -Ele no falou com voc.- Paul disse tentando achar alguma esperana, seus olhos azuis to frios como o mar em novembro. - Ele no fala com ningum.
  
  -No com voc talvez. - Eu disse. - Porque ele deveria? J que voc o trata desse jeito... Como se ele fosse uma grande inconvenincia, um...Como  que voc o 
chama? Ah sim, um vegetal. Quer dizer, seu prprio pai mudou de sobrenome por vergonha dele. Mas se alguma vez voc tivesse tomado algum tempo para falar com ele, 
voc saberia que ele no est to longe assim... E ele tem vrias coisas interessantes para falar a seu respeito.

  -Eu tenho certeza. - Paul disse com um dar de ombros. - De fato, eu acho que sei o que ele fala, que eu sou a cria de sat, que eu no estou para bem nenhum, e 
que voc deveria ficar longe de mim, e ai, acertei?

  -Quase tudo. - Eu disse. - Mas considerando que voc planeja viajar de volta no tempo e impedir que o Jesse morra? Eu diria que ele est 100% certo.

  Com isso o medo deixou seus olhos - mas no a frieza. Ele at deu uma risadinha, mas foi apenas com uma metade de sua boca. - Ento voc finalmente descobriu? 
Demorou bastante, hem...

  Mas eu no o deixei terminar. Eu dei um passo em sua direo at que meu rosto estava a centmetros do dele, e disse com a voz mais dura que eu consegui:
  
  -Bem, eu descobri agora. E se voc acha que impedindo o Jesse e eu de nos conhecermos vai fazer com que meus sentimentos por voc mudem, vai sonhando!

  Paul pareceu machucado. Mas eu sabia que era tudo uma farsa. Porque Paul no tem sentimentos. No se ele realmente pretende fazer o que eu acho que ele vai fazer.

  Mas ele estava fazendo o melhor de si para provar que eu estava errada.

  -Mas suze. - Ele disse com os olhos azuis grandes e inocentes. - Eu estou s fazendo o que voc quer. Depois de toda aquela coisa com a Sra. Gurierrez eu fiquei 
pensando...Eu to realmente tentando consertar as coisas. E salvar a vida do Jesse no  a coisa certa a fazer? Quero dizer, se voc realmente o ama, voc tem que 
querer o que  melhor para ele, no ? E no seria vivendo uma longa e feliz vida o melhor para ele?

  Eu pisquei para ele, totalmente abalada com o jeito que ele tinha dito as coisas.
  
  -Isso no ... Eu... - Eu parecia no conseguir fazer com que as palavras sassem. Tudo que eu podia fazer era ficar parada l e tremer.

  -Est tudo bem, Suze. - Paul disse, colocando uma mo no meu brao - para me confortar, eu supus, na minha hora de necessidade. - Voc no precisa me agradecer. 
Agora, voc no acha melhor a gente voltar? Voc no quer que a irm Ernestine te ache matando aula de novo, quer?

  Eu fiquei parada olhando para ele. Eu nunca tinha conhecido algum to manipulador quanto ele na minha vida toda... Com exceo talvez do meu irmo mais velho, 
Brad. Mas o Brad no tinha a inteligncia de Paul, e era realmente incapaz de se sair com alguma coisa mais planejada do que uma festa na piscina... E at mesmo 
essa tinha sido abalada pelos policiais.

  -Voc est... Est achando muito. - Eu finalmente consegui falar. - Se voc acha que salvando a vida do Jesse naquela noite em que ele morreu vai lhe garantir 
uma vida longa. Quem te garante que Diego no vai tentar na noite seguinte? Ou na prxima? O que  que voc faria? Ficaria para sempre em 1850 e viraria o segurana 
pessoal do Jesse?

  - Se for necessrio. - Paul disse numa voz cheia de mais de carinho. - Veja voc. Eu faria qualquer coisa - qualquer coisa necessria - para ter certeza que o 
Jesse morra em paz durante seu sono em uma idade bem avanada, para que ele nunca, nunca mesmo, necessite um mediador.

  As luzes vermelhas da academia da misso passavam suavemente por mim enquanto eu digeria suas palavras. Eu sentia alguma coisa horrvel subindo pela minha garganta.
  
  -Porque voc est fazendo isso? - eu olhei para ele com horror. - Voc sabe que isso nunca vai funcionar. Se livrar do Jesse no vai fazer com que eu goste de 
voc. Eu no gosto de voc desse jeito.

  -No gosta mesmo? - Paul perguntou com um sorriso que era to frio quanto seu olhar. - Engraado. Eu podia jurar que na ltima vez em que ns nos beijamos, voc 
gostou. Pelo menos um pouquinho. De qualquer jeito foi o suficiente...

  Sua voz baixou sugestivamente... Mas agora o que ele estava sugerindo eu no fazia idia.

  -O suficiente para o que? - eu perguntei.

  -O suficiente - Paul disse. - Para que voc pense em tirar a minha alma do meu corpo e colocar a do Jesse em vez da minha.
  
  
  
  Captulo 8
  
  
-No se incomode em negar isso.- Paul disse enquanto eu olhava para ele em choque. - Eu sei que  isso que voc vem planejando desde que eu cometi o erro de te contar.- 
O calor da mo que ele tinha posto no meu brao pareceu me fisgar. - Essa jogada minha de salvar a vida do Jesse  mais para salvar a minha vida. Porque tipo, eu 
gosto do meu corpo. Eu realmente no quero desistir dele pro jesse.

  Minha boca estava se mexendo - eu sabia que estava, pois o Paul parecia esperar por algum tipo de resposta.

  S que eu no conseguia fazer um nico som. Eu estava paralisada.
Porque agora finalmente fazia sentido. A acusao que Paul tinha feito no outro dia em sua cozinha. Que seus planos para o Jesse eram muito mais humanos do que os 
meus para ele. Porque ele estava planejando salvar o Jesse, quando eu, aparentemente, estou planejando matar o Paul.
S que  claro, eu no estou.

  Mas isso parecia no importar para ele.
  
  -Tudo bem - Paul assegurou para mim.- Eu acho, que  um jeito de flertar, srio. Que voc pensa que eu sou bonito o bastante para colocar a alma do seu namorado 
em mim. Isso prova que, no importa o que voc diga, voc gosta de mim, um pouco. Ou pelo menos que voc gosta de sair comigo.
  
  -Isso  to... - eu finalmente achei minha voz. Infelizmente ela saiu trmula. Mas eu no liguei. Eu s pensava em provar pra ele o quanto ele estava errado. - 
To mentira! Como voc ate mesmo pode... O que teria te dado a idia de que eu...

  -Ah...Vamos l suze. - Paul disse. - Admita isso. Comigo, a coisa  verdadeira. No me diga que quando voc esta com o Jesse, voc no pensa em quanto as coisas 
podem ficar boas? Mas  tudo uma iluso? No  realmente o corao dele que voc ouve bater. A pele no  realmente quente. Porque ele no tem pele. Est tudo na 
sua cabea...Mas isso no est - ele adicionou, delicadamente segurando meus braos com seus dedos.

  At que eu tirei meu brao de perto dele, e deu um passo para trs. Ele parecia ter sido atingido, mas segurou suas duas mos no alto indicando que no ia me tocar 
de novo. 
  
  - Nossa, t bom suze. Me desculpe. Mas voc no pode negar que  verdade, quando ns nos beijamos, voc no exatamente me empurra, pelo menos no de primeira...
Eu senti minhas bochechas queimando. Eu estava to envergonhada. Eu n podia acreditar q ele estava falando disso na escola...de todos os lugares....

  Especialmente considerando o Jesse? ...Esse era seu novo lugar de assombrao. Ele provavelmente estava por perto em algum lugar.
Mas eu no podia negar o que Paul estava dizendo. Quero dizer...Eu podia...Mas estaria mentindo.
  
  - claro que eu gostei quando a voc me beijou - Eu disse, embora eu tinha que praticamente empurrar as palavras, que pareciam estar entaladas na minha garganta.-Voc 
beija muito bem e sabe disso - O que mais eu podia dizer?Era verdade.-Mas isso no significa que eu goste de voc...

  Mas isso pareceu no aborrece-lo

  -Provando o meu ponto - Ele disse - Que voc quer o corpo, porm com a alma de Jesse dentro dele.

  - Eu acho que o que aconteceu com Jesse foi horrvel - Eu disse tranqilamente, me referindo ao assassinato - E tudo bem, h muita coisa que eu faria para traz-lo 
de volta  vida. Mas no isso.

  -Por que no? - Paul disse dando os ombros - Quer dizer... O que est te impedindo?Como voc j disse um monte de vezes, eu sou um ser humano repreensvel com 
nenhuma qualidade que me redima... Exceto a minha habilidade com lbios, aparentemente.Ento por que no diz um adeus a minha alma, e deixa o Jesse perfeitinho ter 
uma 2 chance? 

  A verdade era que eu era inocente de tudo que ele estava me acusando. Nunca havia me ocorrido fazer o que ele estava me acusando de planejar a um tempo. Ta, Ok, 
s vezes me passava  idia entre um momento e outro, mas eu instantaneamente a apagava.
Mas agora - provavelmente porque ele j estava me induzindo - uma parte de mim realmente se perguntava por que no?Paul no merecia todas as coisas maravilhosas 
que ele tinha. Ele nem as apreciava. Ele roubava de pessoas menos afortunadas que ele, no tratava sua famlia com respeito algum e certamente ele no havia sido 
gentil comigo... Ou com Jesse.

  Ento por que eu no podia mandar Paul para o grande desconhecido e deixar o Jesse com o corpo de Paul e sua vida?Jesse merecia uma segunda chance e certamente 
ele seria um melhor Paul Slater do que Paul jamais havia sido.

   claro que Jesse no aprovaria. Ele provavelmente acharia errado roubar Paul da vida que era legalmente sua, s para que ele pudesse viver de novo. 

  E seria extremamente bizarro, olhar para os olhos azuis de Paul sabendo que era Jesse olhando por eles.
  
  Mas no seria exatamente como se eu estivesse matando Paul. Seu corpo ainda estaria vivo.E sua alma estaria...Exatamente onde a de Jesse est agora, sem propsito, 
vagando pela terra, sem idia alguma do que lhe aconteceria no futuro.
  
  Mas ai a sanidade voltou, fria e mida como a gua borbulhante da fonte que havia no centro da Misso. E eu ouvi a mim mesma respondendo a pergunta de Paul - Ento 
por que no diz um adeus a minha alma, e deixa o Jesse perfeitinho ter uma 2 chance? - a cada palavra, to tranqilamente como ele a havia perguntado.

  - Hum - eu disse sarcasticamente - Porque talvez isso seria assassinato?

  Alguns msculos no maxilar de Paul se contorceram - Homicdio justificvel - ele disse - E ns dois sabemos que eu no estaria realmente morto. E eu mereceria 
no mereceria? Quer dizer, pelos meus pecados?

  - Talvez - eu disse me sentindo do mesmo jeito que eu fico depois de uma sesso de exerccios do meu vdeo de kickboxing. Voc sabe, as endorfinas entrando no 
seu corpo. Porque eu realmente de tive, de uma maneira, um grande exerccio. S que nesse caso, um exerccio emocional - Mas a coisa  que no sou ningum para o 
julgar.

  -Por que no? - Paul perguntou - Voc parece no ter problema nenhum em ME julgar.

  Mas ele no ia me pegar daquela forma. 
  
  - Seu av me avisou que quando ele percebeu todas as coisas que os mediadores poderiam fazer, ele cometeu o erro de achar que era Deus - Eu disse a ele - E olhe 
onde ele est agora? Eu no irei cometer o mesmo erro.

  Paul apenas piscou.Eu acho que ele realmente achava que eu iria fazer aquilo.A coisa de transferncia de alma, eu digo.Agora que havia tirado todo o vento da navegao 
dele, ele parecia... To atordoado quanto eu estive antes.
  
  -Conseqentemente voc v - Eu disse tentando tirar vantagem - Seu duro plano de voltar -no - tempo para salvar o Jesse?  uma coisa intil. Porque, s uma coisa, 
voc no pode viajar no tempo a menos que a pessoa que est indo ajudar, realmente queira a sua ajuda. Jesse definitivamente no quer. Outra coisa, eu nunca pensei 
em roubar o seu corpo e d-lo ao Jesse, Paul. Mas, voc sabe, voc pode continuar se lisonjeando em pensar que eu estava, se isso o fizer feliz. 
  
  Eu no devia ter dito isso, descobri um momento tarde demais, foi completamente assim irreverente. Pelo menos no ento. Porque quando eu tentei dar uma volta 
em seguida por ele jogando o meu cabelo num lance para mostrar meu desdm para ele - algo pareceu me agarrar. Coisa que em seguinte eu soube, sua mo tinha disparado 
para fora e tinha travado o meu brao em um aperto que me machucou.

  - No. Ah, voc no - ele disse estupidamente. - Voc no pode sair assim facilmente - Mas ele estava errado. Porque em seguida, a mo de Paul tinha sido erguida
pra fora de mim e seu brao foi dobrado para trs, o que me pareceu ser uma posio dolorosa, mas bonita.

  -Ningum nunca te disse - Jesse perguntou, em uma voz semi-divertida, -que um cavalheiro nunca coloca a mo em uma dama? - O que eu achei meio engraado, considerando
onde que o Jesse havia colocado sua mo na ltima vez que ns tnhamos nos visto. Mas eu achei melhor deixar essa passar.

  - Jesse - Eu disse - Eu estou bem, voc pode solt-lo.
  
  Mas Jesse no o soltou.Se algum passasse por ali, iria ver Paul curvado em um ngulo muito peculiar, com o rosto branco de dor.Porque,  claro, somente eu e ele 
podamos ver o fantasma que o estava segurando.
  
  Eu no ia fazer nada com ela - Paul insistiu com uma voz sufocada - Eu Juro. 
  
  Jesse olhou para mim, em busca de confirmao.
  
  - Ele te machucou Suzannah? - Ele perguntou

  E balancei minha cabea. 
  
  - Eu estou bem - eu disse

  Jesse segurou Paul por mais um segundo ou dois - eu acho que s pra provar que ele podia - e ento o soltou, ento Paul caiu com suas mos e joelhos nas pedras 
que formavam a breezeway da entrada.
  
  -Voc no tinha que cham-lo - Paul disse pra mim com a dignidade ferida.

  -Eu no chamei - eu estava dizendo a verdade.

  -Ela no teve - Jesse disse, indo ao encontro a uma das colunas da substeno dos Breezeway. Ele cruzou os seus braos e olhou Paul seriamente enquanto ele se 
levantava.

  -O que voc disse, apaga um distrbio na fora ou alguma coisa semelhante? - Paul perguntou testando-o.

  -Alguma coisa semelhante - Jesse olhou de Paul a mim e ento pra trs outra vez. - Existe alguma coisa aqui que eu deva saber?

  -No - Eu disse rapidamente, to rapidamente, talvez, desde que uma das sobrancelhas de Jesse - a que tinha uma cicatriz - foi completamente pra cima. Paul, para 
minha fria, comeou a rir com sarcasmo.
  
  -Oh, claro - ele disse. - Vocs dois tem um relacionamento bom.  realmente muito bom, levando em conta o quo honesto vocs so um com o outro.

  Jesse estreitou os seus olhos escuros no sentido de Paul. Isso pareceu fazer com que a sua risada secasse, sem Jesse ao menos dizer uma palavra.
  
  Ento Jesse girou seu olhar penetrante em mim. 

  -No  nada - eu deixei escapar, sentindo um pnico repentino. - Paul estava s... Ele estava pensando em fazer algo a voc. Mas ele mudou de idia. No  Paul?

  -No, na verdade no -, Paul disse. - Olha, eu tive uma idia. Vamos perguntar a Jesse o que ele quer, que tal? Ele comeou a dizer, Jesse, Como voc se sentiria 
se eu dissesse o que eu posso -.
  
  -No, - Eu interrompi ofegante. De repente, estava ficando difcil respirar. - Paul, realmente no  necessrio, Jesse no -.
  
  
  -Agora, Suze - Paul disse como se fosse Trs anos mais velho. - Vamos permitir que Jesse decida. Jesse, se eu lhe dissesse as maravilhosas outras coisas que nos 
mediadores podemos fazer, como, viajar no tempo?  isso que eu tinha oferecido, viajar no seu tempo, na noite em que voc morreu, supostamente - e salvar a sua vida. 
O que voc diria disso? 

  O olhar escuro de Jesse No deixou os de Paul, nem sua expresso indecisa e fria. No, nem por um segundo.
  
  -Eu diria que voc  um mentiroso - essa foi a resposta calma que Jesse deu a ele.
  
  -Veja, pense no que voc pode dizer disto - Paul era seguro e confiante a dar aquela oferta de viajar no tempo e ele era to persuasivo. - Mas eu estou aqui pra 
dizer que isso  verdade absoluta, Jesse, Voc no precisava ter morrido naquela noite. Eu posso voltar no tempo e alertar voc. Bem, voc no me conhecer, claro, 
mas eu acho que poso dizer  voc - que eu sou o futuro - que eu vim do futuro e que voc vai morrer se no fizer o que eu lhe digo, voc ir acreditar em mim.
  
  -Voc acreditaria? - Jesse perguntou na mesma voz calma mortal. - Porque eu no.
  
  Isso selou Paul por um segundo ou dois, foi a que a minha respirao se tornou fcil outra vez. Meu corao cambaleou com afeio para o homem que se inclinava 
para o encontro da coluna de pedras ao meu lado. Eu no deveria ter me preocupado em esconder isso de Jesse. Jesse jamais escolheria a vida ao invs de mim, nunca, 
ele me amava muito.
Pelo menos foi assim que eu pensei, antes de Paul comear a se sentir seguro de si mesmo outra vez.

  -Eu acho que voc no est entendendo o que eu estou dizendo aqui. - Paul agitou sua cabea - Eu estou falando sobre dar a sua vida de volta, Jesse. No essa vida 
que voc est vagando por a ha 150 anos, assistindo as pessoas que voc ama crescendo, ficando mais velhas e morrendo, um por um. No  essa Jesse, Voc viver. 
Ser um senhor maduro. Eu posso, voc sabe, me livrar daquele cara, o Diego, o que matou voc. Como voc pode dizer no a uma oferta como esta?
  
  -Assim - Jesse disse com harmonia. - No.
  
  Sim! Eu pensei com alegria. Sim!
Paul piscou. Uma. Duas vezes.

  Da ele disse, com sua voz amigvel que ele esteve em momentos atrs:
  -No seja um idiota, eu estou oferecendo a voc uma chance de viver novamente. Viver. O que voc ir fazer, ficar por aqui o resto da eternidade? Voc vai assistir 
ela ficar velha - ele apontou o dedo para mim - E eventualmente voltar espanar restos mortais como voc fez com a sua famlia? No se lembra da sensao? Voc quer 
passar tudo aquilo de novo? Voc quer sacrific-la de ter uma vida normal - casamento, crianas, netos - s para estar com voc, quando voc nem pode sustent-la, 
no pode nem-
  
  -Paul pare com isso -, Eu mandei porque eu consegui ver o rosto de Jesse ficando com menos e menos expresses a cada palavra.

  Mas Paul no parou. No por um longo tempo.

  -Voc pensa que est fazendo a ela algum favor estando por aqui?
  
  -Pare com isso - eu gritei para Paul enquanto eu agarrava os braos de Jesse. Ento duas coisas aconteceram de uma vez. A primeira foi que as portas da sala de 
aula em torno de ns se abriram e os estudantes comearam a sair para as trocas de sala. A segunda era que eu prendi as duas mos de jesse com as minhas, olhando 
ansiosamente em sua cara. -No escute ele, por favor. Eu no me importo com essas coisas, casamento e crianas. Tudo o que eu quero  voc. 
  
  Mas era tarde. Eu podia dizer bem tarde. Alguma coisa que Paul tinha dito estava comeando a incomod-lo, mago-lo. A expresso de Jesse tinha crescido incomodada, 
e ele pareceu incapaz de olhar no meu olho.

  -Isso significa - Eu disse, dando a ele uma expresso frustrada. - No d ateno a uma palavra que ele diz!
  
  
  -Hum, Ol Suze.- era a voz de Kelly Prescott. - Falando muito com as paredes? - Eu dei uma olhada por cima dos meus ombros e l estava ela com o seu modelinho 
Dolce & Gabbana, sorrindo com deboche para mim. Eu soube, claro, o que ela via. Eu com as minhas mos levantadas segurando Jesse, mas para ele eu estava apenas segurando
o ar e falando com uma das colunas do Breezeway.

  Como eu j no tenho uma reputao das boas. Agora eu realmente sabia o quanto era estranho, menos pra mim o que eu estava fazendo.
Mas quando eu voltei a minha ateno para dizer a Jesse que ns terminaramos essa conversa depois, mas j era tarde. Ele tinha desaparecido. Eu girei as minhas 
mos para a cara de Paul, que estava, ainda, olhando irritado e na defensiva ao mesmo tempo.

  -Muito Obrigada - eu disse pra ele.

  -No fale nada - e foi a que ele saiu, assobiando.
  
  Captulo 9
  
  -Tem trigo nisto? Uma mulher com culos escuros enormes que pareciam vir da China, perguntou pra mim apontando pra um bolinho de chocolate:

  -Sim - eu disse

  -E neste - ela apontou para um Brownie.

  - Sim - eu disse

  - E nisso? - Ela apontou para um bolinho de casamento mexicano.

  -Sim.

  -Voc est me dizendo - ela perguntou nervosa e indignada - Que h trigo em todos esse bolinhos? - ela apontou para os gostosos e bem assados.
Eu abaixei a minha cadeira nervosa, me inclinando o mximo me preocupando em na inclinar de mais a ponto de cair.

  -Porque Tyler no come trigo - a mulher virou-se e mostrou uma criana que estava ao lado dela. Os olhos azuis dele piscaram pra mim enquanto a me apertava a 
sua bochecha mostrando as unhas que estavam perfeitamente bem feitas. - Ele est fazendo uma dieta sem gluten. 

  -Tente um desses - Eu disse apontando para as barras de limo.

  -Tm leite nesses? - a mulher perguntou com ar de suspeita. - Porque Tyler est fazendo uma dieta sem lactose tambm.

  -Sem gluten e sem lactose, eu prometo - Eu disse

  A mulher me deu um dlar, e eu lhe entreguei as barras de limo. Ela deu a barra de limo pra ele, que, em falar nisso, ele deu uma mordida enorme... Ento ele 
me deu um deslumbrante sorriso - era a primeira coisa do dia que ele devia estar comendo, sem dvida. Sua me pegou a mo dele e saram caminhando. AO meu lado, 
Shannon, minha companheira de vendas de bolinho, olhou apavorada.

  -Tm trigo e lactose naquelas barras de limo - ela disse.

  -Eu sei - Eu abaixei a parte traseira da minha cadeira de novo. - Eu me senti mal por causa do garotinho.
  -Mas...

  -Ela no disse que ele era alrgico. Ela apenas disse que ele estava fazendo dieta sem gluten e sem lactose. Pobre criana.

  -Suu-uuze,- uma garota da oitava srie disse, dando mltiplas silabas ao meu nome. - Voc  to legal -. Seu irmo Dave disse que voc era legal, mas eu no acreditei
nele.

  -Ah, eu sou legal - eu assegurei pra ela. Era estranho algum chamar David de "Dave". Ele era David pra mim.

  -Voc  sim - Shannon disse sria e irnica.

  O que quer que seja. E essa era a histria da minha vida, ajudar a vender bolinhos numa barraca enquanto muitos apreciavam um sbado perfeito. O cu estava To 
lindo e o dia estava quente. A temperatura estava pairando em uns setenta graus extremamente confortveis. Um dia bonito para a praia, ou um cappucino, um caf ao 
ar livre, ou at mesmo uma caminhada. 
  
  E onde eu estava? Ah, que eu estou recrutando a oitava srie na barraca de vendas de bolinhos do leilo antigo da Misso. 

  -Eu no pude acreditar quando a irm Enestine nos falou que deveramos estar ajudando fora da cabine - Shannon estava dizendo. Shannon, pelo que descobri, no 
 tmida. Ela gosta de conversar. Muito. - Isso , voc est no 11 srie e tal . E voc sabe.  to legal.

  Legal. Ah, certo. 
  
  Eu no esperava que tantas pessoas fossem aparecer no leilo. Ah, claro, poucos pais, ansiosos para ver como eles se importo com a educao dos seus filhos. Mas 
no, voc sabe coletores de antiguidades ansiosos.

  Mas era exatamente esses que estavam aqui. Havia pessoas de todas as partes, que eu nunca vi antes. Todos andando por aqui, "olhando" os intens que seriam leiloados, 
e sussurrando conspiratriamente para outro. Por acaso, alguns deles pararam por nossa cabine e descansaram comendo Rice Krispies ou outras coisas. 
  Mas a maioria tinha seus olhos voltados no prmio...Neste caso, alguma coisa feia, parecida com uma pssaro na gaiola, ou algum relgio velho do Mickey Mouse, 
ou um globo de neve com a ponta dourada ou algo parecido com isso.
   Voc pode imaginar minha surpresa quando ela se levantou sobre o palco ao trmino do ptio e pode anunciar no microfone, em frente a todos os muitos coletores 
de antiguidades juntos l, que na ausncia do monsenhor, a leilo seria feito por ningum menos que Andy Ackerman, anfitrio famoso de um espetculo de conserto 
na tv a cabo... 
  ... E meu padrasto
  
  
  Eu vi o Andy subir no palco, ondulando modestamente e parecendo envergonhado por causa de todos os aplausos que ele estava conseguindo. No segura de que pudesse 
haver qualquer coisa possivelmente mais embaraosa do que isto, eu comecei a me esquivar para abaixo em minha cadeira... 
  
  Ah, mas espera, havia algo mais embaraoso do que meu padrasto narrando o leilo de antiguidades escolares. Tambm havia o fato que a maioria dos aplausos que 
ele estava conseguindo estava vindo de uma mulher na fila dianteira. Minha me.
  
  -Ei - Shannon disse. - Aquilo no ... 
  
  -Sim - eu a interrompi. - Sim, .
  
  Alguns minutos depois, o leilo comeou com Andy fazendo uma imitao muito boa desses leiloeiros voc v na televiso, um que realmente fala rpido. Ele estava 
gesticulando uma cadeira de plstico laranja feia e declarando isto "Eames autntico" e perguntando se qualquer um estava disposto a dar cem dlares para isto. 
  
  Cem dlares? Eu no teria negociado um saboroso Rice Krispies por isto.
  
  Mas no iria saber isto, as pessoas na audincia estavam erguendo as notas delas e logo a cadeira foi por 350 dolres! E ningum at mesmo se queixou do roubo 
que aquilo era.
  
  Claramente Irm Ernestine tinha impressionado nesta audincia quando a escola precisou de seu repavimento de tribunal de basquetebol, porque as pessoas estavam 
jogando fora o pouco dinheiro delas nos pedaos mais unteis de lixo. Eu vi o tia Pru de CeeCee e meu prprio professor de histria, o Sr. Walden ambos licitao 
um contra o outro para um abajur extremamente horroroso. Tia Pru ganhou finalmente - Por 175 dlares. - Ento caminhou para a direo de Sr. Walden, aparentemente 
para se regozijar. A no ser que alguns minutos depois, eu os vi juntos tomando uma limonada e os escutei rindo sobre compartilhar custdia do abajur, como se isto 
fosse uma criana em uma determinao de divrcio. Shannon, enquanto observando isto, falou:
  
  -Ual, aquilo  atraente, no ?
  
  
  
  A no ser claro, que no era totalmente. No  atraente quando a tia estranha de sua melhor amiga e seu professor de Histria fazem uma conexo de amor, e voc 
no pode ligar para o sujeito que voc gosta porque, oh adivinhe s, ele  um fantasma e no tem um telefone.
  
  No que eu fosse ligar para Jesse, eu no tinha muita coisa para dizer a ele. O que ia eu dizer, poderia ser: "Ah, sim, a propsito, o Paul quer viajar no tempo 
e fazer com que voc no morra. Mas eu planejo impedi-lo. Porque eu quero que voc vague no inferno durante aproximadamente cento e cinqenta anos, assim voc e
eu podemos andar no carro de minha me. Certo? Tchauzinho".

  No entanto, isso no era o que ia acontecer. Paul no iria voltar no tempo, eu acho. Porque ele no tinha a ncora de que seu av havia falado. A ncora que liga
ele e a noite que Jesse morreu.
  
  Ou ento era o que eu dizia a mim mesma - o que eu reafirmava para mim mesma - at o momento que Andy segurou a fivela de prata do cinto que Brad tinha achado 
enquanto limpava o sto.Quando ele achou isto - enfiado entre as ripas do cho abaixo da janela do sto - isto tem sido a sua coisa velha manchada e eu raramente 
olhei para isso duas vezes. Andy jogou isso na caixa marcada Leilo da Misso e no pensou nele de novo.
  
  Quando ele segurava isso agora, eu vi que estava brilhando na luz do sol da tarde. Algum tinha lavado e polido. E agora Andy estava pensando sobre como isso era 
um artefato de quando nossa casa tinha sido o nico hotel da rea - um jeito sofisticado de dizer que isso era realmente uma penso - e que a sociedade Histrica 
de Carmel datou de aproximadamente 150 anos de idade.
  
  Quase ao mesmo tempo em que meu namorado morreu.
  
  -O que eu vou conseguir por essa brilhante fivela de prata? - Andy quis saber. - Um pedao real de trabalho manual fora de moda. Olhe os detalhes de ornamentao 
do D cravado nele. 
  
  Shannon, sentando do lado dele, de repente disse:
  
  - O seu irmo fala de mim? Dave, eu quero dizer.
  
  
  Eu estava preguiosamente observando o meu padrasto. O sol estava muito forte e estava difcil pensar em qualquer coisa que no fosse o quanto eu desejava estar 
na praia.
  
  -No sei - eu disse - Eu entendia a dor da Shannon claro, ela tinha uma queda pelo cara. Tudo que ela queria saber era se ela estava ou no perdendo seu tempo. 
  
  Como irm do objeto de sua afeio, entre tanto, tudo que eu podia pensar era... eca. Tambm, David  muito jovem para ter uma namorada. 
  
  -Um dos membros da Sociedade Histrica - no pense que eu no vejo voc ai, Bob- disse Andy rindo - At aventurei que essa fivela possa ter pertencido ao cl Diego, 
muito antiga e respeitada famlia, que se estabeleceu nessa rea, quase h duzentos anos atrs.
  
  Respeitada, uma ova. Os Diegos - ou pelo menos o fantasma de um dos membros da famlia que eu tive a m sorte de encontrar - tinham todos sido de ladres e assassinos. 
  
  -Eu acho que por essa razo e no apenas por sua intrincada beleza- Andy continuou - Esta pea vai ser muito procurada por colecionadores um dia... E quem sabe, 
talvez at hoje em dia!
  
  - O David no fala muito sobre garotas em casa - eu disse para Shannon. - Pelo menos, no comigo.
  
  -Ah. - Shannon parecia desapontada - Mas voc acha... Bem, voc acha que se ele gostasse realmente gostasse de uma garota seria algum assim como eu?
  
  - Vamos comear as ofertas para essa tima e autentica jia com 100 dlares - Andy disse. - Cem dlares, sim, temos cem dlares. Que tal cento e vinte e cinco 
dlares?Quem d cento e vinte e cinco dlares?
  Eu pensei sobre o que Shannon tinha me perguntado. David, uma namorada? O mais novo dos meio-irmos, eu no poderia imaginar David com uma namorada, muito menos 
imagina-lo atrs de um volante ou at jogando futebol. Ele s no  esse tipo de cara. 
  
  -Trezentos e cinqenta - Eu ouvi Andy dizer - Eu ouvi trezentos e cinqenta?
  
  Mas eu supus que David dirigiria um carro. Quer dizer, eu dirijo agora e houve um tempo em que minha famlia se desesperava que isso um dia pudesse acontecer. 
Fazia sentido que um dia David tivesse dezesseis e fizesse as mesmas coisas que seus irmos mais velhos Brad, Jake e eu estvamos fazendo...Voc sabe, dirigir, sair 
com membros do sexo oposto. 
  
  -Meu Deus, Bob - Andy disse no microfone - Voc no estava brincando quando mencionou o quo importante esta pea seria no leilo hoje. - Eu tenho setecentos dlares. 
Ok, setecentos e cinqenta. Eu ouvi oitocentos?
  
  -Claro - Disse para Shannon. - Eu quero dizer, por que o David no gostaria de voc?Eu quero dizer, se ele gostasse de algum mais do que outro algum, o que no 
estou dizendo que ele goste. Bom, pelo menos que eu saiba.
  
  -Verdade? - Shannon parecia preocupada - Porque o Dave  realmente inteligente. Eu acho que ele provavelmente s gostaria de garotas inteligentes. Mas eu no estou 
me dando bem em Matemtica.
  
  -Eu tenho certeza que o David no se importaria com algo assim - eu disse, muito embora eu no estivesse certa disso. - At ento, se sabe que voc  uma pessoa 
legal e tal.
  
  -Verdade? - Shannon corou. Realmente acha isso?
  
  Meu Deus, o que eu tinha dito?
  
  Felizmente naquele momento, Andy bateu forte com seu martelo e distraiu a Shannon gritando:
  
  -Vendido por mil e cem dlares.
  
  -Uau - Shannon disse. - Isso  muito dinheiro.
  
  Ela no era a nica em choque. Havia um som espantado na multido. Mil e cem dlares foram o mximo que qualquer item que o conjunto tenha conseguido at agora. 
Eu estiquei o meu pescoo para ver que tipo de bobo tinha dado todo esse dinheiro para queimar nesse tipo de lixo. E estava espantada que Andy ainda estivesse segurando 
a fivela que Jake tinha achado no sto...
  ... E aquele Paul Slater, dentre todas as pessoas, estava abrindo caminho para pegar sua pea. 
  
  Eu observei enquanto Paul, parecendo satisfeito, apertou a mo do Andy, pegou a fivela e sacou o seu talo de cheques.Que perdedor, eu pensei. Quer dizer, eu j 
sabia h muito tempo que Paul era um esquisito, mas jogar fora o seu suado - nem to suado assim, realmente - eu tinha quase certeza que ele estava pagando pela 
fivela com fundos roubados dos Gutierres - Pedao de lixo como aquele... Bem, isso era loucura. 
  
  No fazia sentido algum. Porque Paul Slater gastaria mil e cem pratas em uma fivela amassada... Se ela pelo ou menos tivesse sido polida e pudesse ser ligada ao 
seu dono original, algum do cl Diego?
  
  E ento, como se algum tivesse batido com o martelo do Andy na minha cabea, finalmente fez algum sentido, e tudo ficou claro. E eu comecei a sentir como seu 
eu pudesse atirar todas aqueles bolinhos que ns estvamos secretamente jogando nas costas da irm Enerstine. Eu acho que devo ter mostrado no meu rosto, j que 
ela respirou fundo e perguntou:
  
  -Voc est bem?
  
  - Bar do limo estragado - eu disse - J volto. - Eu levantei e corri da mesa de bolinhos, em volta das filas de cadeiras desmontveis e ai subindo o corredor 
do palco onde Paul estava em p. Mas antes que pudesse chegar em algum lugar perto dele, algum me agarrou pelo brao.
  
  Meu corao estava batendo to rpido por conta dessa histria Paul- tentando- manter - meu- namorado - sem - morrer que eu quase pulei uma milha no ar, eu estava 
ofegante, mas quando eu me virei, era apenas minha me. 
  
  -Suze, querida - ela disse, sorrindo lindamente para Andy atrs do seu pdio. - Isso no  engraado? Andy no est maravilhoso?
  
  - - eu disse - Sim, me.
  
  - Ele nasceu para isso, no foi? - ela est to apaixonada por esse cara. Isso  completamente nojento. De uma maneira boa, eu acho, mas ainda nojento. 
  
  - Sim - eu disse - Olha, eu tenho que...
  
  Mas eu no deveria ter me preocupado. Porque Paul me achou.
  
  -Suze - disse ele descendo os degraus do palco. Eu estava muito atrasada, a transao estava completa, a fivela j estava em suas mos - Legal encontrar voc aqui. 
  
  - Eu preciso falar com voc - eu disse mais intensamente do que eu desejava, porque tanto minha me, quanto a Irm Enerstine, que estava perto do Paul ainda com 
o cheque em suas mo, viraram para me olhar. 
  
  -Suze, querida, voc est bem? 
  
  -Eu estou tima - eu disse rapidamente. Eles podiam dizer que meu corao estava batendo uma milha por minuto e minha boca estava to seca quanto areia? - Eu apenas 
preciso falar com Paul bem depressa.
  
  - Quem est tomando conta da barraca de bolinhos? - quis saber irm Enerstine.
  
  -Shannon est controlando - eu disse, pegando Paul pelo brao, ele estava nos observando - minha me, irm Ernestine e eu - com um sorrisinho sarcstico, como 
se tudo que ns estamos dizendo o divertisse muito. 
  
  -Bem, no a deixe sozinha por muito tempo - disse severamente irm Enerstine - dava para ver que no era bem o que ela queria dizer, porm, era at onde ela queria 
ir na frente da minha me.
  
  -Pode deixar, irm - eu disse.
  
  Ento eu puxei o Paul para longe do palco e para trs de uma das mesas onde estavam expostos ao resto das coisas que estavam para se leiloadas.
  
  -O que voc pensa que est fazendo? - eu sussurrei para ele no momento que ns estvamos fora da audio. 
  
  -Bem, Suze - ele disse parecendo que estava achando a situao muito divertida - Bom te ver tambm.
  
  -Ah, no vem com essa - eu disse, estava meio difcil fala com a minha boca seca e tal, mas eu no ia desistir. - Para que voc comprou aquela fivela? 
  
  -Isso? - Paul abriu seu punho e eu vi um flash prateado brilhando ao sol por um segundo antes que ele fechasse seus dedos novamente. - Ah, no sei, s achei que 
era bonita.
  
  - Mil e cem dlares pela beleza? - Eu o encarei esperando que ele no visse o quanto eu estava tremendo. - Fala srio Paul, eu no sou estpida. Eu sei porque 
voc comprou essa coisa
  
  -Srio? - O sorrisinho de Paul foi mais enfurecedor do que o normal -Me esclarea. 
  
  - S que no vai funcionar - meu corao estava batendo em minhas costelas, mas eu no tinha como voltar atrs. O ltimo nome de Jesse  de Silva,  um S e no 
um D. Essa fivela no  dele. 
  
  Eu esperava que essa novidade tirasse aquele sorrisinho irritante do seu rosto, s que no tirou.
  
  Os cantos da sua boca nem se moveram.
  
  -Eu sei que no  a fivela de Jesse - disse ele displicentemente - Algo mais, posso ir agora?
  
  O encarei. Eu podia sentir o meu pulso diminuindo, e o zumbido que estava no meu ouvido desde que eu descobri que ele era o novo dono da fivela, de repente desapareceu. 
Pela primeira vez em muitos minutos, eu pude respirar fundo, antes s conseguia respirao curta.
  
  - Ento...Ento voc sabe - eu disse me sentindo ridiculamente aliviada - Voc sabe que no pode usar isso para voltar no tempo e salvar o Jesse.
  
  -Claro - Paul disse, seu sorriso crescendo mais do que nunca - Porque vou voltar no tempo para impedir o assassino do Jesse. At loguinho, Suze.
  
  Captulo 10
  Diego. Felix Diego, o homem que tinha matado Jesse, porque a noiva do Jesse, a odiosa Maria, pediu para ele, ela queria se casar com Diego, um traficante de escravos
e mercenrio, ao invs do homem que o seu pai tinha escolhido para ela se casar, seu primo Jesse. 
  
  Mas Jesse nunca chegou ao casamento, isso porque ele foi morto no caminho por Felix Diego, embora naquela poca, ningum soubesse disso. Seu corpo nunca foi achado. 
As pessoas - at da famlia do Jesse - acharam que ele tinha escolhido fugir ao invs de se casar com uma garota que no amava e que no o amava. Maria ento se 
casou com Felix, e eles produziram uma grande quantidade de crianas que mais tarde se tornaram assassinos e ladres. E, no h muito tempo atrs, o par deles, me 
fez uma visitinha.
  
  Agora Paul estava indo impedir Diego de matar Jesse... Provavelmente matando Diego ele mesmo.  fcil para os deslocadores matarem pessoas. Tudo que temos que 
fazer  remover suas almas dos seus corpos, escoltar eles para sua estao espiritual, o seu destino - no importa qual for, cu, inferno, prxima vida-  decidido, 
e em seguida de volta para terra, outra morte inexplicvel, outro corpo no necrotrio
  Ou, no caso de Diego, a casa gelada, porque eles no tinham necrotrios na Califrnia em 1850.
   Exceto que no iria acontecer assim. Eu no iria deixar Paul fazer isso. Ah claro, Diego merece morrer. Ele era a pessoa mais baixa e sem carter da terra. Ele 
matou meu namorado, depois de tudo. Mas se Diego morrer, isso significaria que Jesse no ir morrer. E assim eu nunca iria conhecer ele. Eu sei,  claro, que eu 
no poderia deter Paul sozinha, eu precisaria de reforo. 
  Felizmente, eu sabia exatamente onde encontra-lo. Assim que o leilo acabou, e a irm Enestine nos dispensou com um curto, "Voc pode ir agora". Eu fui para o 
carro da minha me, o qual ela me permitiu graciosamente pegar emprestado para usar durante o dia, na luz, para minha ajuda voluntria na Misso. Paul tinha partido 
no segundo depois que ele soltou sua pequena bomba para parar o assunto de Feliz Diego. Eu no tinha jeito de ver, realmente, onde ele desapareceu.
Mas eu tinha uma tima idia de como saber.

  O sol estava comeando a se estabelecer quando eu pulei na direo da paisagem, pintando no cu ocidental um profundo laranja queimado, e tornando o mar com cor 
das flamas. As janelas ao lado dos passageiros refletiram a luz do sol, ento voc conseguia ver dentro dele. 
  Mas eu soube que atrs do incandescer dos vidros, as famlias estavam apenas se preparando pra jantar... Como a minha famlia devia estar. Eu ia estar em grandes 
apuros pelo o que eu estava fazendo... 
  ...No pelo fato de tentar impedir Paul de salvar a vida do meu namorado, mas por perder o Jantar. O jantar era a "hora familiar" mais importante para O Andy, 
era sempre ele que cozinhava. 
  Mas que escolha eu tinha? Havia uma vida em jogo aqui. E certo, essa vida pertenceu a um assassino odioso que mereceu morrer. Isso estava fora do caso. Paul tinha 
que ser impedido. E eu conhecia somente uma pessoa a quem ele poderia possivelmente escutar.
  Mas quando eu entrei pela entrada de automveis, eu vi que o meu pnico tinha sido pra nada. No era s a BMW prata conversvel de Paul que estava l, junto dele 
estava um Boxster Porsche vermelho que eu reconheci muito bem. 
  Paul no ia, eu soube, seria uma alternativa dura, de qualquer modo eu tinha que agir logo.

  Eu estacionei atrs do Boxster, ento com pressa eu me dirigi para as etapas de pedra  porta dianteira daquela casa moderna, onde eu me inclinei para tocar a 
campainha. Uma brisa gostosa vinha do mar. Sentindo-a, parecia quase, que tudo no mundo estava certo... Qualquer coisa que estivesse limpa e fresca tinha que ser 
bom, certo?

  Errado, muito errado. A gua na baia de Carmel pode ser traioeira, com rspidos perigos, levando em conta de que vrias pessoas que estavam de frias e vieram 
visitar morreram nela. Estava cabendo que Paul vivesse Jardas justas longe de algum caminho mortal.
  
  E foi Paul mesmo que abriu a porta. Eu poderia dizer que ele estava esperando um entregador de pizzas e no eu, porque logo que abriu a porta, pegou a carteira 
do bolso.
Para a sua alegria, quando ele viu que era eu e no por exemplo o meu meio-irmo Jake que  entregador de Pizza. Paul no ficou surpreso, ele simplesmente guardou 
a sua carteira de volta no bolso e disse com um sorriso lento:
  
  -Suze. A quem eu devo esse prazer?

  -No comea Paul - Eu disse, com sorte, eu acho que consegui esconder a minha voz rouca fazendo uma voz spera, tentando esconder o que era na verdade, sim, era 
medo. - Eu No estou aqui para v-lo.
  -Paul? - Uma voz familiar veio de dentro da casa. - Certifique-se que eles dem pra voc o acrscimo, voc sabe, Whaddyacall`ems, os quentes.
Paul olhou sobre seu ombro e eu vi Kelly Prescott - sem sapato, com as correias do seu vestido Betsey Johnson completamente soltas - descendo a escada.

  -Ah - ela disse quando viu que quem estava na porta era eu e no o entregador de pizza. - Suze. O que voc est fazendo aqui?

  -Desculpe interromper - eu disse, com a esperana de que eles no vissem o quo rpido o meu corao estava batendo por de baixo da blusa branca que a irm Ernestine 
me fez usar. - Mas eu realmente preciso trocar uma palavrinha com o seu av.
  
  -Vov Vegetal? - Kelly Olhou para Paul curiosa. - Voc me disse que ele no consegue falar.

  -Aparentemente - Paul disse, o sorriso divertido dele nunca abandona a sua cara - Ele consegue. Mas s com a Suze. 
  
  Kelly lanou um olhar sarcstico para mim.
  
  -Nossa, Suze - Ela disse - Eu no sabia que voc era assim com as pessoas velhas.
  
  -Eu sou, - Eu disse com um riso nervoso que eu esperei que no soasse to nervoso para os ouvidos deles quanto soou para meus prprios ouvidos.-Amiga das pessoas 
velhas. Ento... Eu posso entrar?
  Eu meio que esperava Paul dizer No.Eu quero dizer, ele devia saber porque que eu estava l. Ele devia saber que eu s estava l para falar com o Dr. Slaski para 
ver se ele sabia algum modo de impedir o neto de brincar com o passado e bagunar o meu presente.

  Porm ao invs de ficar bravo ou at mesmo um pouco chateado.Paul escancarou a porta e disse:
  
  - Seja minha convidada. 
  
  Eu entrei e dei um sorrisinho pra Kelly enquanto eu passava por ela e subia a escada para o corredor principal. Kelly no devolveu o meu sorriso. Eu pude observar 
enquanto eu passava pela sala de estar que a lareira estava acesa e em cima da mesa de centro em frente a um pequeno sof tinha algumas taas, reparei que devia 
ter interrompido um momento entre Paul e ela. 
Eu tentei no levar aquilo pelo lado pessoal, Paul nunca tinha aberto conhaque nem acendido a lareira durante as muitas vezes em que estive com ele. Isso no importa, 
eu estava, afinal de contas, comprometida. Mesmo assim me bateu a sensao de que eu tentei fazer demais. Kelly estava a um bom tempo de olho em Paul. Ela seria 
feliz comendo carne seca e tomando Jerky com ele, mesmo sem fogo na lareira ou um conhaque da marca Courvoisier.
  
  Eu passei correndo pela sala, desci pelo longo corredor que leva ao quarto do Dr. Slaski e eu podia ouvir o programa que passava na TV. Com certeza isso era melhor 
do que ficar assistindo a beijao do Paul e da Kelly.
  
  Quando eu cheguei no quarto de Dr. Slaski, eu parei e bati, s para ter certeza de que eu no estava interrompendo um banho de esponja ou qualquer coisa. Quando 
ningum me pediu para entrar, eu prossegui e empurrei a porta em parte aberta. O criado de Dr. Slaski estava acomodado em uma cadeira no canto, levando em conta 
o que, provavelmente era um cochilo bem-ganho. O prprio Dr. Slaski, deitado na cama de hospital dele, parecida estar dormindo muito bem. 
  Eu odiei acorda-lo,  claro, mas que escolha eu tive? Eu estava errada pensando que ele poderia querer saber que o prprio neto dele estava pensando em mexer no 
curso da histria, algo que ele tinha me advertido que era um perigo extremo? 
  
  -Dr. Slaski? - Eu sussurrei, porque eu no queria acordar o criado - Dr. Slaski? Voc est acordado? Sou eu, Suze. Suze Simon. Eu tenho algo realmente importante 
que eu preciso lhe perguntar. 
  
  Dr. Slaski abriu um olho e olhou para mim.
  
  -Isto - ele ofegou e sua respirao no soou direito - Tem que ser bom. 
  
  -No  - eu o assegurei. - Eu quero dizer, no so notcias boas, de qualquer maneira.  sobre Paul. 
  
  Dr. Slaski olhou para o teto. 
  
  -Por que eu no estou surpreso? 
  
  - s que - eu disse, enquanto decaindo-me sobre a poltrona ao lado da cama dele -  que eu acho que o Paul quer voltar por tempo. 
  
  As plpebras de Dr. Slaski abriram-se um pouco mais:
  
  -Salvar a humanidade das atrocidades de Stalin?
  
  -Hum - eu disse. - No. Impedir meu namorado morrer.
  
  O av de Paul fixou seus olhos em mim - E esta  uma coisa ruim... Por qu? 
  
  -Porque se o Paul voltar no tempo e salvar Jesse - eu sussurrei, para que o criado no escutasse - eu nunca o conhecerei!

  -Paul?

  -No - Eu no pude acreditar nisto. - Jesse!

  Dr. Slaski lambeu os lbios rachados dele.

  -Porque - ele ofegou - Jesse est...
  
  -Morto, certo? - Eu atirei para o criado ainda dormindo um olhar cuidadoso. - Jesse est morto. Meu namorado  um fantasma. 
  
  Lentamente, Dr. Slaski fechou seus olhos. 
  
   -Eu no - ele suspirou, - tenha pacincia com isso. Eu no estou me sentindo muito bem hoje. 
  
  Dr. Slaski! - Eu me inclinei para frente e segurei o brao dele. - Por favor, voc tem que me ajudar. Diga ao Paul que ele no pode fazer isto.Conte a ele que 
no se pode brincar com o tempo, do mesmo modo que voc me contou. Fale que  perigoso, que aquilo acabar com ele, assim como acabou com voc. Fale algo, qualquer 
coisa. Mas voc tem que conseguir par-lo antes que ele arrune minha vida!
  
  Dr. Slaski, com os olhos ainda fechados, balanou sua cabea lentamente de um lado para o outro. 
  
  -Voc veio  pessoa errada, - ele disse. - Eu no posso controlar aquele menino. Nunca consegui. Nunca conseguirei.
  
  -Mas voc ainda pode tentar, Dr. Slaski - eu chorei. - Por favor, voc precisa tentar! Se ele salvar Jesse... Se ele tiver sucesso... 
  
  -Seu corao se partir - Dr. Slaski abriu seus olhos e os fixou em mim. - Sua vida acabar. 
  
  -Sim! 
  
  -Quantos anos voc tem?- Dr. Slaski quis saber. - Quinze?Dezesseis? Voc realmente pensa que sua vida acabar se um menino por quem voc tem uma atrao, nem um 
menino, um fantasma! - que desapareceu? Ano que vem, voc no se lembraria dele, de qualquer maneira. 
  
  -Isso no  verdade - eu disse atravs dos meus dentes friccionados. - O que Jesse e eu temos. . .  algo especial. Paul sabe isso. E  por esse motivo que ele 
est tentando arruinar isto. 
  
  Dr. Slaski parecia interessado nisso. 
  
  -Ele est? - ele disse com um pouco mais animao. - E por que ele iria querer fazer o que voc est pensando? 
  
  -Porque... Eu ruborizei para admitir isto, mas que escolha tive eu, realmente? Eu respirei fundo. - Porque ele pensa que ns deveramos ficar juntos. Ele e eu. 
Porque ns somos mediadores. 
  
  Um sorriso vago e sem valor apareceu nos lbios secos e sem cor de Dr. Slaski. 
  
  -Deslocadores - ele me corrigiu. 
  
  -Deslocadores - eu disse. - Tudo que, Dr. Slaski, no est certo, e voc sabe disto. 
  
  - Pelo contrrio - Dr. Slaski disse com uma tosse catarrenta.- Provavelmente  a coisa mais inteligente que o menino alguma vez fez. Romntico, tambm. Quase me 
d f nele. 
  
  -Dr. Slaski! 
  
  -O que tem de to errado nisto, de qualquer maneira? - Dr. Slaski riu de mim. - Soa para mim como ele estivesse a fazendo um favor. Ou ao seu namorado, de qualquer 
maneira. Voc pensa que esse Jessup.. 
  
  -Jesse. 
  
  -Voc pensa que este Jesse gosta de ser o fantasma que ? Esperando por toda a eternidade, a assistindo viver sua vida, enquanto ele paira no fundo, enquanto nunca 
envelhecendo, nunca sentindo uma brisa de oceano na face dele, nunca provando novamente uma torta de morango (no sei se  isso).  o tipo de vida que voc deseja 
para ele? Voc o tem que amar muito, se isso  verdade. 
  
   Eu senti minhas bochechas pegando fogo ao ouvir o tom dele. 
  
  
  
  -Claro que isso no  o que eu quero para ele - eu disse furiosamente. -Mas se essa  a nica alternativa, eu no quero. E nem ele! 
  
  -Mas voc no lhe perguntou, tem certeza disso? 
  
  -Bem, eu. 
  
  -Voc tem? 
  
  -Bem - eu olhei para baixo, incapaz de fixar o olhar nos dele. - No. No, eu no tenho. 
  
  -Eu no pensei assim - Dr. Slaski disse. - E eu sei por que, tambm. Voc tem medo do que ele dir. Voc tem medo que ele diga que quer viver. 
  
  Eu o observei furiosamente.
  
   -Isso no  verdade! 
  
  -E voc conhece isto. Voc tem medo que ele diga que quer viver o resto da vida dele, o modo para o que ele foi suposto, depois de nunca ter a conhecido.
  
  -Tem que ser de outro modo! - eu chorei. - No pode ser naquele momento uma coisa ou outra. Paul disse algo sobre transferncia de alma. 
  
  -Ah - Dr. Slaski disse. - Mas para isso, voc precisa ter um corpo disponvel sem alma para que voc possa transferir a dele. 
  
  Eu pensei maldosamente no de Paul. 
  
  -Eu penso que eu conheo um - eu disse. 
  
  Como se ele lesse meus pensamentos, Dr. Slaski disse: 
  
  -Mas voc no far isso. 
  
  Eu levantei minhas sobrancelhas. 
  
  -No vou? 
  
  -No, - ele disse. A voz dele estava comeando a soar mais lnguida e mais lnguida. - No, voc no vai. Ele vai. Se ele pensa que vai conseguir o que ele quer. 
Mas no voc. Voc no tem isto em voc. 
  
  -Eu fao - eu disse mais furiosa de que eu era capaz. 
  
  Mas Dr. Slaski s balanou novamente a cabea dele. 
  
  -Voc no  como ele, - ele disse. - Ou eu. Nenhuma necessidade para se pr sensvel sobre isto.  uma coisa boa. Voc viver muito mais tempo. 
  
  - Talvez, - eu disse, enchendo de lgrimas meus olhos e olhando desanimada para minhas mos. - Mas do que adianta, se eu no estou feliz? 
  
  Dr. Slaski no disse nada durante algum tempo. A respirao dele tinha ficado bastante pesada que depois de um minuto ou algo parecido, eu comecei a pensar que 
ele estava roncando, e o observei, enquanto temendo que ele tivesse dormido. 
  
  Mas ele no tinha. - o olhar dele estava fixo em mim. 
  
  - Voc ama este menino? - Dr. Slaski perguntou finalmente. - 
  Jesse? - eu acenei com a cabea, incapaz de dizer mais nada. 
  
  -H uma coisa que voc poderia fazer - ele ofegou. - Nunca tentei isto, mas poderia dar certo. No recomendo isto, claro. Provavelmente a colocaria em uma sepultura 
cedo, como eu estarei, rpido demais. 
  
  Eu me inclinei para frente em minha cadeira. 
  
  -O que  - eu chorei. - Me fale, por favor. Eu farei qualquer coisa... Qualquer coisa! 
  
  -Qualquer coisa que no envolve a matana de algum, voc quer dizer - Dr. Slaski disse enquanto tossia de uma forma que parecia que levaria anos para ele se recuperar. 
Finalmente, ele se recuperou da tosse e ofegou - Quando voc volta...
  
  -Voltar? No tempo, voc quer dizer? 
  
  Ele no respondeu. Ele apenas olhou para o teto. 
  
  -Dr. Slaski? Voltar no tempo?  que o que voc quis dizer? 
  
  Mas Dr. Slaski nunca terminou aquela orao. Porque a meio caminho disto, a mandbula dele ficou frouxa, os olhos dele fecharam-se, e ele caiu so adormecido. 
  Ou pelo menos era isso que eu achei que tivesse acontecido. 
  
  Eu no pude acreditar no que estava vendo. Ele est a ponto de me dar uma informao valiosa para eu poder salvar o Jesse, e de repente ele dorme? Qual o sentido 
disso? 
  
   Eu dei tapinhas na mo dele, esperando que isso pudesse acorda-lo. - Dr. Slaski?- Eu chamei um pouco mais alto. Quando ele no respondeu, o pnico comeou.
  
  -Dr. Slaski? - Eu chorei. - Dr. Slaski, acorde!
  
  Meu grito acordou o criado. E o criado se levantou imediatamente, assustado.

-O que est acontecendo?O qu? 

-Eu no sei - eu gaguejei. - Ele-ele no acordar.

Os dedos do criado voaram em cima do brao do av de Paul, para sentir a pulsao.

A prxima coisa que eu soube  que ele tinha agarrado o velho e comeou a bater no trax dele. 

-Chame o 911 - ele gritou pra mim. 
Eu estava em p sem entender nada.

- Ele h pouco estava falando comigo - eu disse. - Ns estvamos tendo uma conversa totalmente normal. Eu quero dizer, ele estava tossindo muito, mas... Mas ele 
estava bem. E ento de repente.

O criado teve que dizer isto duas vezes. 

-Chame o 911! Chame uma ambulncia!
  
  Foi ai que eu reparei que havia um telefone dentro do quarto. Eu o peguei e disquei. Quando a operadora surgiu na linha, eu disse a ela que precisvamos de uma 
ambulncia e dei o endereo. Naquela hora, atrs de mim, o atendente tinha colocado uma mscara de oxignio sobre o rosto do Dr. Slaski e estava enchendo uma seringa 
com alguma coisa.

  - Eu no estou entendendo - Ele repetia sem parar - Ele estava bem, h uma hora atrs. Ele estava bem!

  Eu tambm no entendia, s se o Dr. Slaski estava bem mais doente do que ele aparentava estar.
No havia muito que fazer para ajudar, ento eu achei melhor ir e contar a Paul que seu av tinha tido algum tipo de ataque. Eu cheguei na sala bem a tempo de ver 
Kelly sentada no sof ao lado de Paul com suas pernas enroscadas nas de Paul como um lao e sua lngua colada da boca de Paul...Uma viso que eu pagaria um bom dinheiro 
para ser poupada.
  
  Ignorando Kelly, eu disse:

  -Paul, seu av parece estar tendo um ataque de corao ou algo do tipo. 
Paul olhou para mim por olhos meio oprculos. E Kelly quase "me comeu com os olhos". 

  -O que? - Ele disse estupidamente. 

  -Seu av - eu ergui uma mo para tirar os cabelos que estavam por cima dos meus olhos. Eu esperei que ele no notasse o tremor em meus dedos. - Uma ambulncia 
est a caminho. Ele deve ter tido um ataque do corao ou algo do tipo.
  
  Paul no me olhou surpreso. Ele disse Oh com uma voz do tipo decepcionada... Mas isso foi mais pelo o fato de ter sido interrompido com a sua *sesso beijao* 
com Kelly do que como o av dele estava, todos ns sabemos com ele estava, morrendo.

  -Esteja certa - Paul disse comeando a tirar os ps de Kelly de cima dele.
-Pa-ul - Kelly Gritou. Ela deu ao nome deles duas slabas, que soou como Paw-uol.

  - Desculpe, Kel. - Paul disse, dando uma tapinha nela. - Meu av teve uma overdose com seus medicamentos outra vez. Preciso tomar conta desses assuntos.

  Kelly fez um bico. 
  
  - Mas a pizza ainda nem chegou! 

  - Ns teremos que deixar para outro dia, baby. - Ele disse. 

  Baby. Eu estremeci. 

  Ento eu entendi o que ele tinha dito. Enquanto ele se movia, passando por mim para entrar no quarto de seu av, eu o alcancei e segurei seu brao. - O que voc 
quis dizer com overdose de medicamentos? - Eu falei. 

  - Ah. - Paul disse, olhando baixo para mim com um meio sorriso. - Porque foi isso que aconteceu? 

  - Como voc sabe? Voc nem mesmo o viu ainda!

  - Hmm. - Ele disse, o sorriso ficou mais largo. - Porque talvez eu tenha contribudo para isso acontecer.
  
  Eu deixei cair minha mo como se sua pele tivesse, de repente, em chamas. - Voc fez isso? - Eu no podia acreditar no que eu estava ouvindo. 
Exceto pelo fato de que eu deveria ter acreditado. Eu realmente deveria ter acreditado. Porque era Paul. 
- Por Deus, Paul, por qu? 

  - Eu sabia que voc estaria vindo v-lo depois do que aconteceu hoje no leilo. - Ele disse dando de ombros. - E, francamente, eu no precisava brigar com o homem 
velho. Agora se voc me d licena...

  Ele foi caminhando no corredor no sentido do quarto do seu av. Eu olhei fixamente para ele, no acreditando realmente no que eu tinha acabado de ouvir. 
No entanto... 

  No entanto fazia sentido. Esse era o Paul, alm de tudo. Paul, um garoto cujo carter era um pouco duvidoso. 

  Sentindo-me paralisada, eu voltei para a sala, onde Kelly calava os sapatos e gritava em seu celular. - No, eu estou dizendo para voc, ela veio entrando aqui, 
exigindo saber o que eu fazia com seu namorado. Bom, est bem, ela no disse exatamente isso. Ela inventou alguma histria que queria falar com o av de Paul. , 
eu sei, ele no pode falar. Eu sei, voc j ouviu uma desculpa mais esfarrapada? Ento ela... - Olhando para cima, Kelly me viu. - Ah, desculpe, Deb, tenho que desligar, 
ligo para voc depois. 
  
  Ela desligou e apenas continuou l, olhando para mim. - Obrigada. - Ela disse finalmente. - Por estragar o que, de outra maneira, podia ter sido uma noite realmente 
agradvel.

  Eu tentei lhe dizer a verdade - que eu no estragara nada. Paul foi quem aparentemente supermedicou seu av. Pelo menos, aquilo parecia ser o que ele queria que 
eu acreditasse.
  
  Mas qual era o ponto? Ela no acreditaria em mim, em todo o caso. 

  - Desculpe. - Foi tudo que eu disse e comecei a ir em direo  porta. 

  Quando eu a abri, entretanto, eu vi meu meio-irmo, Jake, l e uma caixa de pizza em sua mo.

  - Pennsula Pizza, aquela que entrega em 27 minutos... - Sua voz travou quando me reconheceu. - Suze? O que voc est fazendo aqui?

  - Apenas indo embora. - Eu disse. 

  - , bom,  melhor voc ir. - Jake olhou de relance para seu relgio. - Seno voc vai se atrasar para o jantar. E papai vai mat-la. 

  Contudo ainda havia uma coisa a fazer. 

  - Kelly. - Eu gritei para as escadas. - Sua pizza chegou! - Para Jake eu disse: - Espero que voc tenha lembrado da pitada de pimenta. 

  Ento eu sa.
  
  
  Captulo 11
  
  Por causa do leilo, Andy estava pondo o jantar na mesa atrasado, assim eu acabei chagando em casa a tempo. Eu acho que minha me no entendeu porque eu estava 
to quieta durante a refeio. Ela talvez tenha pensado que eu tinha tomado muito sol na barraca de venda do leilo. 

  - Irm Ernestine devia pelo menos ter lhe dado um guarda-chuva. - Ela disse enquanto ajudava Andy a preparar a carne de porco. - Aquela menina que estava sentada 
com voc...Qual  mesmo o nome dela? 

  - Shannon. 

  S que no foi eu que disse. Foi David. 

  - Sim, Shannon. - Minha me disse. - Ela  ruivinha, como David. 
  
  Muito sol pode ser muito prejudicial aos ruivos. Espero que ela esteja usando protetor solar. 
Eu meio que esperei que David comeasse com um de seus usuais comentrios - voc sabe, as estatsticas exatas sobre os incidentes de cncer de pele que ocorrem em 
alunos da oitava srie no norte da Califrnia, ou algo do tipo. Sua cabea  cheia de vrias informaes inteis como aquela. Em vez disso, ele apenas ficava batendo 
nas batatas em torno de seu prato, at o Brad, que terminou todas suas prprias batatas, falou:
  
  - Cara, voc vai comer isso ou brincar com elas? Porque se voc no quiser, pode me dar. 

  - David. - Andy disse. - Acabe com o que est no seu prato. - David pegou um talher e comeu as batatas. 

  O olhar de Brad passou imediatamente sobre o meu prato. Mas o olhar esperanoso em seu olho desvaneceu-se quando viu quo limpo ele estava. No, claro, que eu 
estivesse sentindo vontade de comer. Nem nada. 
Mas eu tinha Max, o chachorro-lixeiro da famlia, ao meu lado, e eu tinha a esperteza de mandar para ele o que eu no queria comer.
  
  - Ser que eu posso sair da mesa? - Eu perguntei. - Eu acho que talvez eu tenha tomado sol um pouco demais... 

  -  a vez de Suze pr os pratos no lava-louas. - Brad declarou. 

  - No, no . - Eu no podia acreditar nisso. Estas pessoas no entendiam que eu tinha coisas mais importantes a fazer do que me preocupar com trabalhos de casa? 
Eu tinha que me certificar de que meu namorado estava morto, como ele deveria estar. - Eu fiz isso na semana passada.

  - Nananinano. - Brad disse. - Voc e Jake negociaram a semana, lembra? Porque ele tinha que trabalhar na entrega de pizzas esta semana. 

  J que isto era incontestavelmente verdadeiro - eu mesma tinha visto a evidncia na casa de Paul - eu no podia discutir sobre nada. 

  - Certo. - Eu disse, empurrando a parte de trs da cadeira, quase batendo em Max no processo, e me levantei. - Eu farei isso. 

  - Obrigada, Suzinha. - Minha me disse com um sorriso quando eu peguei seu prato.

  Minha resposta no foi exatamente graciosa. Eu murmurei:
  
   - Tanto faz. - E entrei na cozinha com todos os pratos, Max me seguiu prximo aos meus calcanhares. Max ama quando eu estou com a obrigao de lavar os pratos, 
porque eu raspo tudo em sua bacia de comida, melhor do que pr no compactor de lixo.
Mas nessa noite, Max e eu no estvamos sozinhos na cozinha. 
Mesmo que eu no visse mais ningum l, eu sabia que havia algo acontecendo quando Max, de repente, levantou sua cabea de sua bacia e fugiu, seu alimento estava 
apenas parcialmente comido, com sua cauda entre seus ps. S uma coisa tinha o poder fazer Max dispensar a carne de porco, e era a visita de algum do alm. 
Ele se materializou um segundo mais tarde.
  
  - Ei, filha. - Ele disse. - Como  que voc vai? 

  Eu no gritei nem nada. Eu apenas derramei o Lemon Joy no pote que Andy usa para cozinhar as batatas, enchendo-o, ento, com gua quente. 

  - tima hora, Pai. - Eu disse. - Voc poderia apenas parar de dizer oi, ou fazer algum alertar voc da minha extrema angstia mental? 

  Ele sorriu. No parecia nenhum pouco diferente de como ele era no dia em que morreu...Nenhum pouco diferente das dzias de vezes que ele tinha me visitado desde 
ento. Ele ainda estava com a camisa que tinha morrido - a camisa com a qual eu tinha dormido por muitos anos.

  - Eu ouvi dizer que voc tinha alguns...Assuntos. - Meu pai disse. 

  Aquele era o problema com os fantasmas. Quando no estavam assombrando pessoas, sentavam-se ao redor do plano espiritual, e ficavam nos bisbilhotando. Meu pai 
tinha at mesmo conhecido Jesse...Uma situao que eu contemplava horrorizada s vezes. 
E claro, quando voc est morto...Bem...No h muitas coisas para se fazer. Eu sabia que meu pai gastou uma boa poro de seu tempo livre basicamente me vigiando. 

  - Tem muito tempo que ns no conversamos. - Meu pai continuou, olhando em torno da cozinha, apreciando-a. Seu olhar caiu nas portas de vidro deslizantes e observou 
a piscina quente. Assobiou apreciando. - Isso  novo. 

  - Andy a construiu. - Eu disse. Eu comecei a limpar os pratos de Andy que ainda tinham carne de porco dentro.

  - H alguma coisa que esse cara no pode fazer? - Meu pai quis saber. Mas ele estava, eu sabia, sendo sarcstico. Meu pai no gosta de Andy. Pelo menos, no muito. 

  - No. - Eu disse. - Andy  um homem de muitos talentos. E eu no sei o que voc tem visto - ou ouvido - mas eu estou muito bem, pai. Srio.
  
  
  Eu no esperaria de voc qualquer outra coisa. - Meu pai olhou mais de perto para o balco da cozinha. - Esse granito  verdadeiro? Ou imitao? 

  - Pai. - Eu quase joguei a toalha de pratos nele. - Fique quieto e diga o que voc veio dizer. Porque se for o que eu penso que voc veio dizer, nada feito. 

  - E o que voc acha que ? - Meu pai quis saber, dobrando seus braos e inclinando-se para trs de encontro ao balco da cozinha. 
- Eu no vou deixar ele fazer isso, pai. - Eu disse. - Eu no vou.

  Meu pai suspirou. No porque estava triste. Suspirou com felicidade. Na vida, meu pai tinha sido um advogado. Na morte, ele ainda saboreava um bom argumento. 

  - Jesse merece uma outra oportunidade. - Ele disse. - Eu sei disso. Voc sabe disso.

  - Se ele no morrer, - Eu disse, atacando o pote de batata com talvez mais energia do que era estritamente necessrio. - Eu nunca o conhecerei. Igual a voc. 

  Meu pai levantou suas sobrancelhas. - Igual a...Ah, voc quer dizer que pensou em me salvar? - Ele pareceu satisfeito. - Suze, essa  a coisa mais doce que voc
j me disse.

  Ele falou aquilo. Apenas aquelas doze pequenas palavras. De repente, algo dentro de mim pareceu quebrar e, um segundo mais tarde, eu estava chorando em seus braos...S 
que silenciosamente, assim ningum mais na casa podiam me ouvir.
  
  Ah, Pai. - Eu molhei toda a parte da frente da sua camisa. - Eu no sei o que fazer. Eu quero traz-lo de volta  vida. Eu quero, realmente quero. 

  Meu pai afagou meu cabelo e disse na voz mais amvel do que voc pode imaginar:
  
  - Eu sei. Eu sei que voc quer, filhinha. 

  Isso s me fez chorar mais ainda. - Mas se eu o salvasse, - Eu engasguei. - eu nunca iria me encontrar com ele. 

  - Eu sei. - Meu pai disse outra vez. - Suzinha, eu sei.

  - O que eu devo fazer, Pai? - Eu perguntei, levantando minha cabea de seu peito e tentando me controlar - sua camisa estava praticamente toda molhada. - Eu estou 
to confusa. Ajude-me. Por favor. 

  - Suzinha. - Meu pai sorriu para mim, ainda estava alisando meu cabelo com suas mos. - Eu nunca pensei que veria o dia quando voc, de todas as pessoas, admitiria 
realmente que precisa de ajuda. Especialmente da minha ajuda. 

  Eu usei a parte de trs da mo para enxugar as lgrimas que continuavam rolando livremente no meu rosto. - Claro que eu preciso, pai. - Eu sussurrei. - Eu sempre 
precisei de voc. Eu sempre precisarei. 

  - Eu no sabia disso. - Meu pai, em vez de afagar meu cabelo, o despenteou agora. - Mas eu sei de uma coisa. Esta coisa de deslocamento no tempo.  perigoso? 

  Eu inspirei. 
  
  - Bem. - Eu disse. - .

  - E voc realmente pensa, - Meu pai continuou, a pele em torno de seus olhos enrugou. - que eu iria deixar minha filhinha arriscar sua vida para me salvar? 

  - Mas, pai...
  
  - No, Suze. - As rugas ficaram profundas e eu podia dizer que ele estava mais srio do que j tinha ficado h muito tempo. - No por mim. Eu daria qualquer coisa 
para viver outra vez. - E agora eu vi que, junto com as rugas, seus olhos estavam midos. - Mas no se isso significar que algo de ruim pode acontecer com voc. 

  Eu olhei para ele, meus olhos estavam brilhando com lgrimas. 

  - Ah, Pai. - Eu disse, incapaz de manter a pulsao de minha garganta. 

  Ele alcanou uma mo num lado do meu rosto molhado. 

  - E eu no preciso falar por Jesse. - Ele disse, inclinando minha cabea de modo que nos olhssemos nos olhos. - Mas eu acho que eu posso dizer com segurana que 
ele no gostar da idia de voc arriscar sua vida para salv-lo mais do que eu. Conhecendo-o, de fato, ele provavelmente gostar muito menos.

  Eu levantei minha mo e coloquei-as sobre as dele. Ento eu disse:
  
  - Eu sei disso, Pai. Eu realmente sei. E eu no irei voltar no tempo por voc se voc realmente no quiser que eu faa isso. Mas...Eu ainda no posso deix-lo 
fazer isso, Pai. Paul, eu quero dizer. 

  - Voc no pode deix-lo salvar a vida do garoto que voc supostamente ama? - Meu pai disse, no parecendo muito feliz em ouvir isso. - H algo muito errado nisso, 
Suze.

  - Eu sei, Pai. - Eu disse. - Mas eu o amo. Voc sabe disso. Voc no pode pedir para eu apenas sentar e deixar Paul fazer isso. Se ele fizer, eu nem mesmo lembrarei 
de ter conhecido Jesse. 

  - Certo. - Meu pai disse razoavelmente. - Ento voc nem ficar triste.

  - Ficarei sim. - Eu insisti. - Eu ficarei muito triste, Pai. Porque o nosso sentimento  profundo, eu saberei. Eu saberei que houve algum...Algum que eu ia supostamente 
conhecer. S que eu nunca vou conhecer ele. Eu irei passar minha vida inteira esperando por ele, s que ele nunca vir. Que tipo de vida  essa, Pai, hein? Que tipo 
de vida  essa?
  
  -E que tipo de vida, - Meu pai perguntou delicadamente. -  a de Jesse, obrigado a passar toda a eternidade como um fantasma - especialmente se algo der errado 
e voc terminar morta junto com ele? 

  - Ento. - Eu disse com uma tentativa de humor. - Pelo menos ns iremos assombrar as pessoas juntos, por toda a eternidade. 
- Com Jesse tendo que viver para sempre com culpa, sabendo que foi a razo de sua morte, em primeiro lugar? Eu no acho isso, Suze. 

  Ele me venceu. Eu olhei fixamente para ele, incapaz de pensar em uma nica coisa para dizer como resposta.

  - Suze, sua vida inteira, - Meu pai continuou, no sem simpatia. - voc sempre fez as escolhas certas. No necessariamente as mais fceis. Certo. No bagunce essa 
agora, quando voc est de frente com o que, provavelmente,  a deciso mais importante que voc ter que tomar. 

  Eu abri minha boca para dizer que ele estava errado...Que eu iria tomar a deciso certa...Que eu iria fazer o que eu sabia que Jesse queria.
S que eu sabia que no havia nenhum ponto em que ele estava errado.
Ento, em vez disso, eu disse:

  - Tudo bem, Pai. Mas h apenas uma coisa que eu no entendo.
Ele assentiu. - Por que Maroon cinco  to popular?

  - Hmm. - Eu disse, sorrindo da raiva que eu sentia de mim mesma. - No. Eu no entendo porque, se voc se sente dessa maneira...Que voc tinha uma vida boa e que
voc aprendeu tanto desde que voc morreu. Se voc se sente assim, ento porque  que voc ainda continua aqui?

  - Voc deveria saber. - Ele disse.
  
  Eu pisquei para ele. 
  
  - Eu deveria? Como?

  - Porque voc disse a si mesmo.

  - Quando eu...

  - Hmm...Suze?

  Eu girei e me encontrei olhando, no nos olhos castanhos e delicados do meu pai, mas sim nos olhos azuis e ansiosos de David.

  - Voc est bem? - O rosto plido de David foi comprimido com interesse. - Voc...Voc est chorando? 

  - Claro que no. - Eu disse, apressadamente pegando o pano de prato - observando, como eu fao, meu pai desaparecer - e enxugando meu queixo com ele. - Eu estou 
muito bem. O que foi? 

  - Hmm... - David olhou em torno da cozinha, seus olhos se alargaram. - Voc...Voc no est sozinha? 

  Fora meu pai, David  nico na minha famlia que sabe a verdade sobre mim...Ou pelo menos, a maior parte da verdade. Se eu lhe dissesse tudo...Bem, ele, provavelmente, 
colocaria tudo em ordem, com sua mente cientfica. 
Mas eu no acho que ele gostaria disso.

  - Eu estou agora. - Eu disse, sabendo o que ele queria dizer. 

  - Eu entrei apenas para pegar a sobremesa. - David disse. - Meu pai disse...Meu pai disse que fez uma torta de frutas. 

  - Certo. - Eu disse. - Bom. Eu terminei aqui. Eu s estou indo para o andar superior.
  
  Eu girei para ir, mas a voz de David - ela tinha mudado ultimamente, indo de um som agudo a profundo no curso de alguns meses - parou-me na porta. - Suze. Voc 
tem certeza que est bem? Voc parece...Triste. 

  - Triste? - Eu olhei para ele sobre meu ombro. - Eu no estou triste. Bem, no triste assim. S que...H apenas algo que eu tenho que fazer. - Porque eu tinha 
decidido que, j que apesar dos interesses do meu pai, eu no entregaria Jesse ainda. No sem uma luta. -Algo que eu no estou esperando ansiosa, exatamente. 

  - Ah. - David disse. Ento seu rosto clareou. - Ento faa isso rapidamente. Voc sabe, como puxar um Band-Aid. 

  Fazer rapidamente. Eu amei isso. Mas eu no tinha nenhuma maneira de saber quando Paul voltaria no tempo. De tudo que eu sabia, eu podia acordar amanh com nenhuma 
lembrana de Jesse. 

  - Obrigada. - Eu disse a David, controlando um semblante de sorriso. 
  - Eu manterei isso na mente. 

  Mas eu no estava sorrindo meia hora depois, quando eu, finalmente, consegui pegar padre Dominic - minha ltima esperana - no telefone. 

  Padre Dom no estava exatamente to simptico para meu empenho como eu esperava que ele estivesse. Eu tive que comunicar a Padre Dom - sobre Paul ter comprado 
a fivela de Felix Diego, e possivelmente ter drogado seu prprio av - para poder causar uma fasca de indignao no velho homem.
Mas o sentimento do padre Dom pareceu na mesma linha do meu pai. Jesse tinha morrido to jovem, muito violentamente. Ele tinha direito a uma segunda chance na vida. 
Era moralmente repreensvel eu permanecer daquele jeito.
  
  Talvez padre D tivesse outras razes para estar to otimista. O monsenhor tinha sado de seu coma e parecia estar se recuperando muito bem. 

  - Hmm. - Eu disse enquanto o padre D dava esta notcia supostamente alegre. - Isso  timo, padre D. Agora, sobre Paul... 

  - Eu no me preocuparia muito com ele, Suzannah. - Ele disse. - Eu admito que isso  errado, o que ele fez ao seu av - se, claro, ele realmente tiver feito isso. 

  - Ele disse que fez, padre D. - Eu interrompi. - Bem, quase. 

  - Sim. - Padre Dominic disse. - Bem, vocs dois tm uma tendncia a, hmm, exagerar na verdade sobre as coisas.

  - Padre Dom. - Eu disse, meus dedos apertavam o telefone. - Eu mesma chamei a ambulncia. 

  - Ento voc disse. Ainda que, Suzannah, para que Paul faa essa coisa - essa viagem no tempo que voc disse - Eu entendo que ele teria que ir para o ponto exato 
onde a pessoa estava no tempo exato que ele deseja voltar. 
- . - Eu disse. - Ento? - Eu no era geralmente rude com padre Dom, mas esta era, voc tem que admitir, uma circunstncia atenuante. 

  - Ento isso no significaria que Paul teria que se deslocar de seu quarto? - Padre Dominic soou um bocado distrado. Isso  porque ele estava. Estava querendo 
voltar para casa. Estava planeando dirigir de volta a Carmel durante a noite. - No foi onde Diego matou Jesse? No seu quarto? E de preferncia  improvvel que 
Paul v para seu quarto, Suzannah. - Ele continuou. - No sem sua permisso.

  Eu quase deixei cair o telefone. Eu no podia acreditar nisso. Eu no podia acreditar que isto no me tinha ocorrido antes.
  
  Porque padre Dominic estava certo, no havia nenhuma maneira de Paul voltar no tempo,  noite da morte de Jesse...No a menos que ele entrasse no meu quarto. Porque 
a nica maneira era ele entrar em meu quarto. A nica maneira. 

  - Eu no tinha pensado nisso. - Eu disse com um sentimento crescente. - Mas voc est certo. Ah meu deus, voc est totalmente certo. Padre Dominic, voc  um 
gnio!

  - . - Padre Dominic disse. - Obrigado, Suzannah. Eu suponho. Embora voc deva fazer a coisa certa, permitir que Paul mantenha Jesse vivo, como ele quer fazer... 

  - Hmm. - Eu disse. Eu tinha ouvido isso antes, vezes demais. Felizmente, eu escutei uma chamada em espera nesse momento. tima hora. 

  - Oops. -  minha outra linha, padre D. - Eu disse. - Tenho que ir. Vejo voc quando voc voltar.

  Eu pendurei no telefone, sentindo melhor do que eu estava desde...Bem, desde o leilo, de tarde. Jesse estava salvo. Paul no poderia faz-lo desaparecer, porque 
para fazer isso, teria que ter acesso ao meu quarto. Como era que ele ia encontrar sua maneira de voltar a 1850? 
Ele precisava ter um lugar para ficar, algum lugar que existia em 1850 e no presente. Felix Diego tinha estado em algum lugar uma vez. Aonde ele iria? A avenida? 
- Al? - Eu disse, para a outra chamada. 

  - Suze? - Era Cee Cee, soando ofegante de excitada. - Ah meu deus, voc nunca vai acreditar no que acabou de acontecer. 

  - O qu? - Eu perguntei, no prestando ateno. Porque, realmente, onde mais Paul poderia ir, se no ao meu quarto?
  
  Ele me convidou. - A voz de CeeCee estava realmente tremendo. - Adam. Adam me convidou para o Baile Formal de Inverno. Ns fomos ao Coffee Clutch, voc sabe, tomamos 
cappuccinos - ns amos te chamar, s que eu sei que voc estava no leilo o dia todo...

  - Ahan. - Eu disse. 

  -...E ele me convidou. Eu tive que correr para fora para te ligar. Ele ainda continua l dentro. Eu s...Ah, meu Deus. Eu tinha que dizer a algum. Ele me convidou.

  Alm disso, no  como se Paul estivesse indo fazer isso logo, em todo o caso. Voltar no tempo, quero dizer. No com seu av no hospital.

  - Isso  timo, CeeCee. - Eu disse no telefone. 

  - Eu acho que eu tenho que voltar l para dentro e dizer sim. - CeeCee disse. - Eu devo dizer sim, certo? Ou eu devo bancar a difcil no comeo? Eu no quero que 
ele pense que eu estou muito ansiosa. E  no fim de semana que vem. Tecnicamente, ele deveria ter me convidado h mais tempo... 
De repente, eu focalizei no que Cee Cee dizia. 
E ri. 

  - CeeCee. - Eu disse. - Voc  maluca? Desligue o telefone, v para dentro, e diga sim a ele.

  - Eu devo, no devo? Eu s...Quero dizer, eu tenho esperado isso acontecer h tanto tempo, e agora aconteceu, e eu...Bem, eu apenas no consigo acreditar. 

  - CeeCee.

  - Desligando agora. - CeeCee disse. E desligou.

  Ele e Kelly tinham parecido consideravelmente...Amigveis naquele sof. Talvez ele tivesse se rendido. Talvez ele tivesse acabado com aquela coisa de "ns".
Talvez agora minha vida voltasse ao normal. 
Talvez...
  
  
  Captulo 12
  
  - do mesmo diretor de "Tubaro"? - Jesse quis saber - Eu no acredito.

  Sbado  noite. Encontro  noite.

  E, ok, tecnicamente Jesse e eu no podemos sair  noite (como nos poderamos, de verdade?) Jesse vem a maioria dos sbados  noite. E verdade, isso no  to romntico 
quanto um jantar e um filme. E verdade, nos temos que fazer silencio, pra minha famlia no suspeitar que eu no estou sozinha no meu quarto.
Mas pelo menos a gente fica junto.
E sim, neste sbado em particular, eu tinha muita coisa na cabea, nenhuma que eu tivesse inteno de mencionar a Jesse.
Mas isso no significa que a gente no podia gastar 2hs vendo uns vdeos. Jesse tem muita coisa pra ver, como filmes, considerando o fato que eles no tinham sido 
inventados quando Jesse estava vivo.
O preferido dele at agora  "O Poderoso Chefo". Eu espero curar essa fraqueza dele com E.T. Como algum pode preferir Don Corleone a Drew Barrymore com seis anos?
  
  
  
  
  Mas Drew dificilmente conseguiria fixar a ateno de Jesse.

  
  -Tubaro  muito melhor que isso - Jesse disse.

  Tubaro  outro de seus preferidos. Ele nem sempre gosta das partes certas. Ele gosta da parte que todos os homens esto mostrando suas cicatrizes. No me pergunte 
o porque. Acho que  uma coisa de garotos.

  Finalmente, eu desliguei E.T. -Vamos conversar.

  Mas,  claro, eu quis dizer, "vamos fazer algo".

  Estava tudo muito bem at quando Jesse parou de me beijar e falou:

  -Eu quase esqueci. O que Paul estava fazendo na Misso essa noite? Ele se tornou religioso?

  Isto era to estranho que eu tirei meus braos que estavam em volta o pescoo dele e ofeguei - O que?

  -Seu amigo Paul - Jesse disse. Eu posso ter feito pouco caso dele, mas ele no estava fazendo pouco caso de mim. Ao mesmo tempo em que isto era agradvel, tambm
me distraia. Especialmente o modo como os lbios dele ainda estavam movendo-se ao encontro dos meus. - Eu o vi h pouco tempo atrs na baslica... Que estava fechada,
voc sabe. Por que ele iria l a essas horas, o que voc acha? Ele no parece o tipo que est querendo seguir a carreia de sacerdcio. A menos que ele recebesse 
um chamado de repente.
  
  Eu me afastei para longe dele. Bem, se voc tivesse sido totalmente pega de surpresa pelo puro terror, voc teria feito a mesma coisa.
  
  -Susannah? - Jesse me encarou, cheio de preocupao nos seus olhos castanhos escuros, onde alguns segundos mais cedo. . . Bem, no preocupao. - Voc est bem?
  
  
  
  
  
  -Oh, Deus.- Como eu poderia ter sido to estpida? Como, como, como? Aqui estava eu, assistindo filmes - filmes - com meu namorado, nunca suspeitando de tal coisa. 
Pensando que Paul teria de vir aqui pra casa se ele quisesse voltar ao tempo de Jesse. Pensando que ele no poderia voltar se ele no viesse. Pensando que ele no 
sonharia em voltar hoje  noite, com o av dele no hospital. Considerando que Kelly e ele estavam juntos agora, por que mesmo assim ele se incomodaria?
  
  Paul no se preocupava com o av dele. Ele no se preocupava com ningum da famlia dele e nunca se preocuparia. E ele no se preocupava certamente com Kelly. 
Por que ele deveria? Kelly no o conhecia, Kelly no sabia o que ele realmente era... E, claro que, havia outro marco neste sculo que tinha existido no tempo de 
Jesse. Um lugar que Felix Diego provavelmente tinha ido freqentemente, durante o tempo dele. A misso. A Misso Junipero Serra que tinha sido construda por volta 
dos 1700.
  
  -Eu tenho que ir - eu disse, tropeando em meus ps e vestindo a minha jaqueta. Eu sentia dor no meu estmago. - Eu sinto muito, Jesse, mas eu tenho -.
  
  - Suzannah. - Jesse tambm estava de p, segurando meu brao em um aperto que era to forte quanto delicado. Jesse nunca me feriria. De propsito. - O que  isso? 
Por que voc est assim? Porque voc se importa que Paul esteja na baslica? 

  - Voc no entende. - Eu disse. Eu realmente pensei que estava comeando a ficar doente. Eu pensei mesmo. Devo ter demonstrado isso em meu rosto, porque o aperto 
de Jesse em meu brao comeou, de repente, a ficar mais apertado...
...Como a expresso em seu rosto comeou a ficar muito mais raivosa. 

  - Tente me explicar, Mi hermosa. - Ele disse com uma voz que era to dura quanto seu aperto. 

  E ento - no me pergunte como ou no que eu pensava porque, sinceramente, eu no acho que estava pensando - tudo veio  tona. 
Eu no queria dizer a ele. No queria, porque eu no queria chate-lo. Ah Deus, nada disso. 
  No, eu no queria que ele soubesse pela mais egosta das razes: Eu no queria dizer a ele porque eu tinha medo que ele concordasse com padre Dominic e meu pai 
- que preferiria uma outra chance  vida a ficar como um fantasma por toda a eternidade. 

  Mas fora isso, o que Dr. Slaski tinha me dito, o que padre Dom tinha dito no telefone h apenas algumas horas. A chuva de palavras que vinha de minha boca no 
podia ser contida. Eu queria parar da falar, to rpido quanto as palavras saam.
Mas j era tarde. Era tarde demais. 

  Jesse escutou com firmeza, sem me interromper, mesmo quando eu lhe disse a parte sobre meu negcio com Paul: nosso acordo secreto, que eu iria para as nossas "lies 
de mediao" na Quarta-feira e em troca ele no iria jogar meu namorado no mundo dos mortos.
  
  - S que agora ele no quer mat-lo, Jesse. - Eu disse a ele amargamente. - Ele quer salvar voc, salvar sua vida. Ele vai voltar no tempo e impedir Felix Diego 
de matar voc. E se ele fizer isso...Se ele fizer isso... 

  - Voc e eu nunca nos encontraremos. - A expresso de Jesse era calma, sua voz com seu tom normal. 
Nunca tinha soado como se quisesse me acalmar. Eu senti como se meu corao estivesse ferido. 

  - Sim. - Eu disse freneticamente. - Voc no entende, eu tenho que ir l - agora. Agora mesmo - e impedi-lo.

  - No, Mi hermosa. - Jesse disse, ainda com a voz lenta. - Voc no pode fazer isso.

  Por um segundo, o terror que estava prendendo meu corao, pareceu esprem-lo at que ele parou. Eu pensei que eu morreria, bem ali. 

  Jesse queria viver. Meu pai, padre Dominic, Dr. Slaski, Paul...Eles estavam certos. Todos eles estavam certos, e eu era a nica errada, eu. Jesse preferiria viver 
 me encontrar,  me conhecer...
... me amar...
  
  
  Eu devia saber, claro. E eu estava arrasada, eu sabia. Que tipo de pessoa - especialmente uma que morreu com a idade que Jesse morreu, apenas vinte - no quereria 
uma outra chance para voltar a viver, se pudesse? Que tipo de pessoa no estaria disposta a dar tudo o que tem por essa possibilidade? 
E o que Jesse tinha? Nada. Nada. Apenas eu.
Meu pai me acusou, h algum tempo, de ser a coisa que prendia Jesse aqui, impedindo-o de seguir em frente. Padre Dominic tinha dito isso, tambm...Que se eu o amasse 
realmente, eu o deixaria livre.

  E agora eu sabia. Jesse mesmo preferia estar livre a estar comigo. 
Meu Deus. Eu tinha sido uma tola. Completamente tola. 
Ento, Jesse soltou meu brao. 
Mas em vez de dizer o que eu estava esperando que ele dissesse - Voc no pode ir impedir dele, porque eu quero uma chance. Eu quero a chance de viver outra vez, 
se eu puder - ele disse, de repente, com uma voz to fria quanto o vento l fora: 
  
  - Voc no pode ir impedir ele.  muito perigoso. Eu irei. Eu irei impedi-lo.

  Eu no tinha certeza se eu tinha ouvido direito. Ele tinha dito - era possvel que ele poderia ter dito - o que eu achei que ele tinha dito? 

  - Jesse. - Eu disse. - Eu acho que voc no entendeu. Ele quer salvar voc. Impedir que voc...Que voc morra naquela noite. 

  - Eu entendo. - Jesse disse. - Eu entendo que Paul  um tolo, que pensa que  Deus. Eu no sei o que faz ele pensar que  certo brincar com meu destino. Mas eu 
sei que ele no ir ter sucesso. No se eu puder impedi-lo.
  
  Minha circulao pareceu saltar para a vida. De repente, eu podia respirar outra vez. O alvio me purificou em ondas altas.
Ele queria ficar. Jesse queria ficar. Preferia ficar a viver. Preferia ficar - comigo - a viver. 

  
  
  - Voc no pode fazer isso. - Eu disse, minha voz soou freneticamente alta - at mesmo para meus prprios ouvidos. Aquele alvio que eu senti, me deixou volvel. 
- Voc no pode impedi-lo, Jesse. Paul ir... 

  - E o que voc pretende fazer, Suzannah? - Ele perguntou agudamente. E se eu no estivesse convencida antes da sinceridade de seu desejo de permanecer neste lugar
e tempo, seu tom irritado, ento, seria o bastante. - Conversar com ele sobre seu plano? No. Isso  muito perigoso.

  Mas o amor tinha me dado a coragem que eu nunca soube que tinha. Eu vesti minha jaqueta de couro e disse: - Paul no me machucar, Jesse. Eu sou a razo para ele 
estar fazendo isso, se lembra? 

  - Eu no quis dizer o Paul. - Jesse disse. - Eu quis dizer a viagem no tempo. Slaski disse que era perigoso? 

  - Sim, mas... 

  - Ento voc no ir fazer isso.

  - Jesse, eu no tenho medo...

  - No. - Jesse disse. Havia um olhar em seu olho que eu nunca tinha visto antes. - Eu estou indo. Voc permanecer aqui. Deixe tudo comigo. 

  - Jesse, no seja... 

  Mas, um segundo depois, eu vi que estava falando com o ar. 
Porque Jesse tinha desaparecido. 
Eu sabia para onde ele tinha desaparecido, claro. Ele tinha ido  baslica, ter uma palavrinha com Paul.
  
  E eu apostava que a palavra estaria acompanhada de um soco. 
Eu apostava tambm que Jesse estava indo tarde demais. Paul no estaria mais na misso, at que ele salvasse Jesse.

  
  Ou, provavelmente, estaria. Mas no na baslica como ns pensvamos. 

  Havia somente uma coisa, realmente, que eu poderia fazer, ento. E aquilo no seria, como Jesse tinha incitado, deixar tudo com ele. Como eu poderia, quando eu 
podia possivelmente acordar de manh sem nenhuma lembrana de Jesse? 

  Eu sabia o que tinha que fazer. 

  E desta vez, eu no cairia no erro de me consultar com qualquer um de antemo. 

  Eu caminhei atravs do quarto, levantei meu travesseiro, e retirei a miniatura de Jesse - uma que ele tinha dado a sua noiva, Maria. Uma com a qual eu tenho dormido 
desde o dia em que eu a tinha roubado - quero dizer - ganhado.

  Olhando para o olhar escuro, e confivel, de Jesse, eu fechei meus olhos e imaginei-o...Imaginei Jesse nesse quarto, s no parecendo como agora, com uma cama 
do dossel e um telefone de princesa (obrigada, Me).

  No, em vez disso, eu imaginei o quarto como ele devia ser parecido h 150 anos. Nenhuma cortina branca sobre a janela que dava para a baa. Nenhum banco da janela
com almofadas macias. Nenhum tapete sobre o assoalho de madeira. Nenhum - eca! - banheiro, mas talvez um daqueles, como eram chamados? Ah sim, potencimetros do 
quarto. 

  Nenhum carro. Nenhum celular. Nenhum computador. Nenhum microondas. Nenhum refrigerador. Nenhuma televiso. Nenhum aparelho de som. Nenhum avio. Nenhuma penicilina. 
Apenas grama. Grama e rvores e cu e vages de madeira e cavalos e sujeira e... 

  E eu abri meus olhos. 

  E eu estava l.
  
  Captulo 13
  
  Eu estava no meu quarto, mas no era ele.

  Onde havia o dossel, tinha uma cama de metal. A cama estava coberta com uma colcha brilhantemente colorida, o tipo de colcha que minha me teria ficado maluca 
para comprar, se a visse em alguma loja. Em vez da minha penteadeira com seu espelho grande, estava uma estante de gavetas, com um jarro e uma bacia em cima dela. 

  No havia espelho em lugar nenhum, mas no assoalho estava um tapete tecido de...Bem, de um material diferente. Era um pouco difcil de ver realmente bem, porque 
a nica luz que tinha l era um pouco da luz da lua, que se derramava dentro da janela que dava para a baa. No havia nenhum interruptor eltrico. Eu procurei por 
ele, instintivamente, no minuto em que eu abri meus olhos e percebi a escurido. Onde o interruptor tinha estado havia apenas madeira. 
Isso s podia significar uma coisa. 

  Eu tinha conseguido. 

  Espere.

  Mas onde estava Jesse? Este quarto estava vazio. No aparentava como se tivessem dormido na cama recentemente. 
Eu tinha vindo tarde demais? Jesse j estava morto? Ou ser que eu tinha vindo cedo demais e Jesse ainda no tinha chegado? 
Havia apenas uma maneira de saber. Eu coloquei minha mo no trinco da porta - s que, claro, no havia nenhum trinco, agora, mas sim uma trava - e sa para o corredor.
  
  Estava quase completamente escuro no corredor. No havia nenhum interruptor eltrico l, tambm. Em vez disso, enquanto eu procurava um, minha mo tocou em um 
retrato moldado, ou em algo.

  ...Isso caiu, prontamente, da parede, com uma pancada, embora nenhum vidro tenha se quebrado. Eu no sabia o que fazer. Eu no podia encontrar a coisa que eu tinha 
acabado de derrubar, estava muito escuro. Ento, eu continuei descendo as escadas, andando, graas  minha memria, j que no tinha nenhuma luz para me guiar. 
Eu vi um brilho antes de ouvir os passos rpidos se aproximarem no fundo da escada. Algum estava vindo...Algum segurando uma vela. 
Jesse? Era possvel ser ele? 

  Mas quando eu cheguei no fim da escada, eu vi que era uma mulher que vinha de encontro a mim, uma mulher que segurava no uma vela, mas algum tipo de lanterna. 
No incio, eu pensei que ela devia ser extremamente gorda, e eu estava tipo, Deus, o que poderia ela ter comido? No era como se tivessem Twinkles no tempo de Jesse...Hmm, 
agora, quero dizer. 

  Mas ento eu vi que ela vestia uma espcie de saia com arcos, e que, o que eu tinha visto, era apenas a sua roupa.
- Maria, me de Deus. - A mulher gritou quando me viu. - De onde voc veio? 
Eu pensei que era melhor eu ignorar essa pergunta. Em vez disso, eu lhe perguntei da forma mais polida que eu podia: - Jesse de Silva est aqui? 
- O qu? - A mulher levantou ainda mais a lamparina e olhou realmente para mim. - Por Deus. - Ela gritou. - Mas voc  uma menina!
  
  - Hmm. - Eu disse. Eu achava que isso era bvio. Meu cabelo, apesar de tudo, , consideravelmente, longo, e eu sempre uso ele solto. E tem mais, como sempre, eu 
estava toda maquiada. - Sim, Senhora. Jesse est aqui? Porque eu realmente tenho que falar com ele. 

  Mas a mulher, ao invs de apreciar minha educao, pressionou seus lbios muito firmemente. A prxima coisa que eu soube foi que ela estava alcanando a porta, 
estava mantendo-a aberta, e estava tentando me fazer sair por ela.
- Para fora. - Ela disse. - Para fora. Voc deve saber que ns no permitimos garotas como voc aqui dentro. Esta  uma casa respeitvel. 

  Eu s fiquei l, olhando para ela. Uma casa respeitvel? Claro que era. Era a MINHA casa. 

  - Eu no quero causar problema, Senhora. - Eu disse, j que eu podia ver como seria um pouco estranho, encontrar uma garota estranha vagando pela sua casa...Mesmo 
se for uma penso. Isso aconteceria comigo. Ou, pelo menos, com a minha me e seu novo marido. - Mas eu realmente preciso falar com Jesse de Silva. Voc pode me 
dizer se ele...

  - Que tipo de tola voc pensa que eu sou? - A mulher no soava muito agradvel. - Sr. de Silva no gastaria uma hora do seu dia com uma...Criatura como voc. Precisa 
falar com Jesse de Silva, certamente! Mas fora! Fora da minha casa!
E ento, com uma fora surpreende para uma mulher em uma saia com arcos, ela me agarrou pela gola da minha jaqueta de couro, e me carregou para fora da casa. 
- Boa liberdade para um lixo ruim. - A mulher disse e bateu a porta em minha cara. 

  No apenas uma porta qualquer. Minha prpria porta. Minha prpria porta da frente, da minha casa.
  
  Eu no podia acreditar naquilo. Do que eu tinha sido conduzida a acreditar, de Jesse e daquele livro "Pouca casa na pradaria", as coisas do sculo XIX eram todas 
do tipo preparar manteiga e ler ruidosamente em volta da fogueira. Nada sobre senhoras ms, que jogavam garotas para fora de suas prprias casas.
Decepcionada, eu virei e comecei a descer os degraus da varanda da frente...

  ...E quase ca de cara. Porque os degraus no eram como antes. Ou como iam ser um dia, quero dizer. E,  exceo da luz da lua, que estava tristemente desaparecendo, 
devido a uma nuvem que estava passando, no havia qualquer luz por perto. Quero dizer, estava muito escuro. No havia nenhum brilho tranqilizador vindo de algum 
poste na rua - eu nem mesmo estava certa de que aquela era a rua onde a Pine Crest Road tinha estado. 
E, virando minha cabea, eu no podia ver nenhuma luz em todas as janelas prximas...Com tudo isso, eu podia dizer que no tinha nenhuma janela prxima. A casa, 
na qual eu estava em frente, parecia ser a nica em milhas e milhas...
E eu fui, apenas, jogada de l. Eu estava presa no ano 1850 com nenhum lugar para ir e nenhum jeito de entrar na casa. Exceto, eu suponho, se eu me vestisse daquele 
jeito antiquado. 

  
  
  
  Eu podia, eu pensei, ir  Misso. Esse era o lugar aonde Paul, supostamente, tinha ido. Eu estiquei meu pescoo, procurando a familiar cpula vermelha da baslica, 
que s era visvel da minha varanda frontal, aterrizando como se estivesse em Carmel Hills.
Mas, em vez de ver Carmel Valley, quando eu me estiquei, com todas as luzes piscando  vasta escurido do mar, tudo que eu vi foi a serra escura. Nenhuma luz. Nenhuma 
cpula vermelha iluminando-se para os turistas. Nada. 

  Porque, eu percebi, no havia nenhuma luz. No tinham sido inventadas ainda. Pelo menos, no as lmpadas.
  
  
  Deus. Como as pessoas podiam encontrar qualquer lugar? O que usavam para se guiar, estrelas?

  Eu olhei para cima, para verificar a situao das estrelas, querendo saber se iam me ajudar, e eu quase ca na varanda outra vez. Porque havia mais estrelas no 
cu do que eu j tinha visto em toda minha vida. A Via Lctea era como uma raia branca no cu, to brilhante quanto a lua, que estava, finalmente, saindo de trs 
de algumas nuvens, com humilhao. 

  Uau. Nenhuma maravilha Jesse no ficar impressionado quando eu, felizmente, estava no Big Dipper. 
Eu senti saudades. Bem, no havia mais nada que eu pudesse fazer, eu supus, mas eu comecei a vagar em direo  Misso, e esperava encontrar Paul - ou Jesse...Jesse 
do passado, quero dizer - pelo caminho. 

  Eu tinha apenas encontrado um caminho para sair da varanda - descendo os degraus de madeira, ao contrrio dos de cimento que ficavam l agora...Quero dizer, no 
presente...No meu tempo - quando algo caiu em mim. A primeira pesada gota fria da chuva.
Chuva. Eu no estou brincando. Em pouco tempo, eu estava olhando para cima para ver se realmente estava chovendo, ou se algum tinha cuspido em mim (eca), do segundo 
andar, quando eu vi o banco de nuvens pretas e grandes rolando do mar. Eu tinha estado to distrada com todas as estrelas, que eu no tinha percebido essas nuvens 
antes. 

  
  timo. Eu viajo mais de um sculo e meio no tempo, eu o que eu ganho pelos meus esforos? Comeo sendo jogada de minha prpria casa, e depois a chuva. Muito bom. 

  O relmpago piscou, no cu. Alguns segundos mais tarde houve um trovo, longo e baixo. 
Fabuloso. Uma tempestade. Eu estava presa em uma tempestade, em 1850, sem nenhum lugar para ir.
  
  Ento o vento chegou, carregando com ele um cheiro que eu no pude saber de que era, ao certo. Eu tentei, por um minuto, me lembrar de que era. Ento, eu lembrei, 
de uma vez: minhas ocasionais (forays) na parte de trs do Central Park, quando eu vivia no Brooklyn. 

  Cavalo. Havia cavalos por perto. 

  Isso significava que tinha que haver um celeiro. Que podia estar seco. E que podia no ser cuidado de perto por mulheres que vestiam saias com arcos e que me consideravam 
um entulho. 

  Mergulhando minha cabea de encontro  chuva, que estava caindo mais duramente agora, eu corri no sentido do cheiro do cavalo e logo me encontrei atrs da casa, 
em frente a um celeiro, bem onde Andy disse que ia instalar uma piscina um dia, depois que todos ns terminssemos a faculdade e pudssemos ter recursos para isso. 

  As portas do celeiro estavam fechadas. Eu me apressei at elas, rezando para que elas no estivessem trancadas...
No estavam. Eu empurrei uma para abrir e deslizei para dentro, enquanto um outro relmpago listou atravs do cu, e o trovo soou outra vez, mais alto, desta vez. 

  Dentro do celeiro estava seco, pelo menos. Escuro como o piche, mas seco. O cheiro de cavalo era forte - eu poderia ouvi-los mover-se inquietos, em suas tendas, 
assustados com o trovo - mas o cheiro de algo mais era mais forte. Eu acho que era feno. No sendo, exatamente, uma garota do campo, eu no podia dizer ao certo. 
Mas eu achei que o material que foi mastigado e que rolou um pouco abaixo das minhas botas podia ser feno. 

  
  Bem, isto era timo. Eu tinha vindo salvar a vida do meu namorado - ou melhor, impedir alguma outra pessoa de salv-lo - e tudo que eu tinha feito era irritar 
a dona da propriedade.
Ah, e eu tinha estado sobre a chuva. E encontrado um celeiro.
  
  Perfeito. Dr. Slaski no estava brincando, quando tinha me avisado sobre a viagem no tempo. Certo de que no tinha sido, de longe, nenhum piquenique. 
Foi quando, um segundo mais tarde, eu estava torcendo meu cabelo, para tirar a gua, e senti uma mo pesada sobre meu ombro... 
Bem, eu tinha tido, definitivamente, o bastante para a metade do sculo XIX.

  Felizmente, para mim, um trovo abafou meu grito. Seno, a dona da casa - ou pior, seu marido, se ela tivesse um - estariam aqui fora em um segundo. E eu, provavelmente, 
teria muito mais por que gritar do que apenas por um susto. 

  - Cala a boca! - Paul sussurrou. - Voc quer que nos peguem aqui?

  Eu virei para trs. Eu s podia ver, turvamente, seu vulto na escurido. Mas era o bastante para enviar a meu pulso, de que tem competido antes, uma rpida paralisao. 

  - O que voc est fazendo aqui? - Eu reclamei, esperando que ele no pudesse ouvir a confuso em minha voz. Eu senti uma mistura de emoes ao v-lo: raiva, porque 
ele tinha chegado l antes de mim; medo, que ele estivesse l para tudo; e alvio, em ver um rosto familiar. 

  - O que voc acha que eu estou fazendo aqui? - Paul lanou algo spero e pesado para mim. 

  Eu a segurei inexperientemente. - O que  isso? 

  - Um cobertor. Assim voc pode se secar.
  
  Eu joguei, agradecida, o cobertor em torno de meus ombros. Mesmo eu ainda estando com a minha jaqueta, eu estava tremendo embaixo do couro. Eu, tambm, no acho 
que era por causa da chuva. 
O cobertor cheirava, fortemente, a cavalo. Mas no de uma maneira ruim. Eu acho. 

  - Ento. - Paul disse, e se moveu em direo  fenda de luz jogada da ainda-aberta porta do celeiro, de modo que eu pudesse finalmente ver seu rosto. - Voc conseguiu. 

  Eu aspirei miseravelmente. Eu tentei no prestar ateno ao fato de que eu estava com frio, molhada, e no interior de um celeiro. No ano de 1850.

  - Eu no posso acreditar que voc, realmente, pensou que me afastaria dele. - Eu disse, contente que eu, finalmente, tinha parecido controlar o tremor em minha 
voz. Meus dentes vibrando eram uma outra histria. - Voc pensou que eu no tentaria impedi-lo?

  Paul deu de ombros. - Eu achei que ia valer a pena uma tentativa. E h ainda uma possibilidade de eu ter sucesso, voc sabe, Suze. Ele no est aqui, ainda. 

  - Quem no est aqui? - Eu perguntei, estupidamente. Eu ainda estava tentando entender como eu, possivelmente, poderia abandonar o Paul e pegar o Jesse sem que 
ele visse. 

  - Jesse. - Paul disse, como se eu fosse doente mental. E voc quer saber? Provavelmente eu sou. - Ns viemos um dia mais cedo. Ele vai chegar aqui amanh. 

  - Como voc sabe? - Eu perguntei, enxugando uma gota de chuva, que estava no meu nariz, com a parte de trs do meu pulso.
- Eu falei com aquela senhora. - Ele disse. - Sra. O' Neil. A que  dona da sua casa, agora. 

  - Ela falou com voc? - Eu no podia esconder minha surpresa. - Ela no falou comigo. Ela me expulsou da casa. 

  - O que voc fez, materializou-se na frente dela? - Paul perguntou, com um olhar de desprezo.
  
  - No. - Eu disse. - Bom, no bem na sua frente. 

  Paul balanou a cabea. Mas eu podia ver que ele estava sorrindo um pouco. - Aposto que voc deu um susto nela. O que ela achou do seu estilo? - Ele gesticulou 
para minha roupa. 

  Eu olhei para mim mesma. Para minha cala jeans e jaqueta de couro, acho que eu no me assemelhava, realmente, a nenhuma dama do sculo XIX, que eu sempre via 
nos filmes. Ou, mais importante, nos retratos da poca.

  - Ela disse que aquela era uma casa respeitvel, e que eu devia pensar muito antes de mostrar meu rosto l. - Eu admiti e fiquei atormentada, quando Paul riu alto. 

  - O que foi? - Eu reclamei. 

  - Nada. - Paul disse. Mas ainda estava rindo. 

  - Me diz. 

  - OK. Mas no fique irritada. Ela pensou que voc fosse uma dama da noite. 

  Eu olhei furiosa para ele. - Ela no pensou isso! 

  - Ela pensou sim. E eu disse para voc no ficar com raiva.

  - Eu no estou, exatamente, vestida como uma dama da noite. - Eu disse. - Eu estou vestindo calas. 

  - Esse  o problema. - Paul disse. - Nenhuma mulher respeitvel, neste sculo, usa calas.  uma boa coisa Jesse no ter visto voc. Ele, provavelmente, nem mesmo 
teria falado com voc. 

  Eu tinha tido sobre tudo que eu poderia fazer exame de Paul. Eu disse fervendo: - Ele teria falado sim. Jesse no  desse tipo. 

  - No o Jesse que voc conhece. - Paul disse. - Mas ns no estamos falando do que voc conhece, estamos? Ns estamos falando sobre o Jesse que nunca conheceu 
voc. Que no vagou por cento e cinqenta anos, prestando ateno ao mundo de perto. Ns estamos falando do Jesse que est a caminho de Carmel para se casar com 
a garota de seus... 

  - Cala a boca. - Eu disse, antes que ele pudesse terminar a frase.
  
  Paul deu um sorriso mais largo. - Desculpe. Bom, ns ainda temos um tempo para esperar. No faz sentido esperarmos discutindo. 
  
  Venha at o sto comigo, e ns nos sentaremos juntos, longe dessa tempestade. 
Ele se virou e entrou nas sombras, e eu ouvi um p raspar em um degrau de madeira. Um dos cavalos relinchou. 

  - No tenha medo, Suze. - Paul falou para baixo, para mim, a alguns metros no ar. - So apenas cavalos. No mordero voc. Se voc no chegar perto demais deles. 

  No era com isso que eu estava assustada. No que eu estivesse a ponto de admitir qualquer coisa a ele. 

  - Eu acho que ficarei aqui em baixo. - Eu disse para a escurido, de onde sua voz tinha vindo.

  - Por mim tudo bem. - Paul disse. - Se voc quiser ser pega. Voc apenas tornar meu trabalho mais fcil. O Sr. O' Neil veio h pouco tempo atrs verificar os 
cavalos. Eu estou certo de que ele no atiraria em uma menina, de qualquer forma. Se ele perceber a tempo que voc  uma menina, quero dizer. 
Isto fez eu me mover at a escada. 

  - Eu odeio voc. - Eu comentei, enquanto subia. 

  - No, voc no odeia. - Paul disse da escurido acima de mim. Eu podia dizer, por sua voz, que ele estava rindo outra vez. - Mas voc acha certo dizer isso para 
si prpria, se isso fizer voc se sentir melhor.
  
  
  Captulo 14
  
  Estava quente no sto. Quente e seco e no somente por causa de todo o feno. No. Tambm porque Paul e eu estvamos sentados bem prximos um do outro - para a 
finalidade de compartilharmos somente o calor do corpo, eu informei a ele, quando ele me mostrou o buraco na pilha gigante de feno na extremidade do sto.
  
  -Porque eu no quero morrer de hipotermia - era o que eu havia dito, porque a manta de cavalo no parecia estar fazendo o seu trabalho. Pelo menos, meus dentes 
no tinham deixado de vibrar. Minhas calas jeans no estavam secando to rpido quanto eu queria.
  
  -Eu manterei minhas mos longe - Paul me assegurou. 
   
  E to longe estava, a verdade em suas palavras.
  
  -O que eu no entendo - eu disse enquanto a chuva caia do lado de fora, ocasionalmente relampejando raios, entretanto parte do temporal da noite parecia ter acabado 
- o que voc est fazendo aqui. Voc no est procurando o Felix Diego? Para o impedir? 
  
  -Sim.- Na escurido do sto, eu s poderia ver o perfil de Paul pela luz que passava dentro de rachaduras e buraquinhos na madeira que formavam as paredes do 
celeiro.
  
  Eu somente teria que impedir Paul, isso era tudo. Impedir o Paul e mant-lo longe de Diego. Talvez eu nem mesmo veja Jesse. O que provavelmente seria bom. Porque 
se eu o visse, o que eu diria a ele?E se ele fosse, como a Sra. O' Neil, e me confundisse com alguma dama da noite? 
  
  Eu no pensava que podia agentar isto...
  Que me lembrou...
  
  -As pessoas vo notar nossa ausncia? - eu perguntei - Em nosso tempo, quero dizer? Ou quando ns voltarmos, ser como se nenhum tempo tivesse passado?
  
  -Eu no sei - Eu achei que Paul tinha ficado com um pouco de sono, ele demonstrava isto. Ele parecia estar ansioso para dormir e minhas perguntas infinitas s 
estavam servindo para o irritar. Por que voc no perguntou para meu av? Vocs dois esto to ntimos e tudo...
  
  -Eu no tive exatamente uma chance, ora, eu tive? - Eu o encarei - ou tentei, de qualquer maneira - na escurido. Eu ainda no acreditava que o Dr. Slaski tinha 
me escolhido como confidente ai invs do prprio neto. Bem, a no ser pelo fato de Paul ser um usurio de drogas. Ou um ladro. E, Ah sim, possivelmente t-lo drogado 
de forma intencionada. 
  
  -Ele no  o que pensa voc que ele , Paul - eu disse me referindo a Dr. Slaski. - Ele no  seu inimigo. Ele  como ns.
  
  -No diga isso. Os olhos azuis e afiados de Paul me encararam repentinamente na escurido. - Nunca. 
  
  -Por qu? Ele  um mediador, Paul. Um deslocador. E tudo que voc sabe, provavelmente aprendeu com ele. Ele sabe muito. E uma coisa que ele sabe  que no se deve 
brincar com o tempo. . . com nossos poderes. . . Ou teremos chances de terminar como ele.
  
  -Eu te disse para no dizer isso - Paul disse entre dentes friccionados. 
  
  -Mas se voc lhe der apenas uma chance, em vez de cham-lo de vegetal e intencionalmente.
  
  -Ns no somos como ele, certo? Voc e eu? Ns no somos nada como ele. Ele era estpido. Ele tentou falar para as pessoas. Ele tentou falar para as pessoas que 
mediadores - deslocadores - no importa qual - que ns existimos. E todo o mundo riu dele. Meu papai teve que mudar o seu nome, Suze, porque ningum o levaria a 
srio, sabendo que ele era parente de algum que todos achavam que era um impostor. No, mas voc sempre - sempre - diz que ns somos como ele ou que terminaremos 
como ele. Eu j sei como vou terminar. 
  
  Eu pisquei para ele. 
  
  -Ah,  mesmo? E como voc vai terminar? 
  
  -No como ele - Paul me assegurou. - Eu terminarei como meu pai. 
  
  -Seu pai no  um mediador - eu o lembrei. 
  
  -Eu quero dizer que eu vou ser rico, como meu pai - Paul disse. 
  
  -Como? - Eu perguntei com um riso. - Roubando das pessoas que voc deveria estar ajudando?
  
  -L vem voc novamente - Paul disse, balanando sua cabea. 
   - Quem lhe falou que voc deveria estar ajudando os mortos, Suze? H? Quem?
  
  -Voc sabe perfeitamente bem que foi errado voc levar aquele dinheiro. No era seu.
  
  Sim - Paul disse - Bem, h mais de onde veio e, ao contrrio de voc, eu no sofro nenhum remorso fazendo isto. Eu vou ser rico um dia, Suze. E ao contrrio do 
vov vegetal, no vou perder o controle.
  
  -No se voc est matando todas suas clulas do crebro viajando no tempo - eu assinalei. 
  
  -Sim, bem - Paul disse. - Esta  uma viagem no tempo. Depois dessa, eu no vou precisar viajar no tempo outra vez. 
  
  Eu olhei fixamente seu perfil. Somente nossos lados estavam se encostando debaixo do cobertor de cavalo que ns compartilhamos. Ainda, Paul radiava muito calor. 
Eu estava um pouco quente sob o cobertor. 
  
  Foi quando eu percebi que o nico outro sujeito que eu alguma vez tinha ficado to perto era Jesse, e que calor ele deu? Sim, tudo estava na minha mente. Porque 
os fantasmas no transmitem calor. Nem mesmo para os mediadores. Nem mesmo para os mediadores que esto apaixonados por eles.
  
  -Isto est errado - eu disse calmamente a Paul quando eu vi os olhos dele fechados. - O que voc est fazendo a Jesse. Ele no quer isto. 
  Os olhos de Paul abriram por isto. - Voc falou com ele? 
  
  -Claro que eu falei - eu disse. - E ele no quer isto. Ele no o quer interferindo, Paul. Ele estava indo para a Misso para o impedir quando eu vim. - Paul olhou 
para mim durante alguns segundos, os olhos azuis dele estavam ilegveis na escurido.
  
   -Voc est dormindo com ele? - ele perguntou abruptamente.
  
  Eu fiquei boquiaberta com ele, ao mesmo tempo senti minhas bochechas queimando.
  
  -Claro que no - Eu disse gaguejando - N-no que isso seja da sua conta.
  
  
  Mas Paul, em vez de sorrir, como eu esperava que estivesse, estava me olhando muito srio. 
  
  -Eu no consigo entender - ele simplesmente disse. - Por que ele? Por que no eu? 
  
  Ah. Isso.
  
  -Porque ele  honesto - eu disse. - E ele  amvel. Ele me coloca acima de tudo. 
   
  -Eu tambm seria assim - Paul disse. - Se voc me desse a chance.
   
  -Paul - eu disse. - Se ns estivssemos em um terremoto ou algo parecido, e voc tivesse uma chance para me salvar, mas se sua vida tambm estivesse em perigo, 
voc se salvaria, no me salvaria. 
   
  -Eu no faria isso! Como voc pode dizer que eu no te salvaria? 
   
  -Porque  verdade.
  
  -Mas voc est dizendo que seu Jesse perfeitinho a salvaria, arriscando a sua prpria vida? 
  
  -Sim - eu disse com certeza absoluta. -Porque ele arriscou. No passado.
   
  -No, ele no arriscou, Suze - Paul disse com a mesma certeza.
  
  -Sim, ele arriscou, Paul. Voc nem mesmo sabe.
   
  -Sim, eu sei. Jesse certamente nunca poderia ter arriscado a prpria vida para salvar a sua, porque durante todo o tempo em que voc o conhece, ele estava morto. 
Assim ele nunca arriscou nada, em todas essas vezes em que ele a salvou. Ele arriscou?
  
  Eu abri minha boca para negar a isto, ento percebi que Paul tinha razo. Era a verdade. Uma verso confusa da verdade, mas mesmo assim, a verdade. 
  
  -Como voc conseguiu ficar to nojento desse jeito? - Eu reclamei ao invs. - Voc sempre teve tudo o que voc quis a sua vida inteira. Voc s teve que pedir 
e conseguia. Mas tudo o que voc tem nunca foi o bastante para voc. 
  
  -Eu no consegui tudo o que eu quero - Paul disse sugestivamente -Embora eu esteja trabalhando para corrigir isso.
  
  Eu balancei minha cabea, eu sabia o que ele quis dizer.
  
  -Voc s me quer porque voc no pode me ter - eu disse - E voc sabe disto. Eu quero dizer, meu Deus. Voc tem Kelly. Todos os caras da escola a querem.
  
  -Todos os caras da escola - Paul disse - So uns idiotas. 
   
  Eu ignorei isso. 
   
  Voc estaria em uma melhor situao - eu disse - Se voc j estivesse feliz com o que voc tem, Paul, em vez de querer o que voc nunca poder ter. 
   
  Mas o Paul continuou forando o riso. Rindo e rolando para que assim ele pudesse dormir. - Eu no estaria to segura disso, se eu fosse voc, Suze - ele disse 
em um tom que soou de modo muito seguro para mim.
  
  -Voc
   
  -V dormir, Suze -Paul disse. 
   
  -Mas voc. 
   
  -Ns temos um longo dia  frente. S durma.
  
  
  
  
  Por incrvel que parea, eu fiz. Dormi, eu quero dizer. Eu no esperava que eu fosse capaz disso. Mas talvez Dr. Slaski tivesse razo. Viajar no tempo cansa. Eu 
penso que eu no teria dormido caso contrrio. . . Voc sabe, por causa do feno, dos cavalos, da chuva, e, ah sim, por causa do sujeito quente-mas-totalmente-mortal 
que estava prximo de mim.
  
  Mas eu deitei minha cabea, e prxima coisa que eu soube, foi que as luzes tinham se apagado. 
  Eu acordei renovada. Eu nem mesmo percebi que eu tinha adormecido. Mas havia luz passando pelas rachas entre as tbuas de madeira que formam as paredes do celeiro. 
No a luz cinzenta do alvorecer, no isso. Era a quantidade de luz solar, que revelava que eu havia dormido at depois das 8:00...
  
  E ajoelhado na minha frente, estava Paul com o caf da manh.
  
  -Onde voc conseguiu isso? - Eu perguntei, ao mesmo tempo em que me sentava. Porque nas mos de Paul tinha uma torta. Uma torta inteira. Ma, era o cheiro disto. 
E ainda estava quente. 
  
  -No pergunte - ele disse, puxando de seu bolso dois garfos. -Apenas coma. 
  
  -Paul - Eu pude ouvir o passo adiante. Paul estava falando em voz baixa. Eu sabia porque agora.
  
  Ns no estvamos ss.
  A voz de um homem disse:
  
  -Se d bem l. - Ele pareceu estar conversando com os cavalos. 
  
  -Voc roubou isto? - Eu perguntei, enquanto levava o garfo  boca.Volta no tempo no o deixa s cansado, o deixa faminto tambm. 
  
  -Eu j disse para no perguntar - Paul disse, enquanto tambm comia uma garfada de torta, roubado ou no, era boa. No a melhor que eu j comi, de qualquer jeito 
- Eu no sei se, fora do Oeste Selvagem, eles tm realmente acesso ao melhor acar e material. 
  
  Mas preencheu o buraco no estmago... E logo meu deu outro desejo...
   
  E logo me fez ficar ciente de outra urgncia.
  
  Paul pareceu ler meu pensamento.
  
  -H um banheiro atrs do celeiro - ele me informou. 
   
   -Um banheiro? 
   
  -Voc sabe - Paul sorriu. - Guardado por aranhas. 
   
  Eu pensei que ele estava brincando. 
   
  Ele no estava. L tinha aranhas. Pior, o que eles usavam como papel higinico? Vamos dizer que hoje em dia aquilo no seria considerado adequado para limpar... 
Bem, voc sabe...
Eu tinha que me apressar, para que ningum me visse nas minhas roupas do sculo XXI e me fizesse perguntas.
Mas foi duro porque uma vez que eu sa do celeiro, eu fiquei pasma com o que eu vi em volta...

  Que no tinha nada.

  Realmente. Nada. Nada, em nenhuma direo. Nenhuma casa. Nenhum orelho. Nenhuma rua pavimentada. Nenhum "In-N-Out Burger". Nada. S arvores. E um caminho sujo 
que eu supus que fosse uma rua.
Eu pude, de todo jeito, ver a cpula vermelha da baslica. L estava ela, em um vale embaixo de ns, com o mar atrs dela. Isso  uma das ultimas coisas que no 
mudou nos ltimos 150 anos.
   
  Agradea Deus que por tudo que tem, de qualquer forma. 
   
  Quando eu me aproximei o sto novamente, no havia nenhum sinal do Sr. O'Neil. Ele parecia ter levado os cavalos dele e ido fazer tudo que os homens como ele 
faziam todo o dia em 1850. Paul estava esperando por mim com um olhar estranho na face dele. 
   
  -O que? - Eu perguntei, pensando que ele ia zombar de mim por causa do banheiro externo. 
   
  -Nada, - era tudo que ele disse, porm. -  s. . . Eu tenho uma surpresa para voc. 
   
  Pensando que isto era outra coisa relacionada  comida, embora eu esteja bastante cheia da torta, eu disse:
  
   -O que ? E no fale que  Egg McMuffin, porque eu sei que eles no tm isso por aqui. 
   
  -No  - Paul disse. 
   
  E ento, movendo-se mais rpido que eu j o tinha visto se mover, ele pegou uma coisa no bolso de trs dele - um pedao de corda. Ento ele me agarrou. 
   
  Pessoas,  claro, j me amarraram antes. Mas nunca algum cuja lngua esteve uma vez em minha boca. Eu realmente no estava esperando que o Paul fizesse algo to 
baixo. Salvar a vida de meu namorado e assim eu nunca o conheceria, sim. Mas amarrar minhas mos para trs? 
   
  No tanto. 
   
  Eu lutei,  claro. Eu dei algumas cotoveladas. Mas eu no podia gritar, eu no queria que a Sra. O'Neil aparecesse e fosse ir correndo chamar o xerife. Eu no 
poderia ajudar Jesse da priso. 
   
  Mas parecia que eu no poderia dar muita ajuda a ele. 
   
  -Acredite em mim - Paul disse quando ele apertou a corda que j estava parando praticamente minha circulao. -Isto di mas em mim do que em voc. 
   
  -No di - eu disse, enquanto lutava. Mas era duro lutar porque meu estmago estava em cima do feno, e o joelho dele estava em cima de minhas costas. 
   
  -Bem - ele disse, indo agora amarrar meus ps. - Voc tem razo, eu sei. De fato, isto no di em mim. E a manter ocupada enquanto eu for procurar Diego. 
   
  H um lugar especial para pessoas como voc, Paul, - eu o informei, cuspindo feno. Eu estava realmente aborrecida com feno. 

  -A escola reformatria? - ele perguntou rindo.
  
  -O inferno - Eu informei pra ele.

  -Agora, Suze, voc no est mais no caminho - Ele amarrou os meus ps e claro, eu no podia mexer a minha cabea, eu no sei. Eu estava amarrada fora do feno do 
celeiro, ele prendeu a corda em um poste ali perto. - Eu voltarei logo para desamarrar voc quando eu matar o Felix Diego. Ento ns poderemos ir pra casa.

  -Onde eu nunca mais falarei com voc - Eu informei.

  -Claro que vai - Paul disse alegre. - Voc no se lembrar de nada. Porque voc no saber nem mesmo quem Jesse .

  -Eu odeio voc - Eu disse realmente sentindo e demonstrando isso dessa vez.

  -Agora - Paul concordou - Mas no quando voc acordar amanh em sua prpria cama. Porque sem Jesse eu serei a melhor coisa que te aconteceu. Ser apenas voc e 
eu, dois deslocadores ao encontro do mundo. No vai ser divertidssimo?

  -Porque voc no vai...

  Mas eu no consegui terminar a frase, porque Paul tirou mais alguma coisa do bolso. Um leno branco e limpo. Ele me disse uma vez que sempre carrega um porque 
nunca sabe quando vai ter que amordaar algum.

  -No me desafie - Eu sussurrei pra ele.
Mas era tarde. Ele colocou o pano limpo na minha boca e amarrou com outro pedao da corda.

  Eu nunca tinha odiado Paul assim antes. Eu odiei ento. Odiei com cada osso do meu corpo, cada batida do meu corao. Especialmente quando ele levantou uma das
mos e disse:

  - At daqui a pouco.

  Ento ele desapareceu pelas escadas de assoalho do celeiro. 
  
  
  Captulo 15

  No sei quanto tempo fiquei deitada l daquele jeito.Tempo bastante para comear a me perguntar se eu poderia apenas fechar meus olhos e aparecer em casa. Quem
sabe onde eu acabaria? Algum lugar no quintal, de qualquer maneira. Possivelmente num grande arbusto de sumagre venenoso, j que no havia celeiro l agora. Mas 
alguma coisa tinha que ser melhor do que ficar deitada numa posio desconfortvel no cho de um celeiro com feno, com quem sabe o que engatinhando no meu cabelo 
e o sangue jorrando da minha tmpora.
  
  Mas um mundo sem Jesse? Porque isso  o que eu estava garantindo a mim mesma se desistisse agora. Um mundo sem a minha razo de viver. Bem, mais ou menos. Quero 
dizer, eu sei que as mulheres precisam de homens assim como peixes precisam de gua, e tudo mais.
  
  Exceto...
  
  Exceto que eu o amo...
  
  Eu no poderia fazer isso. Eu sou muito egosta. Eu no desistiria. Ainda no. Ainda restavam muitas e muitas horas de luz do dia, ou pelo menos, restavam quando 
Paul tinha sado. As sombras, eu no podia evitar reparar, estavam crescendo.
  
  Ainda, que a Sra O'Neill tenha contado a verdade ao Paul, e Jesse fosse chegar aquela noite, ainda havia tempo. Paul poderia no achar Diego. Ele poderia ter que 
voltar sem sua misso cumprida.E quando ele chegasse, e me desamarrasse...
  
  Bem, ele iria aprender muito sobre dor, disso eu tinha certeza. Porque desta vez, eu estaria pronta para ele.
  
  Eu no sei quanto tempo se passou enquanto eu estava deitada l, arquitetando minha vingana contra Paul Slater. A morte era bom demais para ele, claro. Uma eternidade 
como fantasma - flutuando pr l e pr c, desta dimenso para a outra - era o que combinava mais com ele. Dar um pouquinho do gosto de como tinha sido para o Jesse 
todos esses anos. Isso ensinaria a ele...
  
   Eu poderia fazer isso tambm. Eu poderia puxar para fora do corpo sua alma e de tal forma que ela nunca pudesse retornar...
  
  ...Dando seu corpo para outro algum. Outro algum que merecesse uma chance de viver novamente.
  
  Mas eu no poderia. Eu sabia que no poderia. Eu no poderia beijar os lbios do Paul, mesmo se eu soubesse que era o Jesse dentro dele, me beijando. Isso era 
to... nojento.
  
  Isso  o que eu estava pensando deitada l quando ouvi um som que meus ouvidos ficaram to afiados em reconhecer no ltimo ano, que eu poderia ir a qualquer programa 
de auditrio, milhes de vezes, e ainda assim reconheceria.
  
  A voz do Jesse.
  
  Ele estava chamando algum. Eu no podia ouvir o qu, exatamente, ele estava dizendo. Mas ele parecia, no sei... Diferente de algum modo.
  
  Ele estava chegando mais perto tambm. A voz dele, quero dizer.
  
   Ele estava vindo na direo do celeiro. Ele me achou. No sei como - Dr Slaski no tinha dito nada sobre fantasmas serem capazes de viajar no tempo, mas talvez 
eles pudessem. Talvez eles pudessem como os deslocadores e o Jesse tinha feito isso, tinha voltado no tempo me procurando. Para me salvar. Para me ajudar a salv-lo.
  Eu fechei os olhos, pensando no nome dele to forte quanto podia. Isso funcionava mais vezes do que no funcionava. Jesse se materializaria na minha frente, se 
perguntando que diabos seria to urgente.
  
  S que ele no se materializou. No dessa vez. Abri os olhos e... nada.
  
  S que eu ainda conseguia ouvir sua voz abaixo de mim. Ele estava dizendo:
  
  -No, no tudo bem Sra O'Neill.
   
  Sra O'Neil. Sra O'Neil podia ver o Jesse?
  
  A porta co celeiro abriu. Eu ouvi a porta ranger. Ento...
  
  Passos.
  
  Mas como poderia ouvir passos do Jesse? Ele  um fantasma.
  
  Rastejando no feno, tanto quanto conseguia, estiquei meu pescoo, tentando ver o que eu s conseguia escutar. Mas a corda que o Paul tinha usado para amarrar meus 
ps na viga no deixava que eu me arrastasse mais que uns centmetros da minha posio original. Eu podia ouvi-lo agora - realmente ouvi-lo. Ele estava falando num 
tom carinhoso e gentil com... com...
  
  Com seu cavalo.
  
  Jesse estava falando com um cavalo. Eu ouvi o cavalo relinchar gentilmente em resposta.
  
  Foi quando finalmente percebi. Esse no era o fantasma do Jesse, vindo me salvar. Esse era o Jesse vivo, que nem me conhecia. O Jesse vivo iria encontrar seu destino 
no meu quarto esta noite.
  Eu gelei, sentindo agulhadas e fisgadas por todo corpo - e no era somente por que tinha estado numa posio to incmoda por tanto tempo.Eu tinha que v-lo. Eu 
Precisava v-lo. Mas como?
  
  Ento ele se moveu e eu virei a cabea, seguindo o som...
  
  E vi, atravs de uma fenda nas tbuas do mezanino, um pedao de cor. O cavalo dele. Era o cavalo dele. Eu vi suas mos se movendo na cela, desamarrando-a. Era 
o Jesse. Ele estava exatamente abaixo de mim. Ele estava...
  
  Porque eu fiz o que fiz a seguir, eu nunca saberei. Eu no queria que o Jesse soubesse que eu estava l. Se ele me achasse, isso poderia estragar tudo. Quem sabe, 
ele poderia nem ser morto esta noite. E a eu nunca o conheceria. Mas a necessidade de v-lo - vivo- era to forte, que sem nem pensar eu bati meus ps no cho do 
mezanino to forte quanto pude.
  
  As mos se movendo na cela de repente pararam. Ele me ouviu. 
  
  Eu tentei cham-lo, mas tudo que saiu, graas a mordaa do Paul, foi gnnh, gnnh. 
  
  Bati meus ps mais forte.
  
  -Tem algum a? - ouvi Jesse perguntar.
  
  Bati novamente.
  
  Desta vez ele nada falou. Comeou a subir a escada para o mezanino. Ouvi a madeira ranger sob seu peso.
  Seu peso. Jesse tinha peso.
  
  E a vi suas mos - suas mos grandes,morenas,capazes- na ltima barra da escada, seguida um segundo depois, por sua cabea...
  
  A respirao congelou nos meus pulmes.
  
  Porque era ele. Era o Jesse.
  
  Mas no o Jesse como eu sempre havia visto antes.Porque ele estava vivo. Ele estava... l. Ele estava to solidamente e indubitavelmente l, ocupando espao como 
se ele possusse espao, como se fosse melhor o espao sair do caminho dele, e no ao contrrio. Ele estava brilhando. Ele estava radiando. No o brilho espectral 
que eu estava acostumada a ver ao seu redor, mas ao invs disso uma inegvel aura de sade e vitalidade.  como se o Jesse que eu conhecia fosse uma plida rplica 
- ou reflexo - daquele que eu agora via. Nunca estive to consciente do jeito que seu cabelo escuro se enrolava na sua nuca bronzeada, o profundo castanho de seus 
olhos, a brancura de seus dentes, a fora naquelas longas pernas ao se ajoelhar ao meu lado, os tendes nas suas mos morenas, os msculos em seus braos nus...
  
  -Senhorita?

  E sua voz. Sua voz! To profunda, que parecia reverberar minha espinha abaixo. Era a voz do Jesse, certamente, mas de repente, era envolvida, era estreo, era...
  
  -Senhorita? Voc est bem?
  
  Jesse estava olhando para mim, seus olhos escuros cheios de preocupao. Uma de suas mos alcanou sua bota, e a prxima coisa que vi, foi uma longa e brilhante 
lmina em sua mo. Eu assistia com fascinao enquanto a lmina se aproximava pouco a pouco da minha bochecha.
  
  -No tenha medo - Jesse dizia - Vou te desamarrar. Quem fez isso com voc?
  
  De repente a mordaa se foi. Minha boca estava em carne viva onde a corda estava. E ento minhas mos estavam livres. Doloridas, mas livres.
  
  -Voc consegue falar? - As mos do Jesse estavam nos meus ps agora, sua faca cortando as cordas com as quais Paul tinha me amarrado.
  -Tome.
  
  Ele deixou a faca de lado e levantou alguma coisa na direo do meu rosto. gua.
  De um cantil. Peguei de sua mo e bebi gulosamente. Eu no tinha idia de quanto estava com sede.
  
  -Devagar - disse Jesse naquela voz - naquela voz! - posso pegar mais. Fique aqui e eu vou arrumar ajuda-
  
  Na palavra ajuda, entretanto, minhas mos , como de vontade prpria, deixaram cair o cantil e voaram na direo de sua camisa, agarrando-a.
  
  No era a camisa que eu costumava ver jesse usando. Era parecida, o mesmo macio e branco linho. S que essa era mais alta no pescoo. Ele esta usando um colete 
tambm - acho que  assim que chamavam naquela poca - de um tipo de seda amassada.
  
  -No - balbuciei e me espantei em quo metlica minha voz soou. - No v.
  
  Claro que no era porque eu estivesse preocupada que ele fosse chamar a Sra O'Neil, que me reconheceria como o estrupcio que ela achou vagando em frente a sua 
loja no dia anterior. Mas porque eu no podia suportar a idia dele sair da minha vista. No agora. Nunca.
  
  Esse era o Jesse. Esse era o Jesse real. Era esse que eu amava.
  
  E que iria morrer em breve. 
  
  -Quem  voc? - Jesse perguntou, pegando o cantil que eu deixara cair, vendo que ainda no estava vazio e me devolvendo.
  
  -Quem fez isso - deixou voc aqui desse jeito?
  
  Bebi o que restava da gua. Eu conhecia Jesse o suficiente para saber que ele estava enfurecido - enfurecido com quem quer que tenha me deixado naquela situao.
  
  -Um... um homem - disse eu. Porque evidentemente, Jesse - esse Jesse - no saberia quem  Paul... e claramente no sabia quem eu era.
  Suas sobrancelhas franziram, aquela com a cicatriz parecia particularmente adorvel. Percebi que a cicatriz no era to bvia no Jesse vivo, como era no Jesse 
fantasma.
  
  -E esse mesmo homem colocou voc nessas roupas de forasteira? - quis saber Jesse, olhando criticamente para meu jeans e minha jaqueta de motociclista.
  
  De repente quis gargalhar. Ele parecia um Jesse completamente diferente - ou melhor, cem vezes mais real do que o Jesse que eu tinha conhecido - mas o seu desgosto 
com meu guarda-roupa? Esse no tinha mudado nada.
  
  -Sim - disse eu. E imaginei que isso pareceria mais acreditvel do que a explicao verdadeira.
  
  -Ele ser chicoteado - disse Jesse como se pessoas fossem chicoteadas todos os dias por vestir garotas com roupas estranhas e deixa-las amarradas em celeiros toda 
semana. 
  
  -Quem  voc? Sua famlia deve estar te procurando...
  
  -Hum - disse eu - No, no esto. Quer dizer... duvido que estejam. E meu nome  Suze.
  
  Suas sobrancelhas franziram novamente - Soose?
  
  -Suze - disse com uma gargalhada. No pude evitar. Gargalhar, quero dizer. Era to maravilhoso v-lo assim. - Susannah como em "Oh Susannah no chores mais por
mim".

  Era o que tinha dito a ele, ca na real, com uma pontada no peito, l no meu quarto, na primeira vez que o encontrei, no dia que cheguei a Carmel. Eu no sabia
ento, o que sei agora - aquele momento tinha sido um divisor de mares na minha vida - tudo antes era AJ - Antes do Jesse. Tudo depois, DJ: depois do Jesse. Eu no
sabia ento, que aquele cara na camisa bufante, com cala preta apertada seria um dia significar mais para mim do que minha prpria vida... seria um dia o meu tudo.
  
  Mas eu sabia agora, assim como sabia uma outra coisa: Se eu estivesse enganada nisso, estaria enganada em todo o resto.
  
  Mas eu sabia tambm, que ainda no era tarde demais para consertar tudo. Graas a Deus.
  
  -Susannah - disse o Jesse, enquanto sentava ao meu lado, no feno. -Susannah O'Neil, talvez? Voc  parente do Sr. e da Sra O'Neil? Deixe-me cham-los. Sei que 
vo querer saber que voc est em segurana.
   
  No - disse eu, balanando a cabea - minha, hum, famlia est longe. Realmente longe. Voc no tem como falar com eles quer dizer, obrigada, mas no d para falar 
com eles.
  
  -Ento esse homem... - Jesse parecia agitado. E Porque no? Provavelmente no era todo dia que o cara esbarrava numa garota de 16 anos que tinha sido amarrada, 
amordaada e largada num celeiro - Quem  ele? Vou buscar o xerife. Ele tem que pagar pelo que fez.
  
  Por mais que eu tivesse gostado de atiar o Jesse - Jesse vivo - contra Paul, isso no parecia a coisa apropriada a fazer. No quando Jesse estava prestes a encarar 
tantos problemas em to pouco tempo. Paul era problema meu, no dele.
  
  -No - disse eu - No, tudo bem - Ento vendo sua cara de interrogao, disse:
  
  -Quero dizer, tudo bem mesmo. No chame o xerife...
  
  -Voc no precisa mais ter medo, Susannah - disse Jesse gentilmente. Ele claramente no sabia que estava falando com uma garota que j havia chutado muitas bundas 
por a a fora. Bundas de fantasmas, na maioria, mas mesmo assim... - No vou deixar esse homem machuc-la de novo.
  -Eu no tenho medo dele, Jesse.
  
  -Ento - seu rosto enevoou de repente. 
  
  -Espera a. Como voc sabe o meu nome? 
   - Ah , bem...esse era o ponto, no era? 
  
  Jesse estava me olhando curiosamente, seus olhos castanhos - escuros me encarando. Tenho certeza que estava um modelo de beleza. Que garota no estaria depois 
de passar horas com a cabea no feno e a boca amordaada? Claro que no fazia diferena o que Jesse pensasse de mim. Mas eu me sentia encabulada do mesmo jeito. 
Afastei meu cabelo dos olhos e tentei enfi-lo atrs da orelha. Para minha sorte, a primeira vez que encontro meu namorado - enquanto ele ainda est vivo - estou 
parecendo um trem amassado.
  -Voc me conhece? - Jesse perguntou, seu olhar procurando uma resposta. - J nos encontramos? Voc ... Voc  uma das garotas Anderson?
  
  Eu no tinha idia de quem as garotas Anderson poderiam ser, mas senti uma ponta de inveja delas, quem quer que elas fossem. Porque eram Garotas que conheciam 
o Jesse - Jesse vivo. Fiquei me perguntando se elas sabiam o quanto tinham sorte.
  
  -Ns nunca nos encontramos - disse eu - Ainda, mas... eu te conheo. Quer dizer, j vi voc.
  
  -Verdade? - reconhecimento finalmente pairou em seu olhar. - Espere a... sim, j sei. Voc  amiga da escola de uma das minhas irms? Mercedes? Voc conhece a 
Mercedes?"
  
  Neguei com a cabea, futucando o bolso da minha jaqueta de couro.
  
  -Josefina, ento? - Jesse estudou meu rosto mais um pouco. - Voc ter quase a mesma idade dela, 15 anos, certo? Voc no conhece a Josefina? Voc no deve conhecer 
a Marta, ela  mais velha...
  
  Neguei novamente, e a tirei do bolso o que estava procurando. Ele olhou para o que eu segurava em minha mo.
  
  - Nombre de Dios - disse ele gentilmente enquanto o tirava de mim.
  
  
  
  Era o retrato miniatura do Jesse, aquele que eu tinha furtado da Sociedade Histrica de Carmel. Eu via agora o quanto era ruim aquela pintura. Ah, o pintor tinha 
acertado o formato da cabea do Jesse e a cor dos olhos e a expresso estavam bem parecidas.
  
  Mas ele tinha falhado completamente em captar o que fazia do Jesse... bem... ser o Jesse. A inteligncia aguada nos seus olhos castanhos escuros. O contorno confiante 
da sua larga e sensual boca. A gentileza de suas mos fortes. A fora - agora acorrentada, mas to prxima da superfcie, que poderia estourar a qualquer momento 
- de seus msculos, talhados em anos de trabalho braal no rancho do pai, embaixo daquela camisa de linho e cala preta.
  -
  Onde voc conseguiu isso? - perguntou ele, com o retrato fechado em seu punho.
  
  Fascas pareciam sair de seus olhos castanhos, ele estava enraivecido. 
  
  -S uma pessoa tem um retrato como esse.
  
  -Eu sei - disse eu - Sua noiva, Maria. Voc est aqui para casar com ela. Ou pelo menos esse  o plano. Voc est a caminho de v-la , mas o rancho do pai dela 
ainda est longe, ento voc vai passar a noite aqui antes de partir para a casa dela pela manh.
  Raiva tornou-se espanto enquanto Jesse levantou sua mo livre e passou seus dedos pelo seu cabelo grosso e escuro - um gesto que eu o tinha visto fazer tantas 
vezes quando estava completamente frustrado comigo. Lgrimas caram dos meus olhos, isso era to familiar... e to adorvel.
  
  -Como voc sabe de tudo isso? - perguntou ele desesperadamente - Voc ... voc amiga da Maria? Ela te deu isso? 
  
  -No exatamente - disse eu.
  
  Respirei fundo.
  
  -Jesse, meu nome  Susannah Simon - disse apressadamente, querendo que tudo sasse antes que eu mudasse de idia - Eu sou o que se chama de mediadora. Sou do futuro 
e estou aqui para evitar que voc seja assassinado hoje  noite.
  
  Captulo 16

  Porqu, a final, eu no podia fazer isso.

  Eu achei que poderia. Realmente achei que poderia ficar parada e deixar que Jesse fosse assassinado. Quero dizer, se a alternativa era nunca vir a conhec-lo? 
Claro, eu poderia fazer isso. Sem problemas.
Mas ento isso foi antes. Antes que eu pudesse v-lo. Antes que eu pudesse falar com ele. Antes que ele tivesse me tocado. Antes que soubesse quem ele foi, quem 
ele poderia ter sido, se ele tivesse sobrevivido.

  Eu sabia agora que eu no poderia deixar que ele fosse morto, assim como eu podia antes. . . Bom,  como se eu salvasse meu meio-irmo de um carro de corridas 
ou desse  minha me cogumelos venenosos. Eu no podia deixa-lo morrer, mesmo que isso significasse nunca mais poder v-lo. Eu amava-o demais.

  Era simples assim.

  Eu sabia que eu iria me odiar depois. Eu sabia que iria acordar e, se eu me lembrasse do que fiz, iria me odiar pelo resto da minha vida.
Mas o que eu podia fazer? Eu no podia ficar estagnada de maneira estpida enquanto algum que eu amava estava caminhando para um perigo mortal. Padre Dominic, todos 
eles, mesmo Paul, estavam certos. Eu tinha que salvar Jesse eu tinha. 
Era a coisa certa a fazer. 
Mas no era, claro, a coisa fcil. A fcil seria apontar o dedo para ele assim que ele me olhasse bem nos olhos, desacreditado, e... foi, "Ha, babaca, estou s brincando!"

  Ao invs disso, eu disse:
  
  -Jesse. Voc me ouviu? Eu disse que vim do futuro para salv-lo.

  -Eu ouvi o que disse - Jesse sorriu gentilmente para mim - Voc sabe o que eu acho que seria melhor? Se voc me deixasse chamar a Sra. O'Neil. Ela cuidaria de 
voc at que eu fosse  cidade chamar o mdico. Porqu eu acho que homem que te amarrou nessa cadeira tambm pode ter te dado uma batelada na cabea.
  
  -Jesse - eu disse pasma. Eu no posso acreditar nisso. Aqui eu estava, fazendo esse tremendo sacrifcio, salvando o amor da minha vida e sabendo que dessa forma 
eu nunca mais estaria com ele, e ele me acusando de estar sendo estpida.- Paul no me deu uma batelada na cabea, ok? Eu estou bem. Um pouco exausta ainda, mas 
bem. Eu s preciso que voc me oua. Hoje  noite Felix Diego ir se esgueirar at o seu quarto aqui na penso e estrangul-lo at a morte. Ento ele ir jogar seu 
corpo numa cova rasa e ningum mais ir encontr-lo, at que um sculo e meio depois, quando meu padrasto instalar uma piscina quente no quintal.
  
  Jesse olhou para mim. Eu poderia estar errada, mas acho que vi piedade em seu olhar. 

  -Jesse, eu estou falando srio. - eu disse. - Voc tem que ir para casa. Ok? Suba em seu cavalo e volte para casa, e no pense mesmo em se casar com Maria de silva. 

  -Maria falou com voc. - Jesse disse finalmente. Sua cara escureceu com uma raiva repentina. Esta  sua maneira de tentar conversar cara a cara, ? Bem voc pode 
voltar para sua senhora e dizer-lhe que no trabalhara mais. Eu no serei da famlia dela, pensando que eu no sou cavalheiro o bastante para quebrar o compromisso. 
Eu estou indo v-la amanh, gostando ou no. - eu pisquei para ele, completamente sem palavras. Do que ele falava? Ento eu me lembrei que Jesse havia me falado 
uma vez, um segredo que s eu sabia... Que tinha estado no rancho de Silva todos aqueles anos e no pretendia se casar com ela, mas tambm no quebraria o compromisso.
  
  O que se explicaram todas aquelas cartas terem sido descobertas, no ultimo vero, quando meu meio-irmo estava escavando e achou-as acidentalmente. As maneiras 
daquele sculo exigiam que o casal trocasse cartas um com o outro. Diego assassinou Jesse antes que tal troca de cartas pudesse ocorrer, a fim de impedir que o pai 
de Maria fizesse perguntas incomodas a respeito da 'folga' e Jesse, se sua noiva sabia o que tinha feito ele terminar a relao.

  -Ah espera. - eu disse. - Contenha-se. Jesse, Maria no falou comigo. Eu no conheo mesmo essa Maria; bem, eu digo, ns nos conhecemos, mas.

  -Voc tem que conhece-la. - Jesse olhou para o retrato em sua mo. - Ela deu-lhe este retrato, como mais voc poderia ter o conseguido?
  
  Jesse balanou a cabea.

  -Eu no sei quem voc  - ele disse devagar, em um tom que nunca tinha usado comigo antes - Mas eu estou devolvendo isto - ele balanou o retrato na minha frente 
- para seu dono de direito. Seja qual for o jogo que voc est jogando, acaba agora. Voc me entendeu?
  
Jogo? Eu no podia acreditar nisso. Aqui estava eu, arriscando meu pescoo por ele, e ele estava bravo comigo por ter roubado um retrato estpido dele? 
  
  - No tem jogo nenhum Jesse, t bom? Se isto fosse apenas um jogo - Se Maria realmente tivesse me mandado aqui - como eu saberia as coisas que sei? Como eu saberia 
que Maria e Diego esto secretamente apaixonados? Como eu saberia que sua namorada - que bem piranha - no quer se casar com voc de jeito nenhum? E que seu pai 
no aprova o Diego, e acha que se ela se casar com voc ela vai esquecer dele eventualmente? Como que eu saberia que os dois fizeram um plano para te matar hoje 
 noite e esconder o corpo, de modo que parea que voc fugiu do casamento...

  -Nombre de Dos - Jesse estava de p e amaldioando. Eu no podia deixar de notar como o sto chacoalhava com seus passos. Isso  uma coisa que no teria acontecido 
com o Jesse fantasma, e era apenas mais uma prova do quo longe eu estava do mundo que conheo.

  Mas essa no era a nica coisa que no teria acontecido com o Jesse fantasma. Eu percebi na hora que o Jesse vivo se ajoelhou, me segurou pelos ombros e me deu 
uma chacoalhada frustrada.

  -Voc sabe de tudo isso porque a Maria te contou - ele disse, entre dentes rangendo. - Admita! Ela te contou! - to rpido quanto ele tinha me sacudido. Ele me 
soltou e se levantou. Soltando um murmrio de chateao, Jesse passou uma mo pelos cabelos.
Meus braos, onde ele tinha me tocado, se arrepiaram.
  
  -Olha, me desculpe - Eu disse sentindo isso. Eu sabia como ele devia estar se sentindo. Seu corao no era o nico partido naquele celeiro. - Quero dizer, sobre 
sua namorada querendo te matar e tudo. Mesmo se voc, sabe, fosse terminar tudo mesmo. Mas se  alguma consolao, eu acho que voc est muito melhor sem ela. Quero 
dizer, as nicas vezes que eu me encontrei com ela, ela estava tentando me matar tambm. Melhor voc descobrir que ela  uma piranha gora, e terminar tudo facilmente, 
do que descobrir isso depois de casado. Porque eu nem sei se eles deixam as pessoas se divorciarem, voc sabe, no seu tempo.

  -Pare de falar isso! - as duas mos de Jesse estavam alisando o cabelo agora.

  -O que? Piranha? - Talvez eu esteja sendo um pouco dura - bem, t bom, mas a garota parece trazer somente problemas.

  -No - Jesse se virou e olhou para mim, e eu fiquei surpresa com a intensidade que seu olhar queimou no meu. Seu tempo. O futuro. Voc...Voc...Desculpe-me, senhorita 
Suzannah. Mas temo que terei de chamar o xerife de qualquer jeito. Porque voc certamente no est muito bem da cabea.

  -Senhorita Suzannah! - para o meu completo horror lgrimas caram dos meus olhos, mas eu no podia fazer nada...Isso era to...To...
Injusto!

  -Ento  senhorita Suzannah, no ? - eu perguntei para ele ignorando minhas lgrimas. - Ah,  simplesmente timo. Eu venho at aqui, arriscando muitos de meus
neurnios, e voc nem mesmo acredita em mim? Eu estou basicamente garantindo uma vida de corao partido, e tudo o que voc tem a dizer  que eu no estou bem da 
cabea? Muito obrigada, Jesse. No, realmente, est bem assim!

  Eu terminei com um suspiro. De repente, isso tudo era demais. Eu no podia nem olhar para ele, porque sempre que eu olhava, meus olhos ficavam ofuscados com tanta 
luz, como se ele fosse a rvore de natal mais gloriosa que j existiu. Eu enterrei meu rosto em minhas mos e chorei.
  
  Talvez eu j tenha feito o bastante, eu disse para mim mesma. Talvez contando para ele o plano de Maria e Diego faa com que ele volte para casa hoje. Mesmo que 
a fonte seja algum que ele considere maluca. Eu no podia fazer nada mais, podia? Quero dizer, o que mais eu podia fazer para ele acreditar em mim?
da eu me lembrei.

  Eu tirei meu rosto de minhas mos e olhei para ele, sem nem ligar se ele via ou no minhas lgrimas.

  -Mdico - eu disse.

  -Sim - Jesse tinha tirado um leno de algum lugar e o tinha me entregado, sua raiva parecia ter desaparecido - Deixe-me buscar um para voc. Eu realmente acho, 
senhorita Suzannah, que mesmo com voc dizendo o contrrio, a senhorita no est muito bem...

  -No - eu tirei o leno de vista impaciente - No para mim. Voc.

  Um pequeno sorriso apareceu no canto de sua boca: 
  
   -Eu preciso de um mdico? Eu lhe garanto senhorita Suzannah, eu nunca me senti melhor.

  -No - eu fiquei de p. Era a primeira vez que eu tentava ficar de p depois que ele me desamarrou, e posso afirmar que no estava muito firme.
  
  Mesmo assim eu consegui me levantar sem sua ajuda. Agora eu estava em sua frente, respirando com fora - mas por emoo, no por exausto.

  -Um mdico - eu disse, olhando em seu rosto confidente e preocupado. Ele era uns vinte centmetros mais alto do que eu, mas eu no liguei, continuei com o ego 
alto. 
  
  -Secretamente voc quer ser um mdico - eu disse - Voc no pediu para ele, mas sabe que seu pai no iria deixar. Ele precisa que voc tome conta do rancho, j 
que  o nico homem. Eles no podiam ter voc longe tempo suficiente para fazer a faculdade de medicina.

  Ento alguma coisa aconteceu com o rosto de Jesse. O lapso de suspeita que tinha estado vendo em seu olhar desde que eu lhe mostrei o retrato desapareceu, e em 
seu lugar veio uma outra coisa...

  Alguma coisa como vontade de saber.

  -Como...? - Jesse olhou para mim com incredulidade. - Como voc poderia...? Eu nunca contei isso para ningum.
Eu estiquei um brao e segurei em sua mo... Eu fiquei chocado pelo quo quente ela sentia na minha. Todas aquelas vezes que Jesse tinha me segurado... Todas a vezes 
que ele tinha afastado meu cabelo e eu tinha imaginado seu calor... Agora eu sabia que no tinha sido real, aquele calor. Tinha sido tudo na minha cabea. Este, 
este calor foi real. Essa mo era real. Os calos de trabalho que eu conhecia to bem...Eles eram reais. O Jesse verdadeiro.

  -Voc me contou - eu disse para ele. - voc me contou no futuro.

  Jesse sacudiu a cabea, mas no com fora, s um pouquinho.

  -Isso...Isso no  possvel - ele disse.
  
   - eu disse -  sim. Voc v, o que vai acontecer hoje a noite  que Diego te matar. Mas s seu corpo morre, Jesse. Sua alma no vai a lugar algum, porque... 
Bem, porque eu acho que no era para ter acontecido dessa forma.

  Eu sei l o que pra ele, ainda segurando sua mo. 
  
  - Eu achei que voc devia continuar vivo. Mas voc no continuou. Ento sua alma andou por a at o dia que eu cheguei, mais ou menos 150 anos depois. Eu sou o 
tipo de pessoa que ajuda... Bem, pessoas que morreram. Voc me disse que queria ser um mdico, Jesse. Voc me disse isso no futuro. Acredita em mim agora? Voc vai 
fazer o favor de ir embora e nunca mais voltar?

  Jesse olhou pra nossa mo, junta, a minha to plida comparada com a dele, bronzeada. Ele no disse nada. O que ele podia falar, realmente? Ento porque ele era 
esse, ele pensou em alguma coisa pra falar... A coisa certa a falar. 
  
  - Se voc sabe de uma coisa como essa - ele disse, calmamente - Sobre eu querer ser mdico - algo que eu nunca contei a Maria - ou  alguma pessoa viva - Ento 
eu devo... Eu acho que devo... Acreditar em voc.

  -Ento - eu disse - agora voc sabe, voc deve sair daqui, Jesse. 
  
  -Apenas suba no seu cavalo e v embora. 
  -Eu irei - Ele disse, ns estvamos ali, to prximos, tudo que ele deveria fazer ali, era sei l o que, e segurar meu rosto com suas mos. Mas ele no fez, claro.

  Mas eu pude sentir o calor que vinha de suas mos, no apenas da que eu segurava, mas de seu corpo inteiro. Ele estava to vibrante? To vivo, que eu parei de 
sentir qualquer fio do cabelo na minha cabea, qualquer coisa em meu corpo. Eu o amava tanto, e ele nunca... Nunca saber disso. Mas tudo bem. Porque ele poderia 
continuar vivo.

  Mas no - Jesse disse, pegando minha mo de repente e se virando - hoje eu parei, sentindo como se tivesse sido chutada. Alguma coisa que eu no entendi sobre 
o ar. 
  
  - Q... Que? - eu perguntei, estupidamente - No o QUE?

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  -Hoje no - Jesse disse, apontando para as portas do celeiro, atravs da qual eu pude ver, as sombras tinham ido embora. O sol tinha ido, no havia mais sombras
- Amanh eu irei pra casa dos de Silva pra falar com Maria e o pai dela. Mas hoje no. Est ficando tarde. Tarde demais pra viajar. Eu vou ficar aqui hoje, e sair
de manh.
  
  -Mas voc no pode! - As palavras saram do fundo da minha alma. - Voc precisa viver, Jesse, HOJE! Voc no entende,  muito perigoso. 
  
  Um sorriso muito familiar apareceu em sua boca. 
  
  - Eu sei me cuidar sozinho, senhorita Suzannah - ele disse - No estou com medo de Felix Diego.
  
  Eu no podia acreditar no que estava acontecendo diante dos meus olhos. 
  
  -Bem, voc deveria estar! - Eu gritei praticamente. - Considerando que ele mata voc! 
  
  
  -Ah - Jesse disse - Mas se eu entendi bem, isso foi antes de voc vir me avisar. . . o que eu agradeo a voc. 
  
  Eu no podia acreditar como aquilo estava indo ruim. 
  
  -Jesse - Eu disse, fazendo uma ltima tentativa desesperada de convenc-lo. -Voc no pode passar a noite nessa casa. Voc entendeu? muito perigoso. 
  
  Mas Jesse surpreendeu-me. Bem, por que no? Ele sempre surpreendia. 
  
  -Eu entendi - ele disse. 
  
  -Entendeu? - Eu perguntei para ele - Realmente? Ento voc ir? 
  
  -No - disse - Eu no irei. 
  
  -Mas... - eu vou continuar aqui - ele disse, apontando o cho - Com voc. At amanh. 
  
  Eu olhei pra ele. 
  
  -Aqui? Aqui? No celeiro? 
  
  - Com voc - Jesse disse. 
  
  - Comigo? 
  
  -  - ele disse e eu levei todo esse tempo pra entender o que ele estava fazendo. L estava eu, 150 anos atrs, para proteg-lo, e ele estava tentando proteger 
a mim.
  
  Isso era uma coisa que o Jesse faria que eu quase comecei a chorar. De verdade!
Mas s quase.

  Porque sua prxima pergunta me distraiu. 
  
   -Eu tenho que perguntar...Por que? - seus olhos escuros vasculharam meu rosto.

  -Por que o que? - eu murmurei, hipnotizada, como sempre, por seus olhos nos meus.

  -Por que voc fez isso... veio at aqui... para me avisar sobre Diego?

  Porque eu te amo.

  Quatro simples palavras. Quatro simples palavras que no tinha jeito de eu dizer. No para esse Jesse, que tecnicamente era um estranho para mim. Ele j achava
que eu era maluca. Eu no queria que as coisas ficassem ainda piores.

  -Porque no foi certo o que aconteceu com voc. Isso  tudo. - foi o que eu comecei a dizer, quando a voz de um homem chamou: 
  
  -Senhor de Silva?

  E vamos apenas dizer que no era o Sr. O'Neil.
  
  
  Captulo 17


  Eu senti meu sangue em minhas veias gelar.

  Eu conhecia aquela voz. Eu a conhecia muito bem. O homem que a tinha j tinha tentado me matar uma vez.

  - ele! - eu sussurrei. Desnecessariamente, j que  claro que ele sabia quem era.
  
  Jesse se levantou e se moveu para longe das sombras. Ele me deu mais uma expresso de espanto. Eu fiquei aliviada em ver. Ele estava comeando a acreditar em mim 
agora.

  -Quem est a? - Ele falou, levantando a lamparina e girando um boto que trocava a luz mais fraca para a mais forte.

  O homem que estava l embaixo, disse alguma coisa em espanhol que eu no entendi. Exceto as duas ltimas palavras. E elas eram fceis o bastante para eu decifr-las.

  Felix Diego.
  
  
   isso ento, eu pensei. No tem como voltar atrs.
Jesse disse alguma coisa em espanhol para Diego, quem respondeu em tons, mesmo que eu no pudesse entender o que ele falava, muito sedosos, mas que valiam a confiana. 
Ele parecia estar convidado o Jesse a fazer alguma coisa.
E jesse  claro, estava recusando o convite.

  -Ento? - eu sussurrei ansiosa quando a conversa finalmente terminou e eu ouvi Diego indo embora.

  Jesse levantou uma mo, claro, no estava realmente convencido como eu que o homem tinha sado de verdade.
Ento, enquanto a tarde se tornava noite e eu no podia mais ver alm da lmpada de gs que Jesse segurava, ele disse: 
  
  -Era Felix Diego. Ele disse que seu patro - o pai de Maria - o enviou para ver se eu tinha tudo que precisava para ficar confortvel e para me acompanhar no restante 
de minha viagem amanh.

  -O pai de Maria j tinha feito isso quando voc veio visit-la antes?-eu perguntei.

  -No - foi a simples resposta do jesse.

  -O que voc disse para ele?

  -Eu disse que estava bem - Jesse disse. Ele estava respondendo s minhas perguntas, mas era claro por sua expresso que ele estava a quilmetros de distncia. 
Ele estava analisando o que eu tinha lhe contado, e colocando junto com o que tinha acabado de presenciar. E no estava gostando nem um pouco do resultado.

  -Eu disse que eu ficaria aqui a noite inteira - ele continuou - porque meu cavalo estava doente. Ele disse que meu cavalo lhe parecia bem e me convidou para se 
juntar a ele l fora para uma garrafa de vinho...
  
  -Eu prendi a respirao - Voc no disse sim, disse? 
  
  
  - Claro que no - Pela primeira vez, jesse parecia me ver, enquanto olhava pra mim - eu acho que voc est certa. Acho que ele realmente quer me matar.
  
  Pelo menos, no at um segundo depois, quando ouvi passos se aproximando. Pensando que Diego estava voltando, eu comecei a ir para a escada, pronta para arremessar 
a alma do cara de volta para o reino... 

Mas Jesse entrou na minha frente, colocando o brao pra me impedir de chegar mais perto. E ento eu percebi o que era que tinha nos seus olhos. Mas a pessoa que 
estava se aproximando no era Felix Diego. 

-Ah, timo - Paul disse, quando ele finalmente entrou no celeiro e nos viu - Ah, isso  simplesmente timo. O que ele est fazendo aqui? - Paul estava olhando para 
Jesse, que correspondeu o olhar. 

- Ele acabou de me achar, Paul - eu disse. E no mencionei a parte que fiz com que ele me achasse.

Paul fixou o olhar em Jesse. Se ele notou a diferena entre o Jesse fantasma e o Jesse vivo, ele no aparentou. Jesse, por sua vez, apenas ignorou Paul e me perguntou: 

-  ele? O cara que te amarrou? - Eu devia ter dito que no, claro. Eu devia ter previsto o que viria. Mas eu no pensei. Eu s falei:

- , foi ele.

E foi s quando eu vi as mos de Jesse se fecharem que percebi o que tinha feito. 

-No, espera! - eu comecei a gritar. Mas era tarde demais. Jesse j tinha se lanado contra Paul, jogando-o no cho do celeiro, e fazendo tanto barulho que os cavalos 
comearam a pular e relinchar dentro das suas celas - pare! - eu gritei, me jogando no cho tentando separ-los. 

Mas era como se eu estivesse tentando separar uma montanha. Paul, pelo menos, no estava na luta como jesse estava, assim que pude ouvi-lo gritando:

- Tire ele de cima de mim, Suze, tira ele de - Na ultima palavra, Jesse se levantou, respirando dificilmente. Sua blusa desabotoou um pouco no meio, e eu consegui 
ver alguma coisa. Era impossvel, mesmo vendo a gravidade da situao, no apreci-lo.
  
  Bem, - Paul disse, olhando intrigado - O que foi essa mudana de sentimentos? Eu pensei que... 

- Isso foi antes - eu disse. 

-Antes do que? - Paul achou um pouco de terra no cabelo, e tirou de l. 

- Antes de v-lo - sem olhar pra nenhum dos dois. Paul no disse nada, o que pra ele era estranho. Jesse,  claro, no sabia do que ns estvamos falando. Ele ainda 
estava com raiva de Paul por ter me amarrado

- No sei se posso considerar normal o fato de no seu tempo, voc poder deixar uma mulher amarrada - Jesse disse, severamente - mas nesse sculo, deixe-me te dizer 
que tal ato pode levar o cavalheiro  cadeia - Jesse disse a palavra cavalheiro como se fosse a ltima coisa que ele esperasse de Paul. Paul apenas me olhou.

- Voc sabe - ele disse - eu acho que prefiro o fantasma.

Eu achei que seria melhor mudar de assunto. 

- Ele est aqui - disse para Paul - Felix Diego, quero dizer. 

- Eu sei - Paul disse - eu o segui at aqui. 

-Eu achei que voc fosse dar um jeito nele! 

- , bem, eu no podia apenas chegar perto dele e tirar a sua alma de l na frente de todo mundo. 

-Por que no? 

-Porque eu teria levado um tiro, por isso. 

-Mas voc poderia simplesmente voltar pro futuro.

- Ah, e te deixar amarrada no celeiro da senhora O'Neil? Acho que no. Eu tinha que voltar pra te salvar. - Deu uma olhada rpida pra Jesse - eu no sabia, claro, 
que o prncipe charmoso teria chegado antes e feito isso por mim.
  
  - Ento o que vamos fazer? - perguntei. Paul olhou pra jesse. 

-Bem - ele disse - o que o homem maravilha quer fazer?

- Homem maravilha? - Jesse enviou um olhar ameaador na direo de Paul.

- Ele  meu amigo no futuro? - ele me perguntou.

-No - eu disse pra Jesse. Para Paul eu disse, - Eu tentei convence-lo a ir embora, mas ele no quis ir.

Paul olhou para Jesse - Amigo - ele disse - Eu no estou te falando isso porque eu gosto de voc. Acredite. Mas se voc ficar aqui, voc vai ser morto. Simples assim. 
Esse Diego? Ele significa negcio.

-Eu no tenho medo dele - Jesse disse, como se ns fossemos cretinos por no acreditar nele. 

-Viu o que eu quero dizer? - eu disse para Paul. 

- timo. - Paul se sentou, parecendo dodo - Isso  timo. Ento, quando Diego aparecer e te matar, ele pode machucar a mim e a voc, tambm. 

Eu abri minha boca pra dizer que isso no ia acontecer, mas jesse interrompeu.

- Se voc acha que eu vou deix-la sozinha com voc novamente - ele disse, o olhar nunca saa de Paul - voc realmente no me conhece, nesse futuro que vocs falam.

No se preocupe - Paul disse, levantando uma mo - Eu no vou esperar mais nada de voc, Jesse. Bom, est feito. - Paul se apoiou no feno, achando uma posio mais 
confortvel - Ns esperamos. E se ele voltar, achando que voc est dormindo e ele poder fazer o trabalho dele, ns o pegaremos. 

- No - a mandbula da Jesse se apertou. Ele no aumentou a voz. No de verdade. O tom dele estava duro - E cuidarei dele.

- Ah, sem ofensas - Paul disse - mas eu e suze, viemos para c especialmente para -

- Eu disse que eu cuidarei dele - Jesse disse na mesma voz fria - aquela que eu descobri que Jesse s usa quando est realmente com raiva de alguma coisa - Sou eu 
quem ele quer. Sou eu quem vai par-lo.

Paul e eu trocamos olhares. Ento Paul suspirou, ergueu a manta de cavalo e colocou em cima do feno em um canto escuro do sto.
  
  - Muito bem - ele disse - Me acorde quando for a hora de se deslocar para a casa. 

E pra minha surpresa, ele fechou os olhos e pareceu dormir. 

Eu olhei pra Jesse e vi que ele estava olhando pra Paul com desprezo. Quando ele notou a direo do meu olhar, ele perguntou, com a voz menos dura do que antes - 
Vocs dois so amigos, de onde voc veio? 

- H, - eu disse - No, na verdade. Somos tipo... Colegas. Ns dois temos o mesmo... Dom, espero que voc chame assim.

- De viajar no tempo? - Jesse perguntou. 

-  - eu disse - E... Outras coisas. 

- E quando eu matar Diego - eu notei que ele no falou o "se" - voc vai voltar pra onde voc veio?

-  - eu disse, tentando no pensar em como aquele momento seria inacreditavelmente duro. 

- E voc quer me ajudar - Jesse disse, no mesmo tom que eu falava com ele - por qu...?

Eu percebi que no tinha respondido a sua pergunta da primeira vez que ele me perguntou. Pela luz fraca da lamparina, ele se virou pra ter certeza de que Diego realmente 
pensava que ele estava dormindo, pra ele poder pag-lo inconsciente - Jesse nunca tinha olhado to bonito at ento. Porque, claro, ele nunca esteve vivo das outras 
vezes que eu o vi. Seus olhos castanhos olhavam suavemente, os cilhos junto da escurido faziam sombras no sto. Seus lbios - aqueles lbios que tinham me beijado 
sempre que eu queria, e, em todo o caso, nunca mais o fariam - parecendo totalmente simptica. Eu tinha que tirar meus olhos de l e olhar para a mancha puda no 
joelho de minhas calas jeans. 

- Porque  o que eu fao - eu disse, algo estava acontecendo em minha garganta, fazendo as palavras sarem mais rpido do que eu queria que sassem.

Eu tossi. 

- E voc faz isso - Jesse mencionava o negcio de voltar no tempo pra impedir os mortos de morrerem assassinados - pra todos aqueles que morrem antes do tempo? 

-H, no exatamente - eu disse - O seu caso  um pouco... especial.
  
  -E todas as garotas do seu tempo so - Jesse perguntou, srio, aparentemente sem notar o meu desconforto ou a minha fascinao pela boca dele - como voc? 

-Como eu? Como... se elas so mediadoras?

- No. - Jesse balanou a cabea - Sem medo, como voc. Corajosas, como voc. 

Eu sorri. - Eu no sou corajosa, Jesse - eu disse. 

- Voc est aqui - ele disse, apontando para o cho - Mesmo sabendo - ou pensando que sabe - que uma coisa terrvel vai acontecer. 

- Bem, claro - eu disse - Porque essa  a razo pela qual eu estou aqui. Para ter certeza que isto no acontecer. Embora, para ser sincera... - eu olhei de relance 
para Paul, no caso de - e ele provavelmente estava - ele estar ouvindo - na verdade eu vim para impedi-lo. Paul, quero dizer. De parar Diego. Porque voc v, se 
voc no morrer hoje, voc e eu - no futuro, de onde eu vim - nunca nos conheceramos. E eu no podia deixar isso acontecer. E at voc - no futuro - disse que no 
queria que isso acontecesse. S que... Que... Aqui estou, deixando isso acontecer. Ento voc v, eu no sou corajosa, de verdade.

Eu duvido que ele tenha entendido alguma coisa do que eu falei. No importava. Era quase a desculpa que o Jesse que eu conheo e amo iria receber. E eu senti que 
lhe devia uma. Uma desculpa. Pelo que eu fiz. O que estaria destruindo tudo o que ns teramos juntos. 

- Eu penso que voc est errada - Jesse disse. Sobre eu no ser corajosa.

Mas o que ele sabia sobre isso, afinal? 

Eu apenas sorri. 

E foi quando eu ouvi.
  
  
  Captulo 18
  
  No me pergunte como. Eu no nasci com nenhum superpoder para escutar. Eu simplesmente... Ouvi.

  O rangido da porta do celeiro.

  E jesse, recostado na escava, ficou paralisado. Ele tambm tinha ouvido. Um segundo depois eu vi Paul se sentar. Ele no tinha estado dormindo, de jeito nenhum!

  Ns esperamos em um silncio tenso, cada um de ns mal ousava respirar.

  Ento eu ouvi um outro rangido. Desta vez era uma bota em um degrau da escada.

  Diego. Tinha que ser. Diego estava vindo para matar Jesse.

  Jesse deve ter percebido como eu estava nervosa, pois ele levantou uma mo fazendo o sinal universal para "ficar". Ele queria que Paul e eu deixssemos Diego s 
para ele.

  Sim. Tudo bem!

  Ento eu os vi... A cabea e os ombros de Diego, aparecendo maciamente ao longo do celeiro escuro. Sua cabea estava voltada para a direo em que Jesse parecia 
estar dormindo, ele no via nada alm de Jesse.

  Devagar, obviamente temendo acordar sua presa, Diego escalou at o sto, seus passos amaciados pela madeira bezinina. Enquanto ele chegava mais e mais perto... 
Agora ele estava a 5 metros de distncia... Agora 4... Agora 3. Eu me preparei para levantar. Eu no fazia idia do que fazer para impedi-lo. Ele no era um cara 
pequeno, e eu no sou nenhuma faixa preta. Mas me "deslocar" realmente veio  cabea.
  
  Paul estava me segurando agora, na verdade estava segurando na manga da minha jaqueta de motociclista, me impedindo de avanar, para que Jesse pudesse ter uma 
chance de cuidar do problema ele mesmo. Engraado como nessa ocasio Paul estava do lado de Jesse, coisa que ele nunca tinha feito antes.

  Um metro... Diego estava agora a 1 metro do suposto corpo dormindo de Jesse. Ele esticou a mo para pegar alguma coisa na altura da cintura... No seu cinto. Eu 
vi o reflexo da sua "fivela"... A mesma fivela, que no meu tempo, tinha terminado de alguma maneira no meu sto...

  Agora, Diego pegou seu cinto e segurou nas extremidades para usar como um tipo de garrote, a voz de Jesse, fria e assegurada, cortou o silncio.

  Em espanhol, ele disse alguma coisa em espanhol!
Por qu? Por que eu tinha escolhido francs em vez de espanhol?
Diego, pego totalmente fora de guarda, deu um passo para trs.

  Eu no pude agentar isso!

  -O que ele disse? - eu perguntei ao Paul.

  Paul, no parecendo muito feliz de bancar o tradutor disse:
  
  -Ele disse "ento  verdade?", e agora cala a boca para que eu possa escutar.

  Diego se recuperou rapidamente. Ele no baixou a mo que segurava seu cinto, em vez disso disse alguma coisa.
Em espanhol. Dessa vez, no precisou eu pedir ao Paul.

  -Ele disse "ento voc sabe? Sim,  verdade, eu estou aqui para te matar".

  Jesse disse mais alguma coisa, mas s o que entendi foi um nome.

  -Ele disse:
  
  -Maria te mandou?
  
  Diego riu, depois concordou, ento ele respirou fundo.
  
  Eu acho que no gritei. Eu sei que suguei uma boa parte do ar, a que eu no usei quando ia gritar. Mas eu vi o que prendia a minha respirao. Porque Jesse, em 
vez de sair de onde Diego estava, como eu teria feito, se caso algum viesse me matar.

  Os dois homens rolaram perigosamente pelas bordas do celeiro, brigando. Era duro ver o que estava acontecendo naquela semi-escurido, mas uma coisa era certa: 
Diego estava na vantagem.

  Agora Paul e eu estvamos nas pontas dos ps, completamente despercebidos pelos dois homens que se espancavam pelo sto. Eu tentei ir pra frente pra ajudar, mas 
de novo Paul no me deixou ir.

  - uma luta justa - ele disse pra mim.

  Mas quando, um segundo depois, os dois homens se separaram, e Diego ficou quieto e deu uma bela risada, eu vi que no tinha nada de justo naquela luta. Porque 
de repente, o Digo mostrou uma faca. Ela brilhou quando a luz da lanterna bateu nela, ele comeou a se sentar no cho a um dois passos dele.
Agora o ar em meus pulmes saram em um disparo. 
  
  -Jesse - eu gritei - faca.
  
  Diego se virou.
  
  -Quem est a? - ele perguntou em ingls.

  A distrao deu a Jesse tempo suficiente para que ele tirasse das suas botas a sua prpria faca... A que ele usou para cortar as cordas que Paul me amarrou.
  
  -Ok, aquilo  - eu disse quando eu vi isto -Algum est indo peg-lo...

-Que  o que ns queremos - Paul disse, mantendo mais firme o aperto em mim do que nunca. - Tanto tempo pra ver se esse  o cara certo.

Eu no poderia entender o que Paul estava fazendo, o que estava pensando. Jesse e Diego estavam rolando e se batendo pelos lados do sto. Ns podamos parar isto. 
Nos podamos parar isto to facilmente. Por que ele no estava...

Ento me bateu. Paul estaria no lado de Diego? Isto seria algum tipo de plano estranho? Ele realmente foi procurar Diego durante o dia ou ele s tinha fingido que 
ia procurar, assim ele teria o prazer de ver Jesse morrer depois? Porque essa poderia ser a nica razo que ele teria para o que estava fazendo - de forma que ele 
poderia assistir Jesse morrer...

Eu me livrei dele.

-Voc quer que Jesse morra - eu gritei pra ele - Voc quer que isso acontea?

Paul olhou para mim como se eu estivesse louca. 

-Voc est brincando? A nica razo para eu estar aqui  impedir que isso acontea.

-Ento por que no est o ajudando?

-Eu no preciso - Jesse se lanou contra Diego quando ele ameaou cair - ajud-lo.

-Quem so essas pessoas? - Diego rosnou, se lanando contra Jesse de novo.

-Ningum - Jesse disse. - No preste ateno nelas. Isto  entre mim e voc.

-Viu? - o Paul disse a mim, no sem um pouco de auto-confiana. 
- Voc est mais tranqila?
  
  Mas como eu poderia, quando eu estava de p l assistindo o meu namorado - Certo, bem, no o meu namorado exatamente, contudo - em uma luta pela sua vida? E estava 
de p l, com meu corao na boca, quase sem respirar, assistindo aquela difcil luta com dois homens rolando um com o outro.

E ento aconteceu. Diego inesperadamente passou por trs dele, e num estante agarrou com fora... 

Eu.

Eu fui pega totalmente fora de guarda, eu nem pude pensar. Tudo o que eu soube era que em um minuto eu estava l parada prximo ao Paul, no podendo assistir o que 
estava acontecendo direito, eu estava to assustada.

... e no outro, eu estava no meio disto, com um brao que esmagava minha garganta Diego me segurava na frente dele, a ponta da lmina prateada no meu pescoo. 

-Derrube a faca - ele disse a Jesse. Ele estava parado bem perto de mim, eu pude sentir a voz dele reverberando pelo seu corpo - Ou a garota morre.

Eu vi Jesse ficar branco. Mas ele no hesitou. Ele derrubou a faca dele. 

Paul gritou: -Suze! Se Desloca! 

Eu levei um segundo para entender o que ele quis dizer. Diego estava me tocando. Diego estava me tocando. Tudo oque eu tenho que fazer era imaginar o corredor que 
eu odiava tanto - aquela estao de passagem entre existncias - e ele e eu seriamos transportados pra l... 

...e ns ficaramos livres dele pra sempre

Mas antes que eu pudesse fechar meus olhos, Diego me lanou pra longe dele e se lanou contra Jesse. Eu tentei gritar quando eu ca, mas minha garganta estava to 
dolorida por conta da fora com que ele tinha me segurado, que nada saiu.
  
  Eu no ca no sto, porm. Ao invs, eu ca contra algo de metal - e de vidro. Algo que quebrou por causa do meu peso. Algo que caiu na palha em baixo de mim. 

Algo que se transformou em chamas. 

A lanterna. Eu tinha cado na lanterna, e quebrado isto. E ateou fogo ao feno. 

As chamas comearam mais depressa do que eu alguma vez imaginei que eles pudessem comear. De repente, eu estava separada dos outros por uma parede laranja. Eu poderia 
os ver se levantando no outro lado, Paul me encarava com puro horror, enquanto Jesse e Diego... 

Bem, Jesse estava tentando impedir Diego de enfiar uma faca no corao dele. 

-Paul - eu gritei - O ajude! Ajude Jesse!
  
  Mas Paul estava l parado olhando pra mim por alguma razo. Foi Jesse quem finalmente se livrou de Diego. Jesse que torceu o brao que segurava a faca, at que 
Diego, com um grito de dor, deixou que ela casse. E Jesse que esmurrou e empurrou Diego com tanta fora que ele saiu rolando. Eu ouvi seu corpo batendo no cho 
do celeiro, ouvi o inconfundvel barulho de ossos quebrando...Ossos do pescoo quebrando.Os cavalos ouviram tambm. Eles relincharam ruidosamente e empurravam as 
portas do estbulo. Eles podiam sentir o cheiro de fumaa. Ento percebi, os O'Neils tambm podiam. Ouvi gritos vindo do lado de for a do celeiro. 
  
  -Voc conseguiu - eu gritei, olhando para Jesse ofegante, atravs do fogo e da fumaa - Voc o matou!
  
  -Suze - Paul ainda estava me encarando - Suze.
  
  -Ele conseguiu, Paul - eu no podia acreditar - Ele vai viver - Disse para o Jesse, alegremente - Voc vai viver!
  
  Mas Jesse no parecia muito feliz com isso, Ele disse:
  
   -Susannah, fique onde est.
  
  Ento eu vi o que ele queria dizer. O fogo tinha me separado completamente do resto do celeiro. At do mezanino. Eu estava cercada por labaredas. E fumaa. A fumaa 
estava ficando to grossa, que eu mal conseguia v-los.
  
  Nenhuma novidade, nenhuma maravilha Paul ter me olhando fixo daquele jeito. Eu estava cercada por fogo.

  -Suze - Paul disse. Mas sua voz soava longe, fraca. Ento ele gritou: -Jesse, no...

  Mas era tarde. Porque a prxima coisa que eu vi, era que um objeto veio atravs das chamas e bateu em mim, de fato, eu ca. Eu parei pra olhar um segundo e ver 
que o objeto era Jesse que estava enrolando o cobertor que eu tinha dormido na noite passada.

  Um cobertor que estava se queimando agora.

  -Venha - Jesse disse jogando o cobertor, ento, ele puxou a minha mo e eu fiquei de p de novo - Ns no temos muito tempo.

  -Suze - Eu ouvi Paul gritar. Eu no podia v-lo direito, a fumaa estava muito forte.
  
  
  -Desa - Jesse gritou pra Paul - Desa e ajude os cavalos.

  Paul pareceu no escutar.

  -Suze - Ele gritou -Se desloca! Faa isso agora!  a sua nica chance!
  
  Jesse tinha voltado e estava chutando as tbuas de madeira que formavam a parede. As tbuas tremeram diante da agresso.
  
  Deslocar? Minha mente parecia estar trabalhando muito pouco, talvez por causa da fumaa. Mas eu no poderia me deslocar dali mesmo assim. E Jesse? Eu No podia 
deixar Jesse. Eu No tinha viajado 150 anos atrs para salvar Jesse do Diego e agora deix-lo aqui para morrer queimado.

  -Suze -Paul gritou mais uma vez - Se desloca. Eu vou fazer isso tambm. Eu me encontro com voc do outro lado!

  Outro lado? O que ele estava falando? Ele estava louco?

  Ah, claro. Esse era o Paul, estvamos falando do PAUL. Claro que ele era louco.
Eu ouvi um rudo eltrico. Ento Jesse segurou a minha mo.

  -Ns vamos ter que pular - Ele disse, o rosto dele muito perto do meu. Eu senti algo fresco no meu rosto. Ar. Ar fresco. Eu girei minha cabea e vi que Jesse estava 
indo pra fora por um buraco que ele tinha feito nas tbuas. Era escuro ver Mas levantei a minha cabea um pouco para melhorar a sensao deliciosa do ar fresco, 
eu vi estrelas no cu.

  -Voc me entende, Suzannah? - A face de Jesse estava muito perto da minha. Perto o suficiente para me beijar. Por que ele no me beija? - Ns iremos pular juntos, 
no trs.
Eu senti que ele agarrou a minha cintura pra perto dele, Bem, o que era melhor. Muito melhor para beijar...

  -Um...

  Eu podia sentir o seu corao bater forte ao encontro do meu. Como isso era possvel? O corao de Jesse parou de bater a 150 anos atrs.
-Dois...

  As chamas quentes que pareciam o inferno. Eu estava muito quente. Por que ele no "se mexe" e me beija agora?

  -Trs...

  E ento ns estvamos voando pelo ar. No por causa que ele estava me beijando. Eu vi. No, porque ns estvamos mesmo voando pelo ar.

  E como se a brisa gelada estivesse cobrindo a fumaa do meu crebro. Eu vi o que estava acontecendo. Jesse e eu estvamos caindo no cho. O qual parecia To longe.

  E ento, eu fiz a nica coisa que eu poderia fazer. Eu agarrei Jesse, fechei meus olhos, e pensei em casa.
  
  Captulo 19
  
  Eu ca com muita fora, todo o vento bateu em mim. Era como ser atirada de volta com uma gravata de ferro - o que de fato j havia acontecido a mim antes, assim
eu soube. Eu ca l, completamente atordoada, incapaz de respirar, incapaz de me mover, incapaz de fazer qualquer outra coisa alm de sentir dor.

  Ento, lentamente, a conscincia voltou. Eu podia mover minhas pernas. Era um bom sinal. Eu podia mover meus braos. Tambm bom. Respirando novamente - com dor, 
mas ali, nada a menos.
  
  Ento eu ouvi algo.
  
  Grilos.
  
  No os relinchos agudos dos cavalos que protestavam por estarem sendo arrastados para fora de suas celas pegando fogo. No o barulho do fogo ao meu redor. Nem 
mesmo a minha respirao esforada.
  
  Mas grilos, gorjeando como se eles no tivessem nada melhor para fazer.
  
  E eu vi minha casa.
  
  No a penso da Sra. O' Neil, no mesmo. Mas minha casa. Eu estava no quintal. Eu poderia ver o deck que Andy tinha construdo. Algum tinha deixado as luzes da 
banheira quente acesas.
  
  Casa. Eu estava em casa.
  
  E estava viva. Mal, mas viva.
  
  E eu no estava sozinha. De repente, algum estava ajoelhando-se ao meu lado, estava bloqueando minha viso da piscina iluminada, e estava dizendo meu nome.
  
  -Suze? Suze, voc est bem?
  
  Paul estava me puxando, me apertando nos lugares que doam. Eu tentei afastar suas mos, mas ele no parou at que finalmente eu disse:
  
  -Paul, me deixa! 
  
  -Voc est bem - Ele se sentou na grama ao meu lado. Seu rosto pareceu plido  luz do luar. E aliviado - Agradea a Deus. Voc no estava se mexendo antes.
  
  -Eu estou bem - eu disse.
  
  Lembrei-me ento que eu no estava. Porque... Jesse... Eu tinha perdido Jesse. Ns tnhamos salvado ele, assim eu o perdi para sempre. A dor - uma dor muito mais 
terrvel do que a que eu tinha sentido na aterrissagem no cho duro e frio - me prendeu como um torno.
  
  Jesse. Ele tinha ido. Ido para um bom...
  
  Exceto. . . 
  
  Mas se isso fosse verdade, como eu me lembraria dele? 
  
  Eu me apoiei em cima de meus cotovelos, ignorando a dor que estava sentido fazendo aquele esforo.
  
  
  Foi quando eu o vi. Ele estava segurando seu estmago na grama h uma distncia de um p, totalmente imvel, totalmente no...

  Entusiasmado.

  Ele no estava entusiasmado.

  Eu olhei Paul. Ele piscou para mim.

  -Eu no sei - ele disse como se as palavras tivessem sido espremidas nele - Tudo bem, Suze? Eu no sei como isso aconteceu. Vocs dois estavam aqui quando eu apareci. 
Eu no sei como isso aconteceu.

  E ento eu estava com as mo e os joelhos, rastejando sobre a grama at ele. Eu acho que estava chorando. Eu no tenho certeza. Tudo que eu sei,  que foi difcil 
ver tudo por um momento.
  
  -Jesse! - Eu cheguei no seu lado.

  Era ele. Era realmente ele! O Jesse real, o Jesse vivo.

  A nica coisa era que ele no pareceu muito vivo depois daquilo. Eu me aproximei e chequei sua pulsao na garganta. Tinha uma - minha respirao travou quando 
eu senti - mais era fraca. Ele estava respirando, mais no muito bem. Eu estava com medo de tocar nele, com medo de mov-lo.

  Mais com mais medo de no fazer.

  -Jesse! - eu gritei, rolando e agitando ele pelos ombros - Jesse, sou eu, Suze! Acorde, Acorde, Jesse!

  -Ele no est bem - Paul disse - Eu j tentei. Ele est aqui... Mas no est. No realmente.

  Eu tinha Jesse nos meus braos.

  Eu o aninhei, olhando para ele. Na luz da lua, ele parecia morto. Mais ele no estava. No estava morto. Eu saberia se ele estivesse.

  -Eu acho que ns o trouxemos para o futuro, Suze - Paul disse -No era pra voc - no era pra voc traze-lo para o futuro.
  
  -Eu no quis dizer - eu disse. Minha voz estava to fraca, que foi abafada praticamente pelos grilos - Eu no fiz isto de propsito. 
   
  -Eu sei - Paul disse - Mas... Eu penso que talvez voc precise lev-lo de volta. 
   
  -O levar pra onde? - eu me enfureci. Agora minha voz era muito mais alta que os grilos. Na realidade, to alta que os grilos foram assustados e ficaram em silncio 
- Para o meio daquele fogo?
  
  
  -No - Paul disse - Eu s - eu s no penso que ele possa ficar aqui, Suze, e... Vivo.
  
  Eu continuei a aninhar a cabea de Jesse, pensando furiosamente. Isto no era justo. Ningum tinha nos advertido sobre isto. 
  Dr. Slaski no tinha dito uma palavra. Tudo que ele disse era que devamos imaginar em nossa cabea o tempo em que queramos estar, e...
  
  E para no tocar em nada que voc no quisesse trazer no tempo com voc.
  
  Eu gemi e virei minha face para Jesse. Era minha culpa. Era tudo minha culpa.
  
  -Suze - Paul ergueu e colocou uma mo em meu ombro - Me deixe tentar. Talvez eu possa leva-lo de volta...
   
  -Voc no pode - eu ergui minha cabea, minha voz saiu fria como a lmina que Diego tinha apertado na minha garganta - O matar. Ele no  como ns. Ele no  
um mediador. Ele ... Ele  humano. 
   
  Paul balanou a cabea dele. 
  
  -Talvez ele tivesse mesmo que morrer, ento, Suze - ele disse - Como voc disse. Talvez no seja certo ns desordenarmos a ordem natural das coisas, igual voc 
me advertiu.
  
  -timo - eu deixei sair um pequeno riso amargo - Isso  realmente timo, Paul. Agora voc concorda comigo? 
   
  O Paul apenas estava l de p, parecendo ansioso. Se eu tivesse sido capaz de sentir qualquer coisa alm de desespero, naquele ponto, eu o teria odiado.
Mas eu no podia. Eu no podia odi-lo. Eu no podia pensar em nada a no ser Jesse. Eu no tinha, eu disse para mim mesma, salvado ele s para sentar e v-lo morrer.

  -V ao carro - eu disse com uma voz baixa - E dentro da casa abra a porta. Eles sempre esquecem de tranca-la. Pendurado em um gancho na porta est a chave do carro 
da minha me. Pegue-as e volte e me ajude a levar ele para o carro.
Paul me olhou como se eu fosse uma mulher louca.

  -O carro? - ele disse - Voc ir... Leva-lo para algum lugar?

  -Sim, seu babaca, para o hospital.

  -O hospital - Paul agitou a cabea - Mas Suze...

  -S faa!

  Paul fez. Eu sei que ele pensou que era intil, mas ele fez. Ele pegou as chaves, voltou e me ajudou a carregar Jesse para o carro da minha me. No foi fcil, 
mas entre ns dois, ns controlamos. Eu teria arrastado ele por todo o caminho se tivesse que fazer isso.
Ento ns estvamos na estrada, Paul dirigia enquanto eu continuava mantendo a cabea de Jesse nos meus braos. Eu no estava pensando que o que eu estava fazendo 
era ftil. Talvez, eu pensei, o hospital pudesse salva-lo. A medicina tinha feito tantos avanos nesses ltimos 150 anos. Porque no poderia salvar um homem que 
viajou no tempo, para outra dimenso? Porque no poderia?

  Exceto que no poderia.
  
  
  Oh, eles tentaram. No hospital. Eles vieram correndo para fora com uma maca quando Paul foi l dentro lhes dizer que ns tnhamos um homem inconsciente no carro. 
Colocaram em Jesse at uma mscara de oxignio enquanto o doutor do quarto de emergncia me interrogava. Tinha feito uso de drogas? Tinha bebido muito? Teve um ataque 
apoplctico? Uma dor de cabea? Reclamou de dor em seu brao?
  
  No tinha nenhuma explicao mdica para o coma de Jesse. Foi o que o mdico veio me dizer, horas depois.
  Nada que ele pudesse determinar. Um CT scan poderia dizer mais. Ser que eu poderia saber que tipo de seguro Jesse tinha? Seu nmero de seguro social, talvez? 
O telefone de um parente prximo?
  
  s 6:00 da manh, eles o aceitaram. s 7:00, eu chamei minha me, e lhe falei onde eu estava - no hospital com um amigo. s 8:00, eu telefonei para a nica pessoa 
que eu achava que poderia ter alguma idia do que fazer.
  Padre Dominic tinha voltado de So Francisco na noite anterior. Ele escutou tudo o que eu tinha para dizer sem interromper:
  
  - Padre Dominic, eu fiz... Eu acho que eu fiz algo terrvel. Eu no queria, mas... Jesse est aqui. O Jesse verdadeiro. O vivo. Ns estamos no hospital. Por favor, 
venha.
  
  Ele veio. Quando eu vi a sua alta, forte figura chegando perto do assento de plstico duro que eu fiquei sentada por horas, eu quase desmoronei por ali novamente. 
   
  Mas eu no fiz. Eu me levantei e, um segundo depois, estava nos braos dele.
  
  -O que voc fez? - ele murmurou - Ele no estava falando somente comigo. Paul estava l, tambm - O que vocs dois fizeram? 
   
  -Algo terrvel - eu disse, erguendo minha face chorosa da camisa dele - Mas ns no queramos isto. 
   
  -Ns estvamos tentando salva-lo - Paul disse embaraado. A vida dele. Ns quase conseguimos...
   
  -At que eu o trouxe - eu disse - Oh, Padre Dominic...
  
  Ele me deu tapinhas no ombro e entrou no quarto onde Jesse estava deitado, imvel, a manta em cima dele se mexia com a sua leve respirao. Jesse fantasma, eu 
percebi agora, estava parecendo bem melhor - mais vivo - que Jesse vivo. 
   
  Padre Dominic fez o sinal da cruz nele mesmo, ele ficou assustado com o que viu. Uma enfermeira estava l, tirando a pulsao de Jesse e escrevendo os resultados 
em uma prancheta. Ela sorriu tristemente quando viu Padre Dominic, ento deixou o quarto.
  
  Padre Dominic olhou. 
  
  Padre Dominic olhou para Jesse. Pela primeira vez, eu observei que as lentes de seus culos estavam meio embaadas. 
  
  Ele no disse nada. 
  
  -Eles querem saber que tipo de seguro ele tem - eu disse amargamente - antes deles fazerem mais testes. 
   
  -Eu...Vi - Padre Dominic disse. 
   
  -Eu no vejo que mais testes eles precisam fazer - Paul disse. 
   
  -Voc no sabe - eu retruquei, amarrando a cara para Paul porque eu no podia amarrar a cara para a pessoa que realmente mereceu isto... Eu mesma - Talvez haja 
algo que eles possam fazer. Talvez haja... 
   
  -Seu av no est em algum lugar por aqui? - Padre Dominic perguntou para Paul. 
   
  Paul ergueu o olhar dele do corpo inconsciente de Jesse. 
   
  -Sim - ele disse - Eu quero dizer, sim, senhor. Eu acho que sim. 
   
  -Talvez voc devesse ir lhe fazer uma visita - a voz de Padre Dominic estava tranqila. A presena dele, eu tinha que admitir, estava me acalmando - Se ele estiver 
consciente, talvez ele possa nos aconselhar. 
   
  O queixo de Paul caiu. 
  
  - Ele no falar comigo - Paul insistiu - At mesmo se ele estiver acordado... 
   
  -Eu acho - Padre Dominic disse calmamente - que a lio que voc aprendeu com tudo isto,  que a vida  curta e se houver coisas para serem consertadas, voc tem 
que conserta-las depressa, antes que seja tarde demais. V e faa as pazes com seu av. 
   
  O Paul abriu a boca dele para protestar, mas Padre Dominic o atirou um olhar que o manteu de boca fechada. Enviando-me um ltimo olhar, Paul deixou o quarto, parecendo 
entristecido. 
   
  -No fique muito chateada com ele, Susannah - Padre Dominic disse. -Ele pensou que estava fazendo o certo. 
   
  Eu estava muito cansada para discutir. Muito. 
   
  -Ele achou que estava me separando de Jesse - eu disse - At mesmo da memria dele. 
   
  Padre Dominic encolheu os ombros - No fim, Susannah, isso no poderia ter sido mais favorvel, voc no acha? Mais favorvel que isto, de qualquer maneira - Ele 
mostrou com a sua cabea a forma inconsciente de Jesse. (acho que  isso)
   
  Bem, era mesmo verdade. 
   
  -Ele teria que partir, de qualquer maneira, Susannah - Padre Dominic disse - Em algum dia. 
   
  -Eu sei - O n em minha garganta se apertou. 
   
  Foi quando eu me lembrei. Houvera um fantasma na vida de Padre Dom, tambm. O fantasma de uma menina que ele tinha amado, talvez amado tanto quanto eu amei Jesse. 
   
  -EU... - Eu estava com dificuldade para falar, o caroo em minha garganta cresceu em propores gigantescas - Eu sinto muito, Padre Dominic. Eu esqueci. 
   
  Padre Dom sorriu tristemente e segurou meu brao. 
   
  -No seja muito dura com ele - ele disse, se referindo ao Paul. Ento, com um olhar final a Jesse, ele disse - Eu no acho que h muita coisa que se possa fazer. 
Mas a situao do seguro. Eu penso que posso cuidar disso. Eu logo voltarei. Eu posso trazer alguma coisa para voc? Voc comeu? 
   
  O pensamento de que alguma coisa pudesse passar por aquela massa gigante na minha garganta era to absurdo, que ri um pouco. 
   
  -No, obrigado - eu disse.
  
  -Tudo bem - Padre Dominic comeou a sair do quarto. Na entrada, porm, olhou para trs e disse:
   
  -Eu sinto muito, Susannah - ele disse calmamente - Eu sinto muito por no estar l quando... aconteceu. E sinto muito por tudo ter terminado desse jeito. 
   
  E com isso, ele saiu.

  Eu fiquei um momento l, no fazendo nada, no pensando em nada. Ento o verdadeiro significado das palavras dele comearam a penetrar.
   
  E eu perdi. 
   
  Porque Padre Dominic tinha razo. Este era o fim. Eu poderia negar isto quantas vezes eu quisesse, mas a verdade era esta. Jesse estava morrendo, diante de meus 
olhos, e no havia nada, nada que eu pudesse fazer por ele. 
   
  E era minha culpa. Minha prpria culpa que ele estava me deixando. Seguramente, eu poderia me confortar que onde quer que ele esteja, teria que ser melhor do que 
a meia-vida que ele tinha tido comigo.

  Mas isso no fez doer menos.
   
  Eu sentei na cadeira ao lado da cama do hospital de Jesse. Eu no podia ver, eu estava chorando. No fora alto. Eu no queria que qualquer enfermeira viesse, correndo 
com um grupo de tranqilizantes ou qualquer coisa. O que eu realmente queria, eu percebi, era minha me. No, no minha me. Meu papai. Onde meu papai estava agora, 
quando eu realmente o precisava? 
   
  -Susannah. 
   
  Eu pensei na sepultura de Jesse, o a lpide que Padre Dominic e eu tnhamos pagado. O que tinha agora naquela sepultura, se o corpo de Jesse estava aqui? Nada. 
Estava vazio. 
   
  Mas no por muito tempo. No, no por muito tempo. 
   
  -Susannah. 
   
  E no prprio tempo dele? O que foi que Sr. e Sra. O'Neil estavam fazendo? Provavelmente varrendo as cinzas do celeiro deles. Eles achariam um esqueleto sem dvida.
Mas eles saberiam que no era de Jesse? A famlia de Jesse deixaria pra l ou procurariam saber o que tinha acontecido com o filho e irmo amado? 

No. Eles no tinham nenhuma maneira de saber que o corpo era de Diego. Eles pensariam que era de Jesse. Os de Silvas teria um funeral. Mas para o homem errado. 

Eu senti uma mo em meu ombro. timo. Algum estava l. Algum estivera me vendo chorando. Legal. Deixe a menina ter um pequeno tempo para sofrer, e, por favor, 
v? 

-V embora - eu murmurei, erguendo minha cabea - Voc no v que eu estou... 

Foi quando eu notei que a figura ao meu lado estava brilhando.
  
  
  
  
  

  
  
  Captulo 20
  
  Eu devo ter saltado aproximadamente uma milha e meia, eu estava chocada. Eu sei que saltei da cadeira de um jeito, que ela quase caiu. Eu parei, meu corao batendo,
meus olhos de repente se arregalaram e o olharam fixamente.

  Porque parado ali do lado da cama, olhando pra baixo, para o corpo de Jesse, estava...
Jesse.

  Eu olhei de um Jesse para o outro, no acreditando no que via.
Mas era verdade. Existiam dois Jesse, um morto e um vivo.
Ou, eu suponho que seja mais correto dizer um morto e um morrendo.
  
  -J-Jesse? - Eu enxuguei as lgrimas que escorriam pelas bochechas com a manga da minha jaqueta.

  Mas Jesse no olhava pra mim. Ele estava olhando pra baixo... Bem, pra ele, sobre a cama.

  -Suzannah - ele sussurrou - O que... O que voc fez?
  
Eu estava muito alegre por v-lo. Eu nem pensava direito. Eu fui at ele e agarrei sua mo.

  -Jesse, eu fui. Voltei no tempo, eu acho - eu disse.

  Ele parou de olhar para o corpo dele que estava na cama e jogou todo aquele olhar escuro em mim. O olhar no era muito agradvel.

  -Voc voltou - Ele olhou ainda mais pra mim - Voc foi depois do Slater? Depois que eu disse a voc que poderia tomar conta de mim mesmo?

  Ele estava furioso. Eu estava to feliz por v-lo furioso, tanto que, eu deixei que sasse um pouquinho da minha risada. Eu no percebi ento, vendo o que o corpo 
dele fazia aqui no hospital.

  -Voc tomou conta de voc mesmo - Eu assegurei pra ele - Eu-eu disse pra voc - no passado - sobre Diego e ele no matou voc, Jesse. Voc o matou. Mas ento... 
Ento... Havia fogo.

  Eu engoli a seco, No estava mais sentindo vontade de rir. 
  
  -No celeiro. O celeiro dos O'Neils.

  Seus olhos estreitaram-se.
  
  Eu assenti, o que eu podia fazer?

  Ele balanou sua cabea - E Paul? Eu fui at a Baslica para falar com ele, mas ele j tinha ido. Voc o seguiu?

  Eu assenti de novo.

  -Eu queria impedi-lo - eu disse - De... De ele tentar manter voc vivo. Mas no fim... Eu no pude, Jesse. Eu no estava certa. O que o Diego fez pra voc. Eu No 
podia deixar isso acontecer de novo. Ento, eu alertei voc. E voc o matou. Voc matou Diego. Mas da comeou o fogo... - E olhei para o corpo na cama - e agora, 
eu acho que  hora de dizer adeus. Desculpe-me, Jesse. Desculpe-me, me desculpe.

  Eu queria comear a chorar de novo. Eu no podia acreditar em nada do que estava acontecendo. Eu sempre pensei no "Presente" como uma coisa ruim, mas nunca, nunca 
eu tinha odiado tanto o quanto eu o odiava agora. Eu desejei que eu nunca tivesse ouvido falar de mediadores. Eu desejei nunca ter visto um nico fantasma. Eu desejei 
nunca ter nascido
  
  
  Ento eu senti a mo de Jesse no meu rosto.

  -Mi Hermosa - ele disse.

  Ele colocou sua outra mo na cama par equilibrar o peso, ento ele se inclinou para me beijar. Um ltimo beijo antes que ele fosse arrancado de mim pra sempre. 
Eu fechei meus olhos, antecipando a sensao maravilhosa daqueles lbios se encontrando com os meus. Adeus Jesse, adeus.

  Sua boca mal tocou os meus lbios, entretanto, quando eu ouvi a sua respirao.

  Ele afastou sua cabea da minha e olhou pra baixo.
Sua mo tinha tocado nos tornozelos do corpo vivo.

  Algo pareceu sacudir atravs do corpo dele, ento. Ele pareceu mais brilhante por um segundo, seu olhar sobre os meus mais intenso do que nunca foi antes desde 
o tempo que eu o conhecia.
E ento ele foi sugado pra dentro do prprio corpo, como o ar  sugado pelo ventilador.

  E se foi. 

  Seu corpo ainda estava l. Mas o fantasma de Jesse - O fantasma que eu amei- tinha ido. No seu lugar estava...

  Nada. Eu apalpei o ar desesperada para ver se conseguia agarrar alguma parte dele. Mas minhas mos sentiram s o ar.

  Jesse tinha ido. Ido de verdade. Ele voltou pra dentro do corpo que ele tinha deixado a tanto tempo atrs, como eu prestei ateno, o corpo tremia querendo rejeitar 
a alma.

  Foi como a morte. 

  Eu soube o que estava acontecendo. O corpo de Jesse tinha vindo para o presente, sim. Mas no a alma dele, porque duas da mesma alma no podia existir na mesma 
dimenso. O corpo de Jesse estava sem uma alma e por muitos anos a alma de Jesse estava sem um corpo.

  Enfim, agora, as duas se encontraram...

  Mas era tarde. E agora eu estava perdendo os dois.
Eu No sei quanto tempo eu fiquei ali parada, segurando a mo de Jesse, olhando pra ele no desespero total. O suficiente, eu sei, que padre Dominic voltou e disse:
  
  -No se preocupe Susannah, est tudo sobre controle. Jesse far os exames que ele precisa.
  
  -No importa - eu murmurei, ainda segurando a mo de Jesse... Aquela mo gelada.
  
  -No perca as esperanas, Susannah - Padre Dominic disse - Nunca perca as esperanas.

  Eu soltei uma risada amarga - E por que isso?

  -Porque  tudo o que ns temos, voc sabe - Ele colocou a mo em meu ombro - Voc fez o que fez porque o amava, Susannah. Voc o amava o suficiente para deixa-lo 
ir. No existe melhor presente que voc poderia ter dado a ele.
  
  Eu balancei minha cabea, minha viso ainda estava embaada por lgrimas. 
  
  - O que no vai acontecer, Padre Dominic. 
  
  -O que no vai acontecer, Susannah? - ele perguntou delicadamente. 
  
  -O provrbio. Se voc ama algo, deixe-o ir. Se for para ser seu, ele voltar. Voc no sabe? Voc no leu?
  
   Quando eu olhei para Padre Dominic para ver o que ele pensava disto, eu vi que ele nem mesmo estava me olhando. Estava olhando fixamente para Jesse na cama. Os 
olhos azuis de Padre Dominic, eu notei, estavam to cheios de lgrimas quanto os meus prprios.
  
  -Susannah - ele disse em uma voz estrangulada - Olhe. 
  
  Eu olhei. E quando eu movi minha cabea, senti os dedos da mo que eu estava segurando de repente apertaram os meus.
  
  Uma cor que antes no tinha estado apareceu na face de Jesse. A face dele no estava mais da cor de folhas de papel. A pele dele estava no mesmo tom de azeitona 
que eu tinha visto anteriormente, no celeiro dos O'Neils. 
   
  E isso no era tudo. O trax dele estava subindo e descendo visivelmente agora em baixo da manta que o cobria. A pulsao corria visivelmente no seu pescoo. 
   
  E, quando eu estava l de p, o encarando, os olhos dele se abriram... 
   
  ...E eu estava caindo, to forte quanto eu fazia toda vez que ele olhava para mim, nas piscinas escuras e fundas que eram os olhos de Jesse... Olhos que pouco 
estavam me vendo, mas que me reconheceram. Reconheceram minha alma. 

  Ele ergueu a mo que eu no estava apertando, arrancou a mscara de oxignio que estava cobrindo o seu nariz e falou, e disse uma nica palavra.

  Mas uma que palavra fez meu corao cantar.
  
  -Hermosa.
  
  
  Captulo 20
  
  -Suze!
  
  Ouvi a voz da minha me me chamando do andar de baixo.

  -Suze!
  
  Eu estava sentada na minha penteadeira, admirando minha escova. CeeCee e eu tnhamos passado a tarde fazendo o cabelo e as unhas. CeeCee no precisava de escova... 
Seu cabelo louro branco  liso por ele mesmo. Mas ela fez um coque, e a teve faniquitos a tarde toda, achando que no iria ficar firme.
  
  Minha escova, entretanto, aparentemente tinha ficado boa, porque meu cabelo parecia to escuro e sedoso quanto na hora que sa do salo.
  
  -Suze! - minha me chamou pela terceira e ltima vez.
  
  Dei uma olhada no relgio. E iria faz-lo esperar por uns 5 minutos. Parecia tempo suficiente.
   
  -Estou indo - gritei, pegando minha bolsa e a estola transparente que combinava com meu vestido.
  
  Fui para a porta do meu quarto e abri.Cheguei ao topo da escada e estava quase descendo, quando sobe o jake, carregando uma pesada mochila, cheia de livros. Da 
biblioteca.
  
  -O inferno congelou? - perguntei quando ele passava por mim, a caminho de seu quarto.
  
  -Nem comea, estou em prova final - ele rosnou. Ento, logo quando ele estava na porta de seu quarto, ele se virou e disse:
  
  -Bonito vestido - e desapareceu nos confins da sua caverna de solteiro.
  
  No pude evitar de sorrir. Esse  o primeiro cumprimento que eu jamais esperaria receber do Jake.
  Comecei a descer a escada, uma das mos segurando a pontinha do meu vestido longo. Percebi que era a mesma escada na qual Sra O'Neil me perseguira, 150 e tal anos 
atrs. Me perguntei, se com minha figura atual, ela teria me confundido com uma prostituta. De alguma forma, duvidei disso.
  
   legal, pensei, que tenhamos uma escada como essa. Uma escada que uma garota realmente pode fazer uma entrada triunfal. Cheguei ao ultimo plat, que basicamente 
servia para garotas que estavam indo ao seu primeiro Baile formal de inverno, para mostrar seus vestidos para as pessoas esperando na sala de estar, ento parei, 
me preparando para fazer exatamente isso. 
  
  Mas isso no aconteceu. Eu vi isso de primeira. Meu padrasto estava dando voltas correndo com uma colher com algo verde em cima, incitando todos que encontrou 
a provar, "s dar uma provadinha". 
  
  Minha me estava tentando configurar sua nova mquina digital, e no estava fazendo o melhor trabalho do mundo com ela. Meu meio-irmo mais novo, Dave, falava 
rapidamente sobre avanos novos na aeronutica, que ele descobrira no Discovery Channel.

  E o cachorro da famlia, Max, estava enterrando seu focinho nas calas do smoking do meu acompanhante. 
  
  Eu suponho que seja uma bela cena tpica, que por certo acontece em milhares de lares de noite.

  Ento porque meus olhos saltaram quando vi tal cena?
  
  
  Oh, no, no era Andy e sua colher, nem minha me e sua cmera, nem Dave e sua convico de que algum gostaria de ouvir o que ele viu no programa da televiso.

  No, era o fato que o cachorro da famlia continuava enfiando seu nariz em lugares inapropriados do meu acompanhante, que o fez tentar afastar Max pra longe, que 
fizeram meus olhos saltar.

  Porque Max podia cheirar meu acompanhante. Max podia, finalmente, cheirar Jesse.

  David foi o primeiro a observar minha aterrissagem. Sua voz foi sumindo e ele ficou olhando fixamente para mim. Aps um minuto, todos me olhavam fixamente.

  Eu pisquei, especialmente quando Max enfiou sua cabea embaixo das minhas saias.
  
  -Ah suzinha! - minha me quase conseguiu, para a surpresa de todos... Especialmente para a dela mesmo... Tirar uma foto -Voc est linda!

  Andy, procurando uma outra vitima veio com sua colher para cima de mim, mas minha me no deixou.

  -Andy, no chegue perto dela com essa coisa enquanto ela estiver com esse vestido - ela o avisou.

  Aquilo me fez sorrir. Quando eu olhei para o jesse, vi que ele tambm estava sorrindo. um sorriso secreto, s para mim... Mesmo que agora,  claro, todo mundo 
podia v-lo tambm.

  Mas ainda me deixava sem flego, como sempre!

  -Ento - eu disse to casualmente como eu pude com um n na minha garganta. Mas esse ai era de felicidade - Vejo que vocs conheceram o Jesse. 
  
  Andy pulou a introduo indo para a cozinha com apenas duas palavras:
  
  -Ele serve.

  J a minha me estava sendo...
  
  - um prazer te conhecer - ela disse para o Jesse - agora venham aqui embaixo que eu quero uma foto dos dois juntos.
  
  Eu desci o resto das escadas e fui ficar do lado do Jesse em frente  lareira. Ele parecia to alto e bonito em seu smoking, eu mal podia agentar! Eu mal podia 
dar ateno ao meu meio-irmo que estava me zoando na frente dele. Eu acho que esse tipo de coisa realmente no importa quando voc quase perdeu a razo da sua existncia 
e a conseguiu de volta, contra tudo e todos.

  -Isso  para voc - Jesse disse quando eu cheguei perto o bastante. 
  Ele me entregou alguma coisa que tinha estado segurando. Era uma nica orqudea branca, do tipo que voc s v em funerais, ou em tmulos.

  Eu peguei na mo dele e dei um sorriso levinho. S eu e ele sabamos o significado disso. Para a minha me, que logo veio arrumar o meu vestido antes de tirar 
a foto, era apenas um presente de mau gosto.
   
  -Agora diga X! - ela disse e tirou a foto, graas a Deus sem nos fazer dizer isso.

  Andy saiu da cozinha, agora sem sua colher, e comeou a olhar de um jeito paternal.

  -Agora, voc vai traz-la de volta para casa  meia noite, ouviu homenzinho? - ele disse, realmente gostando de ser pai de uma menina em vez de um menino para 
variar.

  -Eu irei senhor! - Jesse respondeu.

  -Uma - eu disse para o Andy.

  -Meia noite e meia - Andy negociou.

  -Meia noite e meia! - eu concordei. Eu tinha discutido apenas porque, bem,  isso que se faz. No importava o horrio que o Jesse tinha que me trazer para casa. 
No quando ns tnhamos todas as nossas vidas juntos pela frente.

  -Suze - minha me sussurrou enquanto ela arrumava minha estola do vestido - Ns gostamos dele, no nos leve a mal. Mas ele no , bem, um pouco velho de mais para 
voc? Quer dizer, ele est na faculdade, da idade do Jake.

  Ah se ela soubesse!

  -Isso nos faz mais ou menos com a mesma maturidade - eu a assegurei - garotas amadurecem mais rpido que os meninos.

  Brad escolheu quela hora para chegar balanando da sala de TV, onde ele tinha estado jogando videogame. Quando ele viu que ainda estvamos no hall de entrada 
seu rosto se encheu de tdio.

  -Vocs caras ainda no foram embora? - ele perguntou quando voltava da cozinha.

  Eu olhei para a minha me.

  -Sei o que voc quer dizer - ela disse e acariciou as minhas costas. Tenham uma boa festa!
  
  Indo pra fora, Jesse olhou sobre seus ombros para certificar de que meus pais no estavam vendo, ento ele segurou a minha Mo.

  -Entre fazer isto de novo e uma eternidade no inferno - ele disse - Eu prefiro o inferno.

  -Bem, voc nunca mais ter que fazer isso de novo - Eu disse sorrindo - Agora eles conhecem voc. E mais, eles gostaram de voc.

  -Sua me no - Jesse assegurou pra mim.

  -Sim, ela gostou - eu disse - Ela s acha voc um pouco velho pra mim.
  
  -Se ela soubesse - Jesse disse, se expressando, como ele geralmente faz, exatamente o que eu estava pensando.

  -Seu padrasto me convidou para jantar amanh a noite.

  -Jantar de domingo? - eu disse pasma - Ele realmente deve ter gostado de voc.

  Ns tnhamos chegado ao carro de Jesse - Bem, na verdade, era o carro do padre Dom. Mas o Padre D deixou Jesse usar para essa ocasio. No, claro, que Jesse tinha 
licena para dirigir. Padre Dom estava trabalhando em dar uma certido de nascimento... E um seguro social... E um carto escola, assim ele poderia comear a fazer 
testes para a faculdade e para emprstimos, caso precisasse.

  Mas o Bom padre tinha nos assegurado que, no seria difcil. 
  
  -A igreja - ele disse - tem maneiras.

  -Madame - Jesse disse, abrindo a porta dianteira pra mim.

  -Obrigada - eu disse, e entrei.
  
  Jesse deu a volta e entrou pela porta do motorista, ento, colocou a chave no contato.

  -Voc tem certeza de que sabe dirigir um desses? - Eu perguntei pra ele, s pra ter certeza.

  -Susannah - Jesse ligou o carro - Eu no fiquei sentado comendo bombons por 150 anos quando eu era um fantasma. Eu fiz pequenas observaes. E eu sei definitivamente 
- Ele comeou a sair com o carro - Como dirigir.

  -Ok. Apenas checando. Porque eu posso te dar uma mozinha se voc precisar.
  
  Voc ficar sentada a onde voc est - Jesse disse, fazendo uma curva na estrada da Pine Crest Road sem nem bater na caixinha de correio, que estava bem prxima, 
uma motorista com uma licena atual, era isso mesmo que estava parecendo - E linda, como uma senhorita.

  -Espere, em que sculo ns estamos?

  -Engraadinha - ele disse, olhando irritadinho pra mim - Eu estou fazendo isso por voc, usando esse terno de macaco.

  -Pingim.

  -Suzannah.
  
  -Eu s estou dizendo. Que  assim que  chamado. Voc tem que ser manter atualizado para se adaptar melhor.

  -Que seja - Jesse disse em uma perfeita imitao de - bem, de mim - que eu fui obrigada dar um leve tapinha em seu brao.

  Sentada e olhando consideravelmente para o descanso inteiro do passeio de 2 milhas para a Misso. Quando ns chegamos l, eu esperei Jesse dar a volta para abrir 
a porta do carro pra mim. Jesse me agradeceu, mencionando que o seu ego masculino tinha sofrido exames o suficiente na semana passada.

  Eu sabia o que ele queria dizer e no o responsabilizei por se sentir daquela maneira. Ele basicamente foi carregado quase morto para o Hospital de Carmel, sem 
um passado, pelo menos no um que o ajudasse nesse sculo, sem famlia - exceto eu e o Padre Dominic - sem um centavo, seno fosse o Padre Dominic, de fato, O que 
ser que teria acontecido? Oh, eu suponho que minha me e o Andy teriam que deixar Jesse viver conosco.

  Mas eles provavelmente no seriam muito relevantes quanto a isso. Mas Padre Dominic tinha encontrado um pequeno - porm limpo e legal - apartamento e ele estava 
procurando um emprego. A faculdade viria depois, antes disse Jesse teria que estudar para o teste do SATS. Mas quando ns fomos at o Padre D. na entrada da danceteria 
- bem, era o ptio da Misso, que tinha sido transformado para a ocasio em um Osis, com at pequenos raios de luz saindo em trs cores diferentes do meio de uma 
fonte - ele fingiu que ele e Jesse estavam se encontrando pela primeira vez, por causa da irm Ernestine, que estava parada prximo deles.

  -Um prazer conhecer voc - Padre Dominic disse, apertando a mo de Jesse.

  Jesse tentava manter um sorriso em seu rosto. 
  
  - Eu digo o mesmo, Padre - Ele disse.
  
  Depois que a Irm Ernestine saiu e deu uma olhada para o meu vestido - Eu supus que ela estava esperando que eu estivesse usando um vestido com o umbigo de fora 
com uma baita aranho e no o vestido branco de Jssica MCClintock que eu estava usando - Padre D deixou de lado a faanha e disse para o Jesse: 
  
  -Eu tenho uma tima notcia. Consegui um trabalho.

  Jesse olhou excitado. 
  
  -Srio? Qual? Quando eu comeo?

  -Segunda de manh, o salrio no  muito, acho que voc ser realmente til - falando sobre coisas velhas de Carmel no museu histrico da sociedade.

  -Voc acha que pode fazer isso por um tempo? At conseguirmos uma universidade de medicina?

  O sorriso forado de Jesse - pra mim, em todo o caso - pareceu mais brilhante do que a lua.

  -Eu acho que sim - ele disse.

  -Excelente - Padre Dominic empurrou os seus culos que estava mais sobre o nariz do que os prprios olhos e sorriu pra ns - Tenham uma tima noite, crianas. 

  Jesse e eu asseguramos que teramos, ento fomos danar.

  No era nada do dcimo sculo, mas estava muito agradvel - tinha bolinhos e chaperones. E tudo bem, tinha um DJ e uma mquina de fumaa, o que quer que aquilo 
seja - Jesse pareceu estar aproveitando, especialmente quando CeeCee e Adam vieram at ns e ele no meio de toda aquela agitao, apertou a mo deles e disse: 
  
  -Eu ouvi falar muito sobre vocs dois.

  Adam, que no tinha a mnima idia sobre a existncia de Jesse, se espantou.

  -Eu No Posso dizer o mesmo - ele disse.

  Mas CeeCee, se virou com aquele vestido dela, plida, quando ouviu eu falar o nome de Jesse, que era familiar, ou pelo menos amigvel pra ela.

  -M-mas - ela gaguejou, olhando pra cara de Jesse at a minha e voltando a falar novamente - E - Voc no est...

  -No mais - eu disse pra ela, e ela me olhou confusa e depois sorriu.

  -Bem - ela disse. Ento, ela falou mais alto - Bem!! Isso  maravilhoso!

  Foi quando eu observei a sua tia prxima da gente, conversando com o Sr. Walden.

  -O que ela faz aqui? - eu perguntei para CeeCee.        
  
  Adam sorriu e, antes que ela pudesse dizer uma palavra, ele explicou - Ela  a companhia do Sr Walden. E eu acho que eles esto, no ?

  -Eles no esto - CeeCee insistiu - Eles so apenas amigos.

   -Certo - Adam disse com um sorriso forado.

  -Suze - CeeCee puxando o enxarpe dela que estava caindo dos seus ombros - Vamos at o banheiro comigo?

  -Eu j volto - Eu disse para Jesse.

  -Como - CeeCee comeou logo que ela me arrastou para banheiro das senhoras.

  Mas ela No podia saber mais nada, porque um bando de calouros se aglomeraram em frente aos espelhos que ficavam sobte a pia, checando seus cabelos.

  -Eu contarei a voc um dia - Eu disse pra ela sorrindo.

  CeeCee animou a sua cara - Promete?

  -Se voc me contar como est indo com o Adam.

  CeeCee olhou no espelho arrumando os seus cabelos. 
  
  -Sonho - ela disse. Ento olhou pra mim - E pra voc, tambm. Eu posso dizer pela sua cara.

  -Sonho seria uma boa palavra pra isso - eu disse.

  

  -Eu tambm acho. Bem, vamos. No quero correr o risco do que Adam pode dizer a ele.

  Ns nos viramos para a porta do banheiro e ela se abriu, e Kelly Prescott entrou. Ela me deu um olhar completamente irritado, e eu no entendi at ver quem estava
vindo atrs dela, a irm Ernestine, que estava segurando uma fita mtrica em suas mos. Ento eu vi o que estava acontecendo, o vestido de Kelly era bem menor do 
que o normal, era bem acima do joelho.

  CeeCee e eu samos passando pelo corredor e sentindo a brisinha que vinha perto das colunas de pedra.

  Pelo menos, eu sentia a brisinha at ver Paul.

  Ele estava parado olhando, muito bonito em seu smocking, provavelmente esperando Kelly, que devia estar sendo medida com a fita da Irm Ernestine. Ele se endireitou 
quando me viu.

  -Ah, diga a Jesse que eu voltarei logo, voc diz, Cee? - Eu disse.

  CeeCee assentiu e foi para a pista de dana. Eu andei at onde Paul estava entre umas colunas de pedra, e disse:
  
  -Ol.

  Paul tirou a mo de seus bolsos. 
  
  - Ol - ele disse.

  Ento nem um de ns sabia o que dizer.
  
  Finalmente, Paul disse - Eu encontrei Jesse l fora.

  Eu arregalei meus olhos - Eu encontrei Kelly l dentro. 

  -Hum - Paul disse, olhando para a porta do banheiro das meninas. 
  
  Ento ele disse: 
  
  -Eu... Meu av perguntou de voc.

  -Srio? - Eu ouvi falar que o Dr. Slaski tinha ido pra casa depois do Hospital - Ele est...

  -Ele est melhor - Paul disse - Muito melhor. E... Voc estava certa sobre ele. Ele no  louco. Bem, ele , mas no da maneira que eu pensava. Ele sabe muita
coisa sobre... Pessoas como ns.

  -Sim - eu disse - Bem, mande um oi pra ele por mim.

  -Eu direi - Paul olhou inacreditavelmente inconfortvel pra mim. Eu No podia culp-lo, srio. Era a primeira vez que nos ficvamos sozinho desde o incndio... 
e o hospital. Eu tinha o visto na escola na semana seguinte, mas parecia que ele fazia de tudo pra me evitar. 
  
  Ele estava indo pelos corredores e o que eu pensava sobre que ele queria me evitar, pareceu se concretizar.
Mas ele no foi. Porque ele se virou e ele queria dizer mais alguma coisa.

  -Suze. Sobre... O que aconteceu...

  Eu sorri pra ele. 
  
  -Est tudo bem, Paul - Eu disse - Eu j sei.

  Paul olhou confuso.
  
   -Sabe? Sabe o que?

  -Sobre o dinheiro - eu disse - Os doze milhes de dlares que voc doou para os fundos da igreja, principalmente para os Gutierres. Eles aceitaram e, de acordo 
com o Padre Dominic, eles ficaram muito gratos.

  -Oh - Paul disse. E ele ficou vermelho, srio - . O que. O que eu ia falar no era isso. O que eu ia falar  que... Voc... Voc estava certa.

  Eu pisquei pra ele. 
  
  -Eu estava? Sobre o que?
  
  -Meu av - ele limpou a sua garganta. Eu poderia dizer o quo duro estava sendo pra ele admitir isto. E eu poderia dizer mais, que ele necessitava dizer isso, 
muito estranho - Bem, no s sobre o meu av, mas sobre... Bem, tudo.

  Eu arregalei meus olhos. Isso era bem mais do que eu podia esperar.

  -Tudo? - Eu ecoei, esperando que ele confirmasse pra ter certeza de que foi o que eu ouvi mesmo.

  Ele concordou - sim, tudo.

  -Tudo o que - eu tinha que ter certeza - Voc e eu?

  Ele assentiu, mas no muito feliz.

  -Eu deveria ter conhecimento disto em todo o tempo - ele disse lentamente, como se as palavras comeassem a sair foradas - Como voc se sente sobre ele, eu suponho. 
Voc me disse vezes o suficiente. Mas isto no... No foi realmente convincente naquela noite no celeiro, quando voc... voc disse pra ele. Porque ns estvamos 
l. O fato de que voc no queria deixar que ele morresse.

*#  -Ns no precisamos falar sobre isso - Eu disse, porque pensar naquela noite deixava o meu peito apertado - Srio.

  -No - Paul disse, os olhos azuis dele olharam pra mim - Voc no entende. Eu preciso dizer. Eu nuca - Suze. Eu nunca senti algo assim por ningum antes. No at 
voc, at voc entrar no meio daquele fogo. Quando eu no fui salvar voc. Durante o fogo e tudo.

  -Mas voc foi timo depois de tudo - eu disse, esticando as minhas mos at o ombro dele. Eu achei que ele precisava disso -Me ajudando a levar o Jesse para o 
hospital e tudo.

  Ele parecia mesmo inconformado - No foi nada. O que Jesse fez - Pulando par tirar voc do fogo - e ele mal conhecia voc...

  -Est tudo bem, Paul - eu disse - De verdade.

  Ele parecia no acreditar - Verdade?

  -Verdade - eu disse, e era verdade. Ento eu virei para a porta do banheiro das meninas - Juntos, eu sempre achei que vocs dois so perfeitos, mudando de assunto.

  -Sim - Paul disse, olhando pra mim - eu acho.

  Ento, para a minha surpresa, ele estendeu a sua mo direita. 
  
  -Sem ressentimentos, Simon?
  
  Eu olhei para a mo dele. Parecia inacreditvel, mas eu realmente no tinha nenhum. Sem ressentimentos entre ns, eu acho, No agora, no mais.

  Eu apertei a mo dele.

  -Sem ressentimentos - eu disse.

  Ento a porta do banheiro se abriu e Kelly saiu, com o seu porte realmente alterado porque a Irm Ernestine tinha esticado o seu vestido at os joelhos. 
Kelly teve algumas coisas pra dizer enquanto se aproximava at onde ns estvamos.

  -Mas pelo menos ela no te fez voltar pra casa e mudar de roupa - Eu interrompi a reclamao que ela estava fazendo.

  Kelly apenas piscou pra mim. 
  
  -Quem  esse cara? - Ela quis saber.
  
  Eu olhei sobre meu ombro. Jesse estava se aproximando at ns. 
  
  Meu corao, como sempre quando eu o via, batia forte e parecia que ia sair do meu peito.

  -Ah, ele? - Eu disse ocasionalmente - Aquele  apenas Jesse, Meu namorado.

  Meu namorado. Meu namorado.

  Os olhos de Kelly foram at os seus limites para ver Jesse vindo at onde ns estvamos parados. E pegou a minha mo.

  -Paul - ele disse com um aceno.

  -Ol, Jesse. - Paul disse, olhando inconfortvel. Ento, se lembrando de Kelly, ele a apresentou.

  - um grande prazer conhecer voc - Jesse disse, apertando a mo de Kelly.

  Ela, entretanto, pareceu levar um choque demorando pra responder do jeito que estava. ela estava apenas olhando pra Jesse como se ela j o tivesse visto...

  Bem, no como um fantasma, exatamente. Mais como alguma coisa que ela no podia entender. Eu podia ver a vontade dela de querer entender. O que este cara est 
fazendo com a Suze Simon?

  Eu no sei bem se foi isso que ela pensou sobre ele... ou sobre mim.
Tentando no parecer muito convencida, eu peguei o brao de Jesse e disse: 
  
  -Bem, vejo vocs por a e levei Jesse para a pista de dana.

  -As coisas com Paul esto...? - Jesse arregalou os seus olhos escuros questionando o modo como eu levei os meus braos at o seu pescoo.

  -Bem - eu disse.

  -E voc sabe porque...?

  -Ele me disse.

  -E voc acreditou nele?

  -Voc sabe que? - eu levantei a minha cabea dos ombros de Jesse que eu tinha encostado - Eu acredito.

  -Eu vi - Jesse parado l enquanto eu balanava com a msica. 
  
  -Susannah? O que voc est fazendo?

  -Eu estou danando com voc.

  Jesse olhou para os nossos ps, mas no pode ver ento, porque o meu longo vestido os cobria.

  -Eu No sei danar esta - ele disse

  - fcil - Eu disse. Eu tirei as minhas mos do pescoo dele e levei suas mos at a minha cintura. Ento eu coloquei as minhas mos de volta no seu pescoo - 
Agora balance.

  Jesse comeou.

  -Veja - Eu disse. - Voc est indo bem.

  A voz de Jesse soou no meu ouvido um bocado forte - Como essa dana se chama? - ele perguntou.
  
  -Lenta - Eu falei -  chamada de msica lenta.

  Jesse no disse muita coisa depois disso. Ele estava pegando realmente rpido os costumes sociais do sculo XXI.

  Eu no sei quanto tempo depois disso eu levantei minha cabea vi meu pai ali.

  Dessa vez, eu no tomei um susto. Eu meio que estava esperando para v-lo.

  -Oi, querida. - ele falou.

  Eu parei de danar e falei pra Jesse:
  
  -Voc pode me dar licena um minuto? Tem algum que eu tenho que, hum, trocar uma palavrinha.

  Jesse sorriu. 
  
  - claro.

  Com meu corao inchando de adorao por ele, eu corri para detrs da palmeira que meu pai estava escondido.

  -Ei - eu falei, meio ofegante -Voc veio.

  - claro que eu vim. - Meu pai disse - A primeira dana verdadeira da minha garotinha? Voc acha que eu iria perder?

  -No  por isso que eu estou feliz que voc veio. - Eu falei, pegando sua mo. - Eu queria te agradecer.

  -Me agradecer? - Meu pai pareceu confuso. - Por que?

  -Pelo que voc fez pelo Jesse.

  -Pelo Jesse? - A que ele compreendeu, e soltou minha mo, me olhando envergonhado. - Ah, aquilo.

  -Sim, aquilo. - Eu falei, apertando sua mo novamente. - Pai, Jesse me contou. Se voc no tivesse feito ele ir ao hospital naquela hora, eu o teria perdido pra 
sempre.

  -Bem, - ele falou, olhando como se quisesse estar em outro - qualquer outro - lugar. Na verdade, ele olhou... bem, como se estivesse em outro lugar. Ele estava 
bem menos luminoso que o normal. 
  
  -Quero dizer, voc estava chorando. E me chamando. Enquanto voc devia estar chamando Jesse.

  -Eu achei que Jesse tinha ido, - Eu falei. - Ento eu te chamei. Porque voc sempre est l quando eu realmente preciso. E voc esteve l agora, de novo. Voc 
o salvou, pai. E eu s queria que voc soubesse o quanto isso me importa. Especialmente desde que eu sei que voc no concordava com a minha ida - voc sabe - em 
primeiro lugar.

  Meu pai estendeu a mo para ajeitar a minha orqudea. Mas, por alguma razo, ao invs dele pegar a flor, seus dedos pareceram passar pela ptala de plstico. De 
repente, eu entendi o que estava acontecendo.
  
  E no tinha nada que eu pudesse fazer, alm de ficar l, olhando para ele, com lgrimas se acumulando em meus olhos.

  -, me desculpe por aquilo. - Meu pai continuou, mencionando seu desacordo sobre eu voltar no tempo pra "salvar" Jesse. Ele estava crescendo psicologicamente na 
morte, e morrendo em cada palavra. 
  E no era s porque eu estava olhando para ele com lgrimas escorrendo pelo meu rosto. - s que se voc tivesse voltado no tempo e salvado minha vida, isso seria 
como... Bem, como se eu tivesse morrido e estivesse vagando por esses 10 anos por nada.

  -No foi por nada, pai. - Eu falei, apertando sua mo com o mximo de fora que eu podia, e enquanto eu apertava, eu a sentia indo embora. - Foi por Jesse. E por 
mim. E  por isso que voc est pronto para seguir em frente. Olhe para si mesmo.

  Meu pai olhou para si e ento para mim, claramente impressionado.

  -T tudo bem, pai. - Eu falei, levantando minha mo livre para enxugar as lgrimas do meu rosto.

  Era quase impossvel v-lo agora... S um pouco de cor e luz, e uma leve presso em minha mo. Mas eu posso falar que ele estava sorrindo. Sorrindo e chorando 
ao mesmo tempo. Exatamente como eu. 
  
  -Eu sentirei sua falta.

  -Cuide de sua me por mim. - Ele falou rpido, como se estivesse com medo de ser arrancado dali antes de acabar de falar.

  -Eu vou. - Eu prometi.

  -E fique bem. - Ele falou.

  -E eu no estou? - Eu falei, com minha voz tremendo.

  E de repente, com um brilho, ele desapareceu.

  Pra sempre.

  Demorou muito tempo para que eu fosse at onde Jesse estava. Eu chorei muito ali, atrs das palmeiras, at reparar o estrago que isso causara em minha maquiagem, 
que estava em minha bolsa. Quando eu finalmente voltei para Jesse ele me olhou e sorriu.

  -Ele se foi? - Ele perguntou.

  -Ele se foi. - Eu falei automaticamente. Ento eu percebi.

  -Jesse... - Eu o encarei. - Voc pode? Voc...

  -Vi voc falando com seu pai h pouco tempo? - Ele falou, levantando um pouco as pontas dos lbios. - Sim.
  
  -Ento voc pode... - Eu estava completamente chocada. - Voc pode...

  -Ver e falar com fantasmas? - Jesse sorriu, com o brilho da lua sobre ele. - Aparentemente sim. Por qu? Isso  um problema?

  -No. Exceto que... Voc deve ser... - eu dificilmente podia acreditar no que eu estava falando. - Isso que dizer que voc  um...

  -Mi Hermosa, - Jesse disse, me puxando para perto dele. - Vamos danar.

  Mas eu estava muito confusa pra pensar em outra coisa. Jesse - Meu Jesse - no era mais um fantasma. Ele era um mediador. 
Como eu.

  -A nica coisa que eu no consegui entender, - Jesse sussurrou, sua respirao em minha orelha -  porque isso o manteve aqui todo esse tempo.

  Eu deslizei nos braos de Jesse, registrando, confusa, o que ele havia dito. Jesse  um mediador. Era a nica coisa que eu conseguia pensar. Jesse  um mediador 
agora.

  -Seu pai. - Jesse falou. - Ele est partindo. Por que agora?

  Eu pus meus braos em volta de seu pescoo. O que mais eu poderia fazer?

  -Voc realmente no sabe? - Eu o perguntei

  Ele balanou a cabea.

  Eu sorri, porque eu me senti como se meu corao pudesse explodir de felicidade.
  
  ******************** FIM - THE END ********************
  
  Obrigada por todos os que colaboraram para que essa traduo fosse possvel, obrigada a todos pela ajuda e pelo incentivo. 
  
  Traduo feita por: Lusa, Gregory, Carolina, Karen, Renatinha, Ca?oliNa, Bia, Larissa, Flvia, Danniely, Annimos, Yukie, Camila, Lusa Guerra, Fake, Carool e 
outros, posso ter esquecido algum...


  
  LANAMENTO OFICIAL DO LIVRO CREPSCULO:
  Fevereiro de 2007
  
